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O tempo de estocagem e o ajuste do tamanho de corte impactam o KPS?

POR GUSTAVO SALVATI

ESALQLAB

EM 05/07/2019

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Uma estratégia que vem sendo estudada para potencializar a disponibilidade do amido é o tempo de estocagem. Em silagens de grãos úmidos armazenadas por 240 dias foi demonstrado que a proteólise das proteínas (α, γ, δ, e β zeínas) que compõe a matriz proteica permitiu um aumento da área superficial dos grânulos de amido resultando em incrementos na digestibilidade do amido (Hoffman et al., 2011).

A proteína solúvel e o nitrogênio amoniacal (N-NH3) são indicadores da intensidade da proteólise e seu aumento tem sido relacionado positivamente com a digestibilidade de amido em silagem de milho planta inteira (Der Bedrosian et al. 2012; Ferraretto et al., 2015a) e silagem de grãos úmidos (Hoffman et al., 2011).

Trabalhos recentes da University of Wisconsin – Madison demonstraram que o tempo de estocagem reduz o tamanho de partículas da fração grãos em silagem de milho planta inteira. Ferraretto et al. (2015b) reportaram um aumento de 10 unidades percentuais no KPS para silagens armazenadas por 240 dias. Recentemente, Salvati et al. (2019) estudaram o efeito do tempo de estocagem sobre o tamanho de partículas da fração grãos em silagem de milho planta inteira colhida por 2 tipos diferentes de colhedoras. Para tal, dois experimentos foram conduzidos na Escola Superior de Agricultura Luiz de Querioz - ESALQ.

No experimento 1, uma colhedora tracionada por trator sem processador de grãos regulada em diferentes tamanhos de corte (TC; 3, 6 e 9 mm) foi usada para colher o milho. As amostras foram ensiladas em mini-silos e armazenadas por 0, 35 ou 140 dias. No experimento 2, a colheita foi realizada com uma colhedora autopropelida (com processador de grãos) regulada para diferentes tamanhos de corte (6, 12 e 18 mm), distância entre rolos de 3 mm e estocados pelos mesmos tempos do experimento 1 (0, 35 ou 140 dias).

Após 140 dias de armazenamento o KPS aumentou aproximadamente 10 unidades percentuais nas silagens colhidas com a autopropelida (Figura 1) mas não foi aumentado para colhedora tracionada por trator (Figura 2). A conclusão do trabalho foi que, aparentemente, para se obter os benefícios do tempo de estocagem um processamento adequado no momento da colheita se faz necessário.

Figura 1. Efeito do tempo de estocagem sobre o KPS em silagem de milho planta inteira colhida com colhedora autopropelida.

Figura 2. Efeito do tempo de estocagem sobre o KPS em silagem de milho planta inteira colhida com colhedora tracionada por trator.

Nos Estados Unidos, a variação típica de TC para colheita com colhedoras autopropelidas é de 19 a 26 mm (Grant e Ferraretto, 2018) e entre 10 a 13 mm para colhedoras tracionadas por trator sem processador de grãos (Kung e Muck, 2017). No entanto, os híbridos cultivados no Brasil, em sua maioria, possuem os grãos com alta proporção de endosperma vítreo (Correa et al., 2002; Bernardes et al., 2018), o que supostamente dificulta o processamento durante a colheita (Ferraretto et al. 2018); comprometendo assim o processamento.

Dessa forma TC mais curtos poderiam ser uma estratégia para promover a quebra dos grãos independente do tipo de colhedora. Essa premissa foi avaliada para dois tipos diferentes de colhedoras em um hibrido cuja vitreosidadade foi de 65% no ponto de colheita (34% MS; Salvati et al.; 2019). A redução do TC de 9 para 3 mm não impactou o KPS para colhedora tracionada (Figura 3). Contudo, na autopropelida, o KPS foi maior para regulagem de 6 mm e não houve diferença entre TC de 12 e 18 mm (Figura 4). Nesse texto, consideramos o impacto apenas na fração grãos, contudo, a tomada de decisão pelo produtor deve levar em consideração também o tamanho de partículas da fração fibrosa.

