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Processador de grãos em forrageiras tracionadas por trator funciona?

POR DANIEL MONTANHER POLIZEL

E GABRIEL DE ASSIS REIS

ESALQLAB

EM 08/02/2022

5 MIN DE LEITURA

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Atualizado em 08/02/2022

Cada vez mais os produtores de leite são desafiados a serem bons no cultivo do milho, tanto para a produção de grãos quanto silagem, uma vez que as demandas nutricionais de vacas leiteiras de alta produção exigem safras produtivas e de qualidade.

Atualmente, os nutricionistas buscam por maior consistência no valor nutritivo dos alimentos, dada a era da alimentação de precisão. Isso se torna ainda mais importante no atual cenário de incremento no custo da dieta, devido ao aumento do preço dos ingredientes.

O milho em sua forma seca e moída é um dos insumos mais utilizados na alimentação de vacas leiteiras. Segundo o indicador de milho desenvolvido pelo Cepea/Esalq, o preço da saca de milho em fevereiro de 2020 apresentava valores de R$51,69, tendo pico de R$100,72 em maio de 2021, sendo os valores atuais (Janeiro de 2022) girando por volta dos R$96,00.

A questão principal é que quando falamos sobre silagem não basta ter excelente qualidade nutricional, como por exemplo, elevadas concentrações de amido. É necessário que este amido esteja disponível para que a vaca leiteira possa aproveitar esse nutriente da maneira mais eficiente possível, ou seja, o grão de milho presente na silagem precisa ser processado durante a colheita.

As autropropelidas quando bem reguladas conseguem fazer um processamento muito adequado desses grãos, entretanto, em muitas propriedades a colheita da roça de milho é realizada utilizando colhedoras tracionadas por trator, e esta opção se deve principalmente pelo elevado custo de aquisição, necessidades de horas trabalhadas e tamanho da roça cultivada (Gomides, 2013). Uma possibilidade para melhorar o processamento dos grãos da silagem de milho seria através do uso de rolos processadores em forrageiras tracionadas por trator.

Na década de 90 estudos já indicavam ganhos produtivos em vacas leiteiras quando o grão de milho da silagem era processado durante a colheita. Satter et al., (1999) analisando bancos de dados de processamento de silagens de planta inteira de milho encontraram aumento médio de 0,5 kg na produção diária de leite, sendo que em alguns trabalhos os ganhos produtivos chegavam até 1,3 kg de leite por dia (Straub et al., 1996), em que a quebra e esmagamento dos grãos de milho pelos rolos processadores permitiu a exposição do amido. Esse aumento da área de superfície potencializa a ação dos microrganismos e os processos enzimáticos da digestão, aumentando a digestibilidade ruminal e total do milho (Bal et al., 2000).

Neste cenário foi realizado um estudo na ESALQ-USP pelo Grupo de Qualidade e Conservação de Forragens (QCF) avaliando a efetividade do uso do processador de grãos (cracker) em forrageira tracionada por trator. O estudo propôs 3 tratamentos, sendo eles:

  1. Silagem de milho colhida sem processador
  2. Silagem de milho colhida sem processador, com inclusão adicional de 0,500 kg de milho moído/dia/vaca
  3. Silagem de milho colhida com processador de grãos (cracker)

Os resultados obtidos no estudo demonstraram que houve aumento de grãos retidos nas peneiras abaixo de 4,75 mm para as silagens de planta inteira de milho colhida com processador de grãos (cracker). Em função disso, o tamanho geométrico médio dos grãos também foi afetado. O ganho em porcentagem de grãos menores na silagem com processador aumentou o KPS em 30% em relação à silagem não processada.   

Gráfico 1. Escore de processamento da fração de grãos (KPS) em silagens de milho colhida com forrageiras tracionadas por trator com e sem o processador (cracker).

Em relação aos resultados de produção de leite, as vacas alimentadas com a dieta que continha silagem de milho processada (colhida com cracker) produziram 1 kg de leite a mais por dia quando comparadas as vacas alimentadas com dietas contendo silagem de milho colhidas sem processador.

