Alteração da Composição Genética para Aumento da Fertilidade

As características reprodutivas têm geralmente baixa herdabilidade: a maior parte da variação entre vacas se deve a fatores ambientais e não genéticos e a taxa seleção genética é menor que para características de maior herdabilidade. Apesar da baixa herdabilidade das características reprodutivas, estratégias genéticas podem ser utilizadas para elevação das taxas obtidas de prenhez.

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Este texto é parte da palestra apresentada pelo Dr. Peter J. Hansen, da Universidade da Flórida, no XI Curso de Novos Enfoques na Reprodução e Produção de Bovinos, realizado em Uberlândia em março de 2007.


As características reprodutivas têm geralmente baixa herdabilidade: a maior parte da variação entre vacas se deve a fatores ambientais e não genéticos e a taxa seleção genética é menor que para características de maior herdabilidade. Apesar da baixa herdabilidade das características reprodutivas, estratégias genéticas podem ser utilizadas para elevação das taxas obtidas de prenhez.

Houve uma renovação recente do interesse de avaliar a mestiçagem como método de aumento de fertilidade de vacas leiteiras. A idéia de promover a mestiçagem se baseia no fato de que muitas raças leiteiras têm alto grau de endocruzamento, que pode comprometer a saúde e a reprodução. Um grande ensaio está sendo conduzido na Califórnia para comparar as características de desempenho de vacas holandesas com mestiças de Normande, Montebeliarde e Scandinavian Red (termo que se refere a touros das raças Norwegian Red e Swedish Red).

O número de dias abertos para a primeira lactação variou de 133 a 142 dias para as mestiças vs. 156 dias para as holandesas (P<0,01). O rendimento leiteiro de lactação de 305 dias foi mais elevado para as holandesas que para mestiças (P<0,01), com média de 21.801 libras (9.562 kg) para as holandesas e 18.926 libras (8.584 kg) para Normande x Holstein, 20.305 libras (9.210 kg) para Montebeliarde x Holstein e 20.499 libras (9.298 kg) para Scandindavian Red x Holstein. Pesquisas adicionais serão necessárias para avaliar a viabilidade e conseqüências econômicas da decisão de optar pela mestiçagem.

É provável que se possa obter progressos em termos de fertilidade nos rebanhos leiteiros existentes. Ao início de 2003, a taxa de prenhez de filhas foi usada para calcular diferenças entre touros quanto à habilidade genética de suas filhas para a função reprodutiva. A taxa de prenhez de filhas é calculada a partir do número de dias abertos e é a proporção de fêmeas elegíveis a ficarem prenhes em um período de 21 dias e que efetivamente emprenham.

A herdabilidade do número de dias abertos é de apenas 0,04 (VanRaden et al., 2004), mas trabalhos estão sendo conduzidos para controlar alguns fatores que afetam esta característica para aumentar a precisão da estimativa da capacidade genética para reprodução. Existem diferenças distintas entre touros quanto à taxa de prenhez de filhas. Weigel (2006) relatou que os 10% melhores touros holandeses apresentavam taxa de prenhez de filhas 4,9% mais elevada que os 10% piores touros. Esta diferença corresponde a uma diferença em dias abertos de 20 dias.

A habilidade genética de reprodução de uma vaca depende das ações de uma série de genes individuais. A ciência da genética molecular está oferecendo novas oportunidades para seleção genética. Regiões específicas de cromossomos individuais estão sendo identificadas e estão associadas à produção animal. Estas regiões são denominadas loci de características quantitativas (QTL = quantitative trait loci) e a seleção pode ser feita em base de código genético específico em cada QTL. Vários trabalhos descreveram QTL's para a função reprodutiva de vacas leiteiras [por exemplo, Kühn et al. (2003) e Holmberg e Andersson-Eklund, (2006)].

Além disso, genes específicos que controlam a função reprodutiva em cada QTL estão sendo identificados. Por exemplo, Ponsuksili et al. (2006) descobriram que um QTL do cromossomo 18 contém três genes denominados NALP5, NALP8 e NALP9 que codificam proteínas produzidas no ovócito.

Quando o seqüenciamento do genoma bovino estiver completado, serão identificados muitos genes específicos que controlam a reprodução e haverá a possibilidade de selecionar vacas que portam conjuntos de genes específicos que otimizam a função reprodutiva e a sobrevivência do embrião.
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Material escrito por:

Ricarda Maria dos Santos

Ricarda Maria dos Santos

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia. Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

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José Luiz Moraes Vasconcelos

José Luiz Moraes Vasconcelos

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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