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Produção de forragens e o custo de produção da silagem de milho

POR JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

COWTECH

EM 09/03/2021

9 MIN DE LEITURA

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O planejamento da produção de forragens ou recursos forrageiros num sistema de produção de leite é de suma importância para a obtenção de bons índices produtivos e, consequentemente, financeiros.

Tão importante quanto realizar um correto dimensionamento entre a demanda por produção de alimentos volumosos e disponibilidade deste alimento é saber quantificar o seu custo de produção.

Realidade na prática 

Em nosso trabalho, é comum visitarmos propriedades com escassez de alimentos volumosos, principalmente, à partir do segundo semestre. À medida em que se aproxima uma nova safra ou novos plantios, muitos sistemas vão “minguando” ou até mesmo entrando em colapso por falta de planejamento correto entre oferta e demanda de recursos forrageiros.

Por mais que o conceito de “estacionalidade” de produção seja amplamente discutido e divulgado, ainda enfrentamos problemas com falta de volumosos, principalmente durante a seca. Nos casos mais drásticos, a situação produtiva da fazenda torna-se “inviável” ou mesmo desesperadora. Nestes casos, muitos produtores são obrigados a comprar forragem de fora, pagando preços elevados e onerando, significativamente, o custo de produção de leite.

São as típicas ocasiões em que ouvimos: “eu comprei uma roça...”. Em outros casos, perguntamos: “se a sua silagem acabou, como o Sr. está fazendo para alimentar seus animais, se estou vendo volumoso no cocho?”. Ouvimos, então, o clássico: “pois é, eu tenho um vizinho, ele tem um capãozinho de Napier e um pedacinho de cana... eu comprei dele...” .

Se você, leitor, já vivenciou ou testemunhou as consequências da falta de recursos forrageiros numa fazenda sabe, exatamente, do que estamos comentando. A pergunta que fazemos é: “quanto custa isso?!” Geralmente o pecuarista acredita que “resolveu o problema”, mas o custo dessa compra é muito maior do que o valor pago na aquisição de uma lavoura.

Alimentos volumosos costumam contribuir em parte expressiva da composição da dieta dos animais, perfazendo em, pelo menos, 40% do total consumido de matéria-seca, na maioria das dietas.

Em categorias menos exigentes, com menores requerimentos nutricionais, sua participação tende a ser maior ainda, sendo comum a inserção na magnitude de 50 a 70% do total de matéria-seca (MS) a ser ingerida (exemplo: vacas secas e recria).

Logo, se as forragens são tão importantes para a sustentabilidade e viabilidade financeira de um sistema de produção de leite (seja misto, a pasto ou confinamento), qual seria o motivo pelo qual sempre nos deparamos com a escassez deste ingrediente?

Se tivéssemos de resumir o maior desafio enfrentado em fazendas produtoras de leite, poderíamos citar dois principais aspectos:

  • Falta de volumoso (quantidade);
  • Baixa qualidade do volumoso oferecido

Vacas de leite são animais que respondem muito bem ao que chamamos de: rotina. Costumam adaptar-se, relativamente rápido ao manejo empregado: a hora do trato, o barulho do trator, funcionários, tipo de instalação em que estão alojadas, às companheiras de grupo (lote) e, principalmente, ao alimento (dieta) fornecido.

Alterações na dieta dos animais são extremamente indesejadas em sistemas de produção de leite. Em termos de manejo, nossos esforços devem ser direcionados para fornecer, sempre, a melhor dieta possível, no mesmo horário, com a mesma frequência (tratos), 365 dias ao ano, de maneira intermitente.

Quando este ciclo é quebrado, por algum motivo, a resposta no tanque de leite é imediata (queda de produção). Esta, por sua vez acontece por diferentes razões: falta de comida (ou excesso) ou por alterações na qualidade e quantidade de volumoso fornecido.

No dia-a-dia de propriedades produtoras de leite, é comum observarmos estas duas realidades: falta de alimento e/ou baixa qualidade do mesmo. Ambas costumam afetar o negócio do produtor, severamente, em “efeito cascata”.

O primeiro efeito direto que sentimos quando alteramos a qualidade ou quantidade de volumosos fornecido (ou dieta como um todo/formulação) é a queda de produção ou a impossibilidade de manutenção da produção constante (“efeito sanfona”).

Outros problemas indiretos acontecem, subsequentemente, como a baixa ingestão de matéria seca e perda de escore de condição corporal. São consequências inevitáveis quando o produtor fornece aos seus animais, volumosos suplementares alternativos, em detrimento ao planejado.

A queda de desempenho animal (ganho de peso ou produção de leite) traduzidas em perdas diretas e indiretas acabam, muitas vezes, não sendo contabilizadas e, geralmente, são subestimadas. As perdas indiretas acabam “minando” o negócio do produtor ou, no jargão popular: “comendo o produtor pelas pernas”.

Um exemplo clássico de perdas indiretas são as quedas nos índices reprodutivos: maior número de perdas embrionárias, de anestro, de dias em aberto, intervalo entre partos, entre outras possibilidades. Uma piora em índices reprodutivos promove um aumento na média de dias em lactação (DEL) e, consequentemente, uma menor média anual de produção.

