Quais as novidades em criação de bezerras?
Sempre que retorno do principal congresso na área de bovinocultura leiteira (ADSA Meeting), o qual ocorre nos Estados Unidos, as pessoas me perguntam: e aí, muitas novidades? Pensando no nosso sistema de produção e criação de bezerras, e nos principais questionamentos de alguns produtores, alguns destaques podem ser feitos sobre os trabalhos apresentados.[...]
Publicado em: - 3 minutos de leitura
Um trabalho muito interessante tratou do efeito do fornecimento de leite descarte, de vacas tratadas com antibióticos, no padrão de resistência de E.coli (Maynou et al., 2015). Sabemos que muitos produtores ainda fornecem leite descarte para suas bezerras, não somente no Brasil mas também em outros países. Cinquenta e dois bezerros foram alimentados com leite descarte pasteurizado ou sucedâneo lácteo e foi feito estudo da resistência a 12 diferentes antibióticos em culturas de bactérias isoladas das fezes dos animais. Os testes de resistência foram realizados com fezes colhidas dos animais nos dias 0, 35 (aleitamento) e 56 (pós-desaleitamento) de idade. Bezerros aleitados com leite descarte pasteurizado tiveram maior probabilidade de apresentar resistência a três antibióticos: ampicilina, cefalotina e ceftiofur, nos dias 35 e 56. Mas, valores superiores a 55,5% dos isolados de E. coli foram resistentes a penicilina, perlimicina, eritromicina, tretraciclina e estreptomicina nos dois grupos. Assim, fornecer leite descarte para bezerros, mesmo que pasteurizado, pode desencadear a ocorrência de E. coli resistente no intestino de bezerros leiteiros.
O armazenamento de colostro em diferentes temperaturas foi motivo de estudo realizado por Cummins and Kennedy (2015). Sabe-se que o armazenamento de colostro > 4 ° C aumenta contagem total de bactérias (TBC), o que pode comprometer a transferência passiva de imunidade. O colostro foi colhido imediatamente após o parto, testado para a concentração de IgG , e então submetido a um de cinco tratamentos : (1) pasteurizado, (2) fornecido fresco, (3) armazenado a 4°C durante ≥48 h (geladeira), (4) armazenado a 13°C ≥48 h, e (5) armazenadas a 22 ° C ≥48 h . Os bezerros foram alimentados com 8,5% do seu peso ao nascer através de sonda esofágica em no máximo 2h após o nascimento. O colostro fornecido para cada bezerro foi testado CBT, sendo observado que somente o colostro pasteurizado (<9.000) e o fornecido fresco (68.000) apresentaram valores abaixo do nível recomendado de 100.000 ufc / mL, o restante foi acima de 2 milhões, com o armazenamento a 22°C resultando em contagens superiores a 1 bilhão. Colostro armazenado a 22°C apresentou a menor concentração de IgG (62 g / L), sendo a média de todos os tratamentos de 97g/L. A concentração sérica de IgG nos bezerros às 24 h foi semelhante para o colostro pasteurizado, fresco ou armazenado a 4°C, mas foi significativamente maior (P <0,05) do que o colostro armazenado a 13°C e 22°C por mais de 48h. Os autores concluem que colostro com alta contagem bacteriana reduz a absorção de IgG em bezerros. O colostro deve ser armazenado ≤ 4 ° C para minimizar o crescimento bacteriano.
e melhorar a subsequente transferência passiva de IgG. Este trabalho corrobora o trabalho apresentado no Radar Técnico passado, que tratou do efeito do aquecimento e da contagem bacteriana na absorção de IgG.
