Através da observação atenta do que os animais estão deixando no cocho de alimentação, a velocidade de consumo e de outros aspectos, podemos obter informações relevantes sobre a qualidade, composição e fornecimento da dieta, além de outros aspectos para o manejo da fazenda.
Luiz Ferraretto, PhD, professor assistente e especialista em extensão em nutrição de ruminantes na UW-Madison, explicou que esses comportamentos podem afetar a produção de leite e a saúde geral de uma vaca.
O Dr. Ferraretto e sua equipe de pesquisa mediram vários comportamentos alimentares em vacas com duas ou mais lactações. A ingestão individual de alimentos em tempo real, número de vezes que uma vaca entra e quanto tempo ela permanece no cocho foram mensurados e a partir dessas informações, foram utilizados dados históricos para identificar tendências na ingestão, comportamento e produção.
Embora a qualidade e a digestibilidade da forragem sejam fatores-chave na capacidade da vaca de converter a dieta em leite, o Dr. Ferraretto compartilhou que, mais recentemente, os pesquisadores estão analisando como os aspectos físicos das forragens, como o tamanho das partículas e a fragilidade, afetam o comportamento da vaca durante a alimentação.
“Quando a vaca tem uma dieta com muitas partículas grossas ou fibras menos digeríveis, ela passará mais tempo no cocho de alimentação selecionando o que realmente quer comer, ou ela estará comendo, mas levará mais tempo para mastigar e engolir o alimento”, disse ele. “Quando isso acontece, ela está gastando mais tempo para comer menos comida e, consequentemente, não está descansando e muito provavelmente estará produzindo menos de leite.”
A pesquisa também estudou como diferentes comportamentos de outras vacas do rebanho impactam a quantidade de dieta que elas consomem. Algumas de suas descobertas foram inesperadas, incluindo a descoberta de que as idas mais frequentes de uma vaca na pista de alimentação nem sempre se correlacionavam com maior consumo da dieta em comparação com os outros animais. “Na verdade, vimos o oposto”, disse o Dr. Ferraretto, "observando que uma vaca estava indo com mais frequência para o cocho em busca de alimento, identificamos que normalmente se tratava de uma vaca menos dominante que havia sido afastada por outras".
O Dr. Ferraretto recomenda que os produtores observem vários comportamentos durante o consumo da dieta pelos animais:
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Se as vacas estão mudando de posição no cocho em vez de permanecerem no mesmo lugar, elas podem estar competindo por um lugar ou selecionando partes específicas da dieta.
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Se as vacas estão comendo mais rápido que o normal, provavelmente elas não comeram o suficiente no dia anterior.
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Se houver pontos no cocho onde ingredientes específicos da dieta foram separados, verifique os tempos de mistura e a ordem dos ingredientes adicionados ao misturador para evitar que os componentes individuais se separem dos outros.
“Uma boa conexão entre o manejo nutricional, dieta, produção de forragem e o manejo da vaca é ideal”, disse o Dr. Ferraretto. “Esse animal terá maior oportunidade de consumir uma boa dieta da maneira que ele quer, para então descansar e produzir mais leite.”
Você produtor, consultor e técnico do setor leiteiro, sabe o que pode auxiliar na coleta dessas informações para avaliação do desempenho da dieta do rebanho? A inteligência artificial (IA). Por meio de tecnologias desenvolvidas a partir da IA, sensores podem captar, registrar e ler o comportamento das vacas ao longo de um dia. A partir dos dados coletados, é possível identificar tempo de ruminação, tempo que animal permaneceu no cocho de alimentação, além da possibilidade de detectar animais que tiveram muitas movimentações durante o período de alimentação.
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As informações são do Dairy Herd Management, adaptadas pela equipe MilkPoint.