Em outras palavras, resumindo a nossa conversa, se existe uma maneira eficiente de bagunçarmos ou acabarmos com a rotina de uma fazenda é trabalhar de forma inconsequente em relação ao planejamento da produção anual de alimentos volumosos.

Cuidados

A dica que oferecemos ao produtor é procurar investir seu tempo e capital na troca de conhecimento, procurando sempre compartilhar informações com profissionais experientes, capacitados e aptos a realizarem cálculos realistas e corretos envolvendo o planejamento da produção de alimentos (oferta x demanda). Para isso, o produtor deve ter sempre em mãos dados para gerar informações básicas como:

  • Número de animais em sua propriedade;
  • Distribuição do seu rebanho (número de animais por categoria).

O técnico responsável por este planejamento, por sua vez, deve ter conhecimento sobre a perspectiva em termos de evolução de rebanho (crescimento) e realizar o “casamento” da demanda com as condições reais de resposta no campo em termos de produção de alimentos.

Para isso, é necessário que este profissional tenha segurança no cálculo que realiza, além de escolher, corretamente, a(s) variedade(s) de sementes ou forrageiras mais adaptadas às condições de fertilidade do solo, manejo agronômico e clima da região em que a propriedade se encontra. Sem essa análise combinatória, as chances de surgirem erros tende a aumentar.

Podemos dizer, seguramente, que estas “peças” fazem parte de um conjunto de engrenagens, numa fazenda e que precisam estar “afinadas” e ajustadas. Fazendo analogia com o ditado da corrente: “Uma fazenda é constituída de elos. Uma possível ruptura sempre se dará no elo mais fraco. De nada adianta o técnico realizar adequado planejamento da produção de alimentos, no papel, se as condições de campo para colocar, em prática, o “planejado”, são adversas."

Um bom exemplo para este caso seria a indicação de um excelente híbrido de milho para ser plantado em solo de baixa fertilidade, não corrigido, com adubação incorreta e tratos culturais irregulares. Outro exemplo interessante seria realizar um teste alimentando seu rebanho com uma silagem com baixo teor de amido, alta % de FDN e baixa digestibilidade deste FDN e compare com o contrário: amido acima de 30%, % de FDN entre 42 a 46 e digestibilidade do mesmo a partir de 55%.

Compare a resposta em termos de produção, para uma mesma dieta. Na prática, em fazendas que assistimos, temos encontrado respostas na casa de 3 a 5 litros de leite/vaca/dia, adicionais. Considerando uma média de 4L de ganho, e uma remuneração de R$2,30/L, implicaria em R$9,20/vaca/dia ou R$3.358,00/vaca/ano de aumento de faturamento, em ganhos diretos (sem contar o indiretos como melhores condições em termos de sanidade e reprodução).

Volumoso barato: barato?!

Existe um conceito comum que diz o seguinte: “o produtor deve focar na produção de alimentos volumosos porque é a fonte mais barata de alimento que pode encontrar”. Pergunta: essa afirmativa é verdadeira? Depende. O conceito de barato é relativo.

Levo comigo uma frase que ouvi de um famoso produtor (que gosto muito): Qual é o volumoso mais caro? Resposta: É aquele que você não tem!!”.

Logo, conforme descrevemos na parte inicial deste artigo, a falta de alimento volumoso numa propriedade pode levá-la ao colapso. Quando isso acontece o pecuarista se vê obrigado a pagar “a preço de ouro” o famoso “volumoso que ele não tem!!”.

Ao conversamos com produtores, procuramos orientá-los a produzir sempre o melhor alimento volumoso, da melhor qualidade, com o maior grau de tecnologia possível. Por quê? A resposta é muito simples: ganho em produção de leite e redução de custos! Como exemplo neste artigo, abordaremos a famosa (e tão sempre desejada), silagem de milho! 

Custo de Produção da Silagem de Milho

Mediante todos os conceitos expostos, acima, discorreremos sobre o custo de produção da silagem de milho, justamente, por ser um volumoso muito usual e consagrado em diferentes sistemas de produção de leite.

Perguntas importantes a respeito da silagem 

  • O que é uma silagem cara?
  • O que é uma silagem barata?
  • Quanto custa produzir um hectare de milho?
  • Quanto é o custo de formação?
  • Quanto gastamos com tratos culturais?
  • Qual é o custo de corte, carregamento de transporte?
  • De que forma a colheita do milho pode impactar no custo final de produção?
  • A colheita com automotriz é inviável por ser muito cara ou aplicável somente para grandes produtores?

Temos uma infinidade de questionamentos que precisam ou devem ser respondidos antes de tomarmos uma decisão.

Abaixo apresentaremos uma planilha de custo de produção-padrão que costumamos utilizar nos levantamentos da Cowtech - Consultoria. Vale ressaltar que os preços de cada insumo podem variar, obviamente, de região para região. Este levantamento é referente à safra 2020-2021.