Outro trabalho muito interessante tratou da dieta de bezerros com até 12 semanas de vida, pensando em diferentes componentes e formas de apresentação. Os bezerros foram alojados individualmente e alimentados com uma das dietas: ração total à base de silagem (TMR); concentrado (CON); e feno picado e concentrado apresentado em duas maneiras: mista (MIX) ou separada (SEP). Os bezerros foram aleitados com 12L/d de sucedâneo acidificado até 38d, quando se iniciou o desaleitamento gradual, com redução de 1L/d. Assim, aos 50 dias os animais foram desaleitados. A partir do desaleitamento os bezerros nos tratamentos que não recebiam volumoso (CON e SEP) passaram a receber na forma mista (concentrado e feno picado misturados), enquanto os outros dois tratamentos se mantiveram da mesma forma. Os animais foram avaliados por mais 7 semanas. Durante o período de aleitamento (d 1-37) o ganho de peso foi semelhante para todos os tratamento (1,1 kg/d). Entretanto, os animais em TMR (silagem e concentrado) apresentaram menor ganho de peso durante o processo de desaleitamento (d 38-49; 0,2 vs. 0,7 kg / d; SE = 0,06; P <0,01) e no período pós-desaleitamento (d 50-84; 0,5 vs 1,2 kg / d; SE = 0,09; P <0,01). Este resultado está relacionado com o menor consumo de matéria seca de bezerros em TMR em comparação aos outros tratamentos durante o processo de desaleitamento (0,2 vs. 0,5 kg/d; SE = 0,07; P <0,01) e após o mesmo (1,8 vs. 2,8 kg / d; SE= 0,17; P <0,01). Quando se considera as diferenças no teor de matéria seca das dietas (TMR = 52%, outras dietas = 89%), a ingestão de matéria fresca foi similar (P ≥ 0,40) entre os tratamentos em todas as três fases. Interessante que os bezerros alimentados com TMR passaram mais tempo se alimentando após o desaleitamento quando comparados aos bezerros alimentados com os outros tratamentos (308 vs 194 min/d; SE = 16,0; P <0,001). Aparentemente, durante o processo de desaleitamento e a fase seguinte, os bezerros alimentados com TMR tentaram maximizar sua ingestão de nutrientes, aumentando o tempo de alimentando, mas não foram capazes de apresentar o mesmo consumo de nutrientes que nos outros tratamentos devido ao elevado teor de humidade da dieta, o que reduziu o desempenho animal.
Além desses trabalhos, muitos outros podem ser destacados. Vários trabalhos tratam da avaliação de novas formulações de sucedâneos, testando novos ingredientes. Muitos trabalhos também versaram sobre diferentes programas de aleitamento intensivo e seus efeitos no processo de desaleitamento, no desenvolvimento ruminal e no potencial de produção de leite. Ainda, muitos trabalhos mostraram efeitos de diferentes aditivos, normalmente utilizados para reduzir a ocorrência de diarreias.
Referências
Christine Cummins and Emer Kennedy. Effect of bacteria level in colostrum on dairy heifer serum IgG concentration. J. Anim. Sci. Vol. 93, Suppl. s3/J. Dairy Sci. Vol. 98, Suppl. 2.
Georgina Maynou, David Ziegler, Hugh Chester-Jones, Alex Bach, Marta Terré. Effect of feeding calves waste milk on antibiotic resistance patterns of fecal Escherichia coli. J. Anim. Sci. Vol. 93, Suppl. s3/J. Dairy Sci. Vol. 98, Suppl. 2.
Morgan A. Overvest, Renee Bergeron, Derek B. Haley, Trevor J. DeVries. Effect of feed type and presentation on feeding behavior, intake, and growth of dairy calves fed a high level of milk. J. Anim. Sci. Vol. 93, Suppl. s3/J. Dairy Sci. Vol. 98, Suppl. 2.
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DOURADOS - MATO GROSSO DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 11/09/2015
parabéns pela matéria, queria tirar umas duvidas com você, alimentação de bezerras:
Feno picado ou inteiro para ?
Feno puro ou misturado com concentrado ?
cocho separado para feno e concentrado ?
melhor feno para bezerras de tifton, coast cross, vaqueiro, estrela africana, aveia e alfafa ?
atenciosamente
Dirceu cornacioni
TEIXEIRA DE FREITAS - BAHIA - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 08/09/2015
Obrigado por compartilhar informações tão novas e valiosas conosco.

RIBEIRÃO PRETO - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 07/09/2015
Gostaria de saber qual o feno se é de gramineas ou de alfafa? Segundo gostaria se possivel de receber este trabalho ou em qual link esta disponivel. Achei muito interessante e gostaria de aprofundar um pouco mais neste trabalho de dietas.
att,
Luis

BOM DESPACHO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 03/09/2015