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Você é eficiente em colher milho para silagem?

POR GUSTAVO SALVATI

E THIAGO FERNANDES BERNARDES

THIAGO FERNANDES BERNARDES

EM 25/11/2016

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A colheita da cultura do milho para a produção de silagem está se aproximando e esta etapa é considerada chave porque a mesma tem impacto sobre a conservação e o valor nutritivo do alimento. Desse modo, preparamos uma matéria, a qual é baseada no artigo de Shinners e Holmes (2013) para que produtores e técnicos possam avaliar a qualidade da picagem em condições práticas.

Estamos dedicando atenção a este assunto porque para um melhor aproveitamento do amido presente na silagem de milho, os grãos de milho necessitam ser quebrados em pequenas partículas. No passado acreditava-se que uso eficiente do amido ocorria quando os grãos estavam parcialmente quebrados. Contudo, atualmente sabe-se que o pericarpo, a camada fibrosa que recobre o grão, dificulta o acesso dos micro-organismos ruminais ao amido e quanto mais processado o grão, maior será a exposição do amido e, consequentemente, sua digestibilidade.

Como avaliar o processamento de grãos durante a colheita?

O momento mais adequado para avaliar o processamento de grãos é durante colheita, pois nesta etapa os ajustes ainda são passíveis de ser realizados. A técnica de separação por água foi desenvolvida para ser aplicada de forma fácil no campo para separar a planta em duas frações: os grãos e a porção vegetativa (colmos + folhas). Esta técnica considera que a porção vegetativa flutue, enquanto os grãos se precipitam. O método é muito simples, requer apenas uma bacia com água e é de fácil aplicação. Os passos do procedimento são descritos abaixo:

Passo 1: É necessário um recipiente (bacia ou balde) para que se coloque a água. A recomendação é encher até ¾ do volume do recipiente (Figura 1).
Passo 2: Coletar duas ou três mãos-cheias do material que foi colhido e colocá-lo sobre a água.
Passo 3: Agite o material cuidadosamente para ajudar a separar o grãos da porção vegetativa. Um minuto de agitação já é suficiente (Figura 2).
Passo 4: Remova a porção flutuante do recipiente. Isso pode ser realizado com as mãos ou com uso de uma peneira (Figura 3).
Passo 5: A água estará um pouco turva e os grãos serão difíceis de serem visualizados, mas eles estarão no fundo do recipiente. Logo, para ver os grãos drene cuidadosamente a água do recipiente (Figura 4). Embora não seja necessário, a água pode ser drenada através de uma peneira para capturar um pequena fração de grãos que flutuaram.
Passo 6: Os grãos podem ser espalhados sobre um pano ou papel toalha e água remanescente será removida dos grãos. Após isso, os grãos podem então ser distribuídos para inspeção e avaliação visual do grau de processamento.


O método funciona bem durante a colheita e pode até mesmo ser usado para avaliar a silagem, contudo a avaliação pós-armazenamento tem menos valor, pois as opções para corrigir deficiências de processamento são limitadas. Caso o teor de matéria seca da planta de milho no momento da colheita ou da silagem de milho seja reduzido (<30%), o fracionamento pode ser dificultado. Para melhorar a separação, segue abaixo algumas recomendações:

• Quando a cultura está com baixo teor de matéria seca, pedações de folhas poderão se precipitar juntamente com os grãos. Estas folhas podem ser separadas manualmente após o Passo 5. Outra alternativa é secar parcialmente a amostra antes da separação. Isto pode ser feito de duas maneiras: 

i) Secar por dois minutos em um forno micro-ondas ou;
ii) O material pode ser espalhado sobre um plástico e colocado sob o sol.


• Se, após a drenagem da água presente no recipiente (Passo 5) ainda houver muita porção vegetativa misturada aos grãos, adicione um pouco de água novamente no recipiente, agite o conteúdo e rapidamente drene a água. Esta segunda separação auxiliará na separação das frações.

Figura 1.
Planta de milho picada em bacia com água. Foto: Shinners e Holmes (2013). 
silagem de milho

Figura 2. Cuidadosamente agite o material para ajudar os grãos afundarem até o fundo da bacia. Foto: Shinners e Holmes (2013). 
 
silagem de milho

Figura 3. Remova a fração fibrosa. Foto: Shinners e Holmes (2013). 
 
silagem de milho

Figura 4. Cuidadosamente drene a água para manter os grãos no recipiente. Foto: Shinners e Holmes (2013). 
 
silagem de milho
 
grãos silagem

Figura 5. Exemplo da separação da fração fibrosa e grãos usando a técnica da separação em água. Foto: Shinners e Holmes (2013). 

silagem de milho

Como faço para avaliar se o grau de processamento está adequado?

