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Casca de soja: qual a qualidade nutricional do coproduto que utilizo na minha propriedade?

POR DANIEL MONTANHER POLIZEL

E LETÍCIA CAROLINA BORTOLANZA SOARES

ESALQLAB

EM 11/10/2021

3 MIN DE LEITURA

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Atualizado em 11/10/2021

O aumento nos preços das commodites somado a necessidade por alternativas de suplementação animal nos períodos de escassez alimentar, fez com que a busca por coprodutos aumentasse a cada ano.

Com características nutricionais que permite otimizar a produção animal e reduzir custos finais de produção, a casquinha de soja é uma das grandes alternativas de coprodutos disponíveis para alimentação animal.

A casquinha/casca de soja nada mais é do que o envoltório do grão de soja que é separado durante o processo industrial realizado para a extração de óleo de soja. A cada tonelada de soja processada são produzidos aproximadamente 180 kg de óleo, 710 kg de farelo de soja (48% de proteína bruta) e cerca de 50 kg de casquinha.

As características nutricionais da casquinha de soja permitem a substituição dos grãos mais utilizados na nutrição animal, como milho e sorgo. Comparativamente, de acordo com o NRC (2007) a casca de soja possui menor teor de energia (3,4 Mcal/kg) que o milho (3,9 Mcal/kg) e o sorgo (3,6 Mcal/kg). No entanto, a casquinha de soja é praticamente livre de amido em sua constituição, o que auxilia muito durante o processo de formulação dietas mais seguras do ponto de vista fermentativo.

A principal fonte de energia deste ingrediente é proveniente da extensa degradação ruminal da fração fibrosa contida em sua estrutura. A fibra em detergente neutro (FDN) deste coproduto possui alta digestibilidade.

Os estudos demonstram que o uso da casca de soja em substituição aos grãos de cereais apresenta grande potencial de uso devido a elevada digestibilidade da fração de FDN, extensa fermentação ruminal, elevada produção de ácidos graxos de cadeia curta e benefícios em relação ao controle do pH ruminal.

É importante destacar que apesar da casquinha de soja possuir elevadas concentrações de FDN, ela não pode substituir completamente os alimentos volumosos por não conter estrutura suficiente para estimular a ruminação. Por se tratar de um material com pequeno tamanho de partícula, a casca de soja possui baixa FDN fisicamente efetiva (FDNfe), e isso deve ser levado em consideração durante a formulação das dietas quando a inclusão da casca de soja for realizada em substituição parcial dos volumosos.

Por ser um coproduto da agroindústria existem muitos fatores que podem afetar a composição nutricional da casca de soja. A qualidade da matéria prima (soja grão) e processos industriais realizados podem fazer com que haja importantes variações, os quais precisam ser monitorados para otimizar o processo de formulação de dieta.

Com o objetivo de elucidar essas variações, a equipe da ESALQLAB realizou um levantamento da composição bromatológica da casca de soja analisada nos últimos três anos.

Na Tabela 1 é possível notar que o teor de matéria seca foi a variável com menor variação. O principal constituinte da casca de soja é a FDN, a qual apresentou valor médio muito próximo a literatura nacional e internacional, entretanto, é possível notar uma importante variação, sendo observada valores entre 59,3 e 78,2%.

Outra variável importante a ser considerada seria a proteína bruta, a qual também apresentou valores médios condizentes com a literatura, mas com valores máximos e mínimos muito discrepantes, fator que afetaria muito a formulação de dietas, em especial quando houver elevada inclusão de casca de soja.

As variáveis que apresentaram maiores coeficientes de variação (C.V) foram o extrato etéreo e os carboidratos não fibrosos (CNF). Essa variação é muito importante, pois no caso de troca de lotes de casca de soja que resultem em aumento abrupto de extrato etéreo e CNF podem resultar em alterações processo de fermentação ruminal, resultando em prejuízos na produção e composição do leite.

Na Tabela 2 estão apresentados os dados da composição bromatológica da casca de soja ao longo dos últimos três anos, e a partir deles é possível notar que, de maneira geral, a composição média do produto foi similar durante o período avaliado.

As participações dos coprodutos da agroindústria sempre tiveram grande importância durante o processo de formulação de dietas, e no momento atual eles acabam se tornando essenciais visando a substituição de ingredientes clássicos que estão com preços muito elevados (milho e soja).

Mas é importante destacar que o uso eficiente desses coprodutos se faz através do conhecimento exato do material que se está trabalhando, em especial quando a inclusão do coproduto da dieta é elevada.

As variações aqui relatadas na composição da casca de soja, teriam impacto direto na formulação e resposta produtiva dos animais. E se a propriedade visa uma produção eficiente, o monitoramento de possíveis variações é de extrema importância para o sucesso produtivo.

Nesse cenário nós perguntamos, você tem monitorado a qualidade nutricional da casca de soja em sua propriedade? Conte pra gente!
 

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DANIEL MONTANHER POLIZEL

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