O aumento na produção de leite com a utilização de silagem de milho processada está relacionado ao aumento da disponibilidade do amido, devido à quebra mais efetiva do grão pelos rolos processadores (Gráfico 1).

Outro ponto muito importante deste estudo é que o fornecimento de 0,500 kg de milho moído suplementar para vacas alimentadas com silagem colhida sem processador obtiveram a mesma produção de leite das vacas alimentadas com silagem colhida com processador. Não houve efeito de tratamento para o consumo de matéria seca.  

Gráfico 2. Produção de leite média em dietas com silagens de milho com e sem o processador e com acréscimo de milho seco moído.

A similaridade de produção entre os tratamentos “Com Processador” e “Sem Processador + Milho” deve ser destacada em face da alta nos preços dos grãos ao longo do ano, fazendo com que a inclusão de milho aumente o custo da dieta. Assim, a estratégia de aumento do amido pela adição de milho seco moído como forma de equiparar os ganhos produtivos obtidos com o processamento de grãos na colheita, impactará na margem líquida da propriedade em cenários econômicos de alta nos preços dos grãos.

Isso reforça a importância do processamento como estratégia de aumento da inclusão de silagens na dieta de vacas leiteiras e de redução dos custos de produção. Portanto, é importante que o produtor fique atento as tecnologias disponíveis para a colheita da silagem de milho, pois isso afetara diretamente o processamento dos grãos e, consequentemente, a produção animal.

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Leia também: 

 

Referencias

Bal, M. A., R. D. Shaver,  A. G. Jirovec, K. J. Shinners e J. G. Coors. 2000. Crop processing and chop length of corn silage: effects on intake, digestion, and milk production by dairy cows. Journal of Dairy Science. 8:1264-1273.

Cepea/Esalq. Indicador Do Milho Esalq/BM&FBOVESPA. Disponível em: www.cepea.esalq.usp.br/br/indicador/milho.aspx. Acesso em 26 de Janeiro de 2022.

Gomides, G. C. 2013 Fatores determinantes na ensilagem de milho: Da colheita à utilização. Monografia (Graduação em Zootecnia) – Universidade Federal de Goiás, Goiânia.

Reis, G. A. Processamento mecânico da fração de grãos como estratégia do aumento da inclusão de silagem de milho em dietas de vacas leiteiras. 2021. 62f. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” - USP, Piracicaba.

Satter, L. D., Z. Wu, V. R. Moreira, M. A. Bal, e R. D. Shaver. 1999. Processing corn silage. Page 49–58 in Proc. of the 24th Annual Minnesota Forage Conf., American. Forage and Grassland Council, Rochester, MN.

Straub, R. J., R. G. Koegel, L. D. Satter e T. J. Kraus. 1996. Evaluation of a corn silage processor. ASAE Paper No. 96-1033. St. JosepH, Mich.; ASAE.

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MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 10/02/2022

Boa tarde. Parabéns pelo texto. Em 2008 e 2011 defendi o mestrado e doutorado respectivamente trabalhando com degradabilidade ruminal de híbridos de milho de textura dentada e dura em função do esmagamento (de planta inteira de milho para silagem) Concluímos aumento de em média 30% na degradabilidade ruminal da matéria seca, 12% para a proteína, 14 % para o amido e mais de 100% para o FDN). Muito bom este processo. Parabéns mais uma vez por ajudar os produtores com estas informações. Forte abraço.
GABRIEL DE ASSIS REIS

SÃO JOÃO DEL REI - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 09/02/2022

Boa tarde Marcos. Obrigado pelo parabéns. O esmagamento dos grãos é de suma importância para uma silagem de qualidade. Fico feliz em ver seus resultados. Como foi o resultado com o milho duro? Muito obrigado pelo comentário.
EM RESPOSTA A GABRIEL DE ASSIS REIS
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 10/02/2022

Gabriel, segundo os resultados obtidos por nossa pesquisa, quando processado, a degradabilidade do milho duro (planta inteira) foi a mesma do milho denteado, mesmo em avançados estádios de colheita (início de camada preta). Um forte abraço.
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