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Vou parar de tirar leite, vou virar catador de lixo

Escutei isso de um colega estes dias, fiquei bem intrigado e fui conversar com um catador para ver como funcionava. Perguntei ao homem como estava indo a vida de catador. Ele respondeu que agora estava melhor, que o preço do alumínio e do papelão haviam tido uma leve reagida. De imediato lembrei do produtor quando o leite tem uma leve alta.

Perguntei como fazer para conseguir fazer um pouco mais de dinheiro no dia. Ele respondeu que todo final de tarde ele avalia os lugares onde foi e planeja os que vai ir no próximo dia. Lembrei do produtor que planeja como vai proceder na atividade. 

Ele falou também que fazia parcerias com empresas que lhe ofertavam grandes volumes de materiais recicláveis. Lembrei do produtor que faz parcerias com fornecedores para conseguir um preço melhor.

Ele falou que escolhia os compradores, que tem empresas que compram e não pagam o valor combinado, ou tentam fraudar os pesos para pagar menos. Lembrei do produtor que escolhe o laticínio para quem vende sua produção

Falou que escolhe os horários onde há maior volume para ser coletado e que faz um roteiro de onde vai. Lembrei do produtor que organiza o horário de alimentação e de ordenha das vacas para encontrar os melhores horários para cada função. 

Falou ainda que ao menos um dia por semana ajudava outros catadores a organizarem seus materiais para carregamento, assim quando precisa pode chamar que eles vem ajudá-lo. Lembrei do produtor que troca serviços com os vizinhos.

Sendo assim podemos concluir que produzir leite é uma profissão como qualquer outra. Que em qualquer setor é preciso planejamento e profissionalismo . Que precisamos de parcerias para chegar ao objetivo. Então, se você quer mudar de produtor para catador de lixo, saiba que vai precisar se especializar também, que nem na reciclagem existe espaço para amadores.

Por vezes julgamos sem saber a realidade do outro e acabamos por desmerecer profissões inclusive a nossa. Leite é para profissionais, para pessoas empenhadas em fazer bem feito. 

FABRÍCIO NASCIMENTO

Produtor de leite em Jóia, Rio Grande do Sul, e palestrante.

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JOSÉ FRANCISCO CASSIANO DE MORAIS DA SILVA

SABARÁ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/06/2019

Muito bom. Duas atividades distintas com o mesmo objetivo. Só posso comentar quanta a atividade leiteira, pois, estou com 72 anos de idade e há mais de 60 anos tenho vacas tiro leite. O produtor de leite sempre recebeu mal, hoje na minha região, o laticínio está pagando em média R$ 1,30 por litro, dependendo da produção diária. Posso estar errado, mas penso que o fazendeiro de raiz, cujo atividade leiteira está no sangue e, acima de tudo, é a sua vida, está no fim, substituído pelos grandes laticínios e indústrias de leite. Já tentei parar, mas não consigo, vendo as vacas mas logo compro de tudo de novo, é o meu prazer, é minha vida e quero morrer assim. As mudanças e técnicas avançadas são muitas, um grande evolução, mas com pequenas mudanças, continuo na forma e conhecimentos que herdei do meu pai e meu avô. Às vezes brinco com as pessoas do ramo, vaca não dá leite, pelo contrário, vende muito caro. Gostei imensamente do artigo, muito bom e leva a reflexões. Obrigado
ROGÉRIO JOSÉ DO CARMO

CORURIPE - ALAGOAS

EM 28/06/2019

Parabéns, lembrei de meu pai que tem a mesma idade a mesma atividade e a mesma paixão, pois, o pequeno produtor continuar na atividade leiteira além de ser um profissional tem que ter paixão, as baixas são sempre maiores que os momentos de ganho! UM abraço.
FAGNER DE ANDRADE OLIVEIRA

EM 26/06/2019

Dois profissionais, apenas o ramo é diferente.
FABRÍCIO NASCIMENTO

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/06/2019

Fagner obrigado por o comentário!
Profissionais exatamente, não podemos achar que a solução dos problemas está em trocar de atividade, mas sim nos profissionalizar na nossa.
OSMAR REDIN

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 25/06/2019

Parabéns Fabrício, analogia perfeita!
FABRÍCIO NASCIMENTO

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/06/2019

Osmar muito obrigado por o comentário!
Tentei de uma forma simples trazer uma reflexão para que possamos ver que dificuldades existem em qualquer profissão.
DARLANI PORCARO

MURIAÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/06/2019

Bem , se você for o tirador do leite , junto à sua família , até que a coisa funciona melhor , mas , se depender de empregados, tudo se torna complicado
FABRÍCIO NASCIMENTO