Um custo muito importante que deve ser computado e que muitas vezes não é considerado, por muitos produtores, é o custo operacional, ou seja, o valor que pagamos em termos de hora-máquina em cada operação que realizamos.

Para este quesito é possível encontrarmos variações, principalmente, por conta do preço pago no óleo diesel e demais custos computados para este cálculo. Nesta planilha, para custo operacional estamos computando as despesas com alojamento, seguros, combustível e reparo e manutenção dos conjuntos montados (trator + implemento). A área considerada, como exemplo, foi de 20ha.

Tabela 1 - Planilha de custos de produção 





Fonte: COWTECH-CONSULTORIA (Banco de Dados)

Acima, apresentamos os custos subdivididos em:

  • Formação;
  • Operacional;
  • Corte carregamento e transporte.

Para este último, três opções de composição de custos:

  • Colheita com automotriz;
  • Colheita com máquina acoplada a trator e transporte com caminhões;
  • Colheita com máquina acoplada a trator e transporte com carretas basculantes

Abaixo, o resumo da composição das três opções de custos: 


Fonte: COWTECH-CONSULTORIA (Banco de Dados)

Ao contrário do que muitos pensam, o a intensificação da colheita apresenta múltiplos benefícios e não representa aumento de custo, quando comparada com operações menos eficientes englobando: corte, carregamento e transporte da silagem.

O primeiro ganho é o menor custo por ha, em função do maior rendimento operacional. O segundo benefício muito importante a ser considerado é a melhoria em relação à qualidade do processamento da silagem.

Colhedeiras automotrizes proporcionam corte muito melhor e mais homogêneo do que colhedeiras acopladas a tratores (seja de uma ou duas linhas), além de possuírem dispositivo “cracker”, capaz de esmagar os grãos, aumentando a disponibilidade do amido, melhorando o padrão de fermentação da silagem e aproveitamento dos mesmos pelos animais.

O terceiro benefício ficaria por conta da agilidade da operação em si. Enquanto que numa operação com colhedeiras acopladas colhemos cerca de 7 ton/hora, com automotrizes temos rendimentos que variam de 55 a 75 ton/hora, dependendo da largura da plataforma de recolhimento.


Fonte: COWTECH-CONSULTORIA (Banco de Dados)

A tabela acima resume o custo de três sistemas combinados, em lavouras com mesma produtividade, porém com diferentes custos de corte, carregamento e transporte. O custo com colheita automotriz foi mais eficiente e mais barato na simulação apresentada e tem sido a orientação que temos dado aos nossos clientes, sempre que possível.

Sabemos que nem sempre é possível contarmos com a possibilidade de trabalharmos com automotrizes.

O primeiro fator limitante e, óbvio, envolve a indisponibilidade da colhedora atuando numa dada região (frente de corte, carregamento e transporte).

O segundo envolve o plantio em condições topográficas inviáveis para a colheita mecanizada com colhedoras de grande porte. Salvo estes impedimentos o pecuarista deve estar atento e realizar simulações sobre suas possibilidades reais, realizando levantamento de custo de produção (simulação) para a tomada de decisão.

A dica e cuidado é: contar sempre com a colaboração e trabalho de profissionais qualificados e experientes para o levantamento e planejamento adequado do trabalho.

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JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

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FELICIO MANOEL ARAUJO

LAJINHA - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 10/03/2021

Nota 10 para os idealizadores desta materia .
JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 10/03/2021

Prezado Felicio,

Agradecemos as considerações e comentários!

Um abraço!
EUTQUIANO BOTELHO AGUILAR

BETIM - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 09/03/2021

Sem duvida, é um fato que deve ser evitado por parte dos produtores. Presenciei o que foi narrado há algum tempo, sou agrônomo e zootecnista, e passando por uma estrada asfaltada, tinha um senhor de mais de sessenta anos colhendo capim nas suas margens, me aproximei e fui falar com ele, e ele me disse que a seca o havia pegado desprevenido, foi então que perguntei a sua idade. Quando ele me falou, disse -lhe, mas ainda nesta idade e produtor desde criança com bem informou o senhor, a seca ainda lhe pega desprevenido? A chuva faz o "produtor" esquecer da estação seca.
JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 10/03/2021

Prezado Eutiquiano,

Exato, procedem as suas observações. Bom trabalho e foco na orientação para evitarmos prejuízos com a falta de planejamento!

Abraços!
JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 09/03/2021

Prezado Eutiquiano, agradecemos o comentário e considerações.

Infelizmente a situação que descreveu acontece em alguns casos e não podemos permitir (teoricamente) que a situação chegue a esse ponto.

Por este motivo que apresentamos, sempre, a consultoria técnica de qualidade como um investimento barato frente os benefícios que pode proporcionar!
EUTIQUIANO BOTELHO AGUILAR

BETIM - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 09/03/2021

Tem outra coisa interessante quando falta comida, o produtor vai trabalhar para denit, ou seja começam a limpar as beiras de estradas, usando napier velho e sem nenhum valor como forragem.
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