Figura 3. Efeito do comprimento teórico de corte (mm) no KPS de silagem de milho planta inteira colhida por colhedora tracionada por trator.

Figura 4. Efeito do comprimento teórico de corte (mm) no KPS de silagem de milho planta inteira colhida por colhedora autopropelida.

Referências bibliográficas

Bernardes, T. F., J. L. P. Daniel, A. T. Adesogan, T. A. McAllister, P. Drouin, L. G. Nussio, P. Huhtanen, G. F. Tremblay, G. Bélanger, and Y. Cai. 2018. Silage review: Unique challenges of silages made in hot and cold regions. J. Dairy Sci. 101:4001-4019.

Correa, C.E.S., Shaver, R.D., Pereira, M.N., Lauer, J.G., Kohn, K. Relationship between corn vitreousness and ruminal in situ starch degradability. J. Dairy Sci., 85:3008-3012, 2002.

Der Bedrosian, M. C., L. Kung Jr., and K. E. Nestor Jr.. 2012. The effects of hybrid, maturity and length of storage on the composition and nutritive value of corn silage. J. Dairy Sci. 95:5115-5126.

Grant, R. J, and L. F. Ferraretto. Silage review: Silage feeding management: Silage characteristics and dairy cow feeding behavior. J. Dairy Sci. 101:4111-4121.

Ferraretto, L. F., P. M. Crump, and R. D. Shaver. 2015a. Effect of ensiling time and exogenous protease addition to whole-plant corn silage of various hybrids, maturities and chop lengths on nitrogen fractions and ruminal in vitro starch digestibility. J. Dairy Sci. 98:8869-8881.

Ferraretto, L. F., G. S. Dias Junior, L. C. de Resende, and R. D. Shaver. 2015b. Effect of ensiling on kernel processing score in whole-plant corn silage harvested with varied processors and settings. J. Dairy Sci. 98(Suppl. 2):689. (Abstr.)

Ferraretto, L. F., R. D. Shaver, and B. D. Luck. 2018. Silage review: Recent advances and future technologies for whole-plant and fractionated corn silage harvesting. J. Dairy Sci. 101:3937-3951.

Hoffman, P.C., Esser, N.M., Shaver, R.D., Coblentz, W.K., Scott, M.P., Bodnar, A.L., Schmidt, R.J., Charley, R.C. Influence of ensiling time and inoculation on alteration of the starch-protein matrix in high-moisture corn. J. Anim. Sci., 94:2465-2474, 2011.

Kung Jr., L., and R. E. Muck. Silage harvesting and storage. 2017. Pages 723-738 in Large Dairy Herd Management (3oed.) edited by D. K. Beede. 1376 p.

Salvati, G. G. S.  Strategies to improve kernel processing and dairy cow performance in whole-plant corn silage based on vitreous endosperm hybrid. 2019. 87 P. Tese. Universidade de São Paulo - Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Piracicaba, 2019.

GUSTAVO SALVATI

Graduado em Zootecnia (UFLA), Mestrado em Nutrição de Bovinos Leiteiros (UFLA), Research Scholar (University of Wisconsin - Madison) e atualmente Doutorando no Programa de Pós Graduação em Ciência Animal e Pastagens (ESALQ)

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LUCAS SALVATTE LAMÔNICA

LAVRAS - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 12/07/2019

Ótimo artigo! Parabéns!!!
RAMON LOPES SALVATTE

SÃO JOÃO DEL REI - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 10/07/2019

Parabéns pelo artigo! Certamente vai ajudar na tomada de decisão na fazenda.
GUSTAVO SALVATI

LAVRAS - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 08/07/2019

Para mais informações sobre o kps - kernel processing score (o índice que avalia qualidade do processamento) segue um link de um texto já publicado aqui.

https://www.milkpoint.com.br/colunas/esalqlab/alguem-viu-o-amido-por-ai-206245n.aspx