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/06/2019

Darlani obrigado por o comentário!
Vale a mesma regra para qualquer empresa, é difícil montar uma equipe de trabalho, mas não é impossível, exige um pouco mais, mas se consegue um bom resultado sim.
EM RESPOSTA A FABRÍCIO NASCIMENTO
BRENO

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS

EM 02/07/2019

Bom dia gostei da historia, nasci e cresci vendo meu pai lidando com leite, até meus 19 anos lidamos com leite, paramos por um tempo por falta de condiçoes financeiras 16 anos mais tarde iniciamos novamente, antes com terras próprias, no retorno com terras arrendadas, lidar com leite é coisa de paixão, e hoje deve ser agregada a profissionalismo, já não há mais espaço para o tirador de leite raiz, hoje para se sobreviver deve se adequar para ser um produtor de leite, trabalhar a linha de produção com planejamento e execução dos trabalhos de forma a seguir o cronograma traçado, como o amigo acima disse, quando é a família, apesar de dificil, é mais fácil de tocar o negócio, concordo com Fabricio, toda empresa necessita de mão de obra fora da família, porém, tenho observado que, no meio rural a rotatividade é maior, em virtude da distância do meio urbano e da vontade de todos os jovens estar em ambiente urbano, alguns poucos que ainda se dispõem a ir para o meio rural, não tem experiencia e nem mesmo vontade de aprender e vontade de ajudar, o vão por pura necessidade, tenho experiência de 13 anos lidando com essa dificuldade, entre o mes de abril de 2016 até hoje 02/07/2019, foram 16 ajudantes que passaram por nossa propriedade, tetamos de tudo para ajudar no aprendizado e para que trabalhassem com menor esforço, mas a falta de comprometimento e vontade de trabalhar aliado ao, infelizmente, uso contínuo e sem controle de celular e ainda sair pra ir a cidade e não retornar, faz com que fique quase impossível encontrar um bom ajudante, vão pensar devem ser péssimos para os ajudantes, digo com toda a certeza que não, tetamos ser o mais próximo possível, mantemos diálogos de amigos sem que se faça aquela distinção patrão empregado, trabalhamos juntos para mostrar que estamos no mesmo barco e temos que remar juntos, mas nada adiante, no primeiro mês é tudo maravilha, pensamos agora encontramos a joia rara, é só passar o periodo de adaptações começa tudo novamente, e olha que o serviço é bem pouco comparado aos trabalhos de antigamente, hoje é somente tirar leite, que nem se dá esse nome mais hoje é ordenhar as vacas em ordenha mecânica canalizada, e como o amigo acima disse, todo ano penso em parar mas a paixão é maior e me faz repensar e reorganizar para ir melhorando e organizando para lidar sem a dependência de ajudante que está inviabilizando o setor, obs, so para não dizerem que não é bem assim, tive um vizinho que no auge a propriedade dele produzia 10 mil litros leite dia, hoje nem pra beber ele tira, virou tudo soja, e gado de corte. forte abraço e força para todos os guerreiros da produção de leite.
ANTONIO DIRCEU DA SILVA

MADRE DE DEUS DE MINAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/06/2019

Gostei da comparação mas o catador de lixo tem muito menos dinheiro empatado fica minha observação
FABRÍCIO NASCIMENTO

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/06/2019

Antonio obrigado por o comentário!
A comparação fica mais a nível de planejamento e organização do tempo para desenvolver cada atividade .
LUIS ANTONIO SCHNEIDER

LUCAS DO RIO VERDE - MATO GROSSO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 24/06/2019

Mesmo que as vezes possa parecer que a atividade leiteira é injustiçada, que se trata de uma atividade difícil, posso afirmar que nas minhas andanças pelo Brasil e pelo mundo do leite, assim como em outras atividades os problemas existem e a melhor forma de mudar, certamente não é mudar de atividade, mas talvez mudar a forma com que conduz a mesma, como comenta o nosso amigo Fabrício. No meu dia a dia e lá se vão 25 anos, e ainda hoje temos grande parte dos produtores que não entenderam a necessidade de escala na produção, da qualidade necessária, de que conseguimos mexer nos custos e não nos preços de vendas, de que contratos de fornecimento são privilégios de quem tem regularidade na quantidade e qualidade do leite....enfim, pode parecer um pouco duro para alguns, mas a primeira grande mudança é cultural e comportamental, onde temos que entender que o leite também é um negócio, que tem desafios e que precisa de PLANEJAMENTO....saber onde se quer chegar e como sequer chegar lá.
FABRÍCIO NASCIMENTO

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/06/2019

Luis obrigado por o comentário!
Planejamento faz toda a diferença, inclusive sendo título de uma palestra minha " QUEM PLANEJA TÊM FUTURO QUEM NÃO PLANEJA TÊM DESTINO! "