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Bezerreiro: tipos de instalações para bezerras leiteiras

POR CARLA MARIS MACHADO BITTAR

E JACKELINE THAIS DA SILVA

CARLA BITTAR

EM 06/01/2018

6 MIN DE LEITURA

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Atualizado em 17/12/2020

Bezerreiros são instalações ou alojamentos para bezerras – podendo ser individuais ou coletivos – e devem prover aos animais o mínimo de conforto térmico e físico, além de priorizar boas condições de higiene e sanidade.

Uma pesquisa realizada nos EUA em 2007 pelo National Animal Health Monitoring System (NAHMS, 2003), concluiu que a taxa média de mortalidade de bezerras até o desaleitamento foi de 8% em fazendas leiteiras naquele ano. Deste total, 56,5% foram devidas a diarreias intensas ou outros problemas digestivos; 22,5% foram causadas por problemas respiratórios e os demais 15% por outros motivos diversos.

Ainda neste mesmo levantamento, 12,5% e 18% de todos os animais em aleitamento foram tratados com antibiótico para controle de problemas respiratórios e diarreia respectivamente. Embora estas duas doenças tenham forte relação com falhas no programa de colostragem, estão também fortemente relacionadas com as instalações e o manejo das mesmas.

Por isso, um bom ambiente para criação de bezerras – bezerreiro – deve prover aos animais o mínimo de conforto térmico e físico, além de priorizar boas condições de higiene e sanidade.

Quatro requisitos fundamentais em bezerreiros:

  • Ventilação;
  • Isolamento;
  • Conforto;
  • Economia.

 

Bezerreiros pelo mundo

No mundo todo existem variadas formas de criação de bezerras em aleitamento – criação em abrigos individuais, baias coletivas ou individuais, construções fechadas ou abertas – variando de acordo com o local da exploração, o sistema de produção e, principalmente, o custo para sua construção.

Dentre estes sistemas de criação utilizados, os bezerreiros individuais tem se tornado uma das mais eficazes práticas de manejo e melhoria na sanidade dos animais durante a fase de aleitamento.

Este tipo de abrigo é largamente utilizado no mundo todo, sendo uma das mais populares opções de alojamento de bezerras, embora possa apresentar variações quanto ao seu formato, material e forma de construção. Nas propriedades leiteiras americanas o tipo de instalação para bezerras predominante é o abrigo individual, seguido pela criação em baias ou piquetes (Figura 1).


Figura 1. Exemplos de alojamento de bezerros em aleitamento nos Estados Unidos


Já no Uruguai, um país em crescente desenvolvimento da produção de leite, tem sido utilizada tanto a criação individual, em estacas ou baias, como também coletiva em piquetes (Figura 2).


Figura 2. Exemplos de alojamento de bezerros em aleitamento no Uruguai

 

Peculiaridades do Brasil

No Brasil, devido a grande variação no clima (temperatura e umidade), o alojamento de bezerros deve ser adaptado para as diferentes condições. Para as condições de clima subtropicais e tropicais, encontradas no Brasil, os efeitos de temperatura e umidade do ar são, muitas vezes, limitantes ao desenvolvimento dos animais, em razão