Após a separação, a avaliação do grau de processamento dos grãos é considerada subjetiva (visual). A presença de muitos grãos inteiros é indicação clara de um processamento inadequado. Se quase não há grãos inteiros, mas a maioria dos grãos está apenas cortado, rachado ou quebrado, então o processamento pode ser considerado razoável. Portanto, plantas de milho adequadamente processadas não devem apresentar grãos inteiros ou parcialmente quebrados. A Figura 6 mostra três tipos de processamento, com o material à direita sendo considerado adequado.

Figure 6. Grau de picagem dos grãos influenciados por três tipos de processamento. Somente a amostra da direita pode ser considerada adequadamente processada. Foto: Shinners e Holmes (2013). 

grãos de milho para silagem

O que pode ser feito quando o processamento dos grãos não está adequado?

Como no Brasil a colheita é realizada por máquinas com características bem distintas (as tracionadas por trator e as autopropelidas) as ações para melhorar o processamento dos grãos devem focar o tipo de colhedora. Para as tracionadas por trator é indicado verificar se a distância entre a contra-faca e as facas não sofreu alteração original. O distanciamento destes conjuntos pode ocorrer em equipamentos com prolongado tempo de uso. Somado a isso, as facas devem ser afiadas, no mínimo, duas vezes ao dia.

Outro ajuste a ser feito é a mudança de posição das engrenagens para reduzir o tamanho da partícula. Contudo, esteja atento para que as partículas não fiquem muito pequenas de modo que estas afetem a mastigação do animal. Para isso é necessário a consulta de um técnico em nutrição. Quando a colheita está sendo desempenhada por uma autopropelida, o processamento pode ser melhorado por meio do afiamento das facas e da regulagem da distância entre os rolos que são responsáveis pela quebra dos grãos. Observe também a velocidade à colhedora, pois a mesma pode afetar a qualidade da picagem, independentemente do modelo utilizado.

Existe outra maneira de avaliar o grau de processamento dos grãos na silagem de milho?

Um laboratório de análises bromatológicas pode realizar o ‘Kernel Processing Score’ (KPS; Mertens, 2005). O KPS define o tamanho de partículas do amido e pode ser utilizado para prever a digestibilidade deste carboidrato no rúmen e no trato gastrointestinal. O KPS analisa o tamanho de partícula do amido através da peneiração da amostra por um agitador. Uma peneira com crivos de 4,75 mm é quem define o grau de processamento. Este valor foi baseado no tamanho de um grão inteiro repartido em quatro partes.

O KPS é calculado da seguinte forma:

% de amido encontrado abaixo da peneira de 4,75 mm/
% de amido total na amostra

Na tabela 1 está descrito os valores sugeridos para uma silagem com processamento excelente, razoável e inadequado. O KPS é uma boa ferramenta analítica para avaliar o desempenho esperado dos animais que irão consumir a silagem de milho. Devido à maior complexibilidade e o tempo para a realização na análise, o mesmo tem aplicação limitada no ajuste em tempo real na colheita; desse modo, é uma ferramenta para avaliação do processamento mais indicado para silagem. Para o momento da colheita, a separação em água, indicada acima, ainda é o método mais indicado.

Tabela 1. Classificação do KPS de acordo com a % do amido abaixo da peneira de 4,75 mm em relação ao amido total.
milho para silagem - classificação kps

Referências bibliográficas

Mertens, D.R. 2005. Particle size, fragmentation index, and effective fiber: Tools for evaluating the physical attributes of corn silages. 4-State Dairy Nutrition and Management Conference, Dubuque, IA. Midwest Plan Service, Iowa State, Univ., Ames. Pages 211-220.

Shinners K. J. and Holmes B. J. 2013. Making Sure Your Kernel Processor Is Doing Its Job. Focus on forage. 15:1-3.




 

GUSTAVO SALVATI

Graduado em Zootecnia (UFLA), Mestrado em Nutrição de Bovinos Leiteiros (UFLA), Research Scholar (University of Wisconsin - Madison) e atualmente Doutorando no Programa de Pós Graduação em Ciência Animal e Pastagens (ESALQ)

THIAGO FERNANDES BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

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JOÃO VICTOR ROCHA

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 29/11/2016

Muito obrigado pela atenção!!
THIAGO FERNANDES BERNARDES

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 28/11/2016

Caro João,



Obrigado pelo teu comentário. Das 2 questões feitas, uma tem resposta, ou seja, a distância entre os rolos devem ficar entre 2 a 3 mm para que os grãos sejam quebrados e não haja comprometimento em termos de quantidade colhida por hora (rendimento da máquina) e consumo de combustível.

Em relação a velocidade do equipamento, isso é muito relativo. Vai depender da população de plantas, relevo, potência da colhedora e etc. O mais importante é fazer o teste que explicamos acima e garantir partícula e grãos bem picados.

Sucesso!



Att,



Thiago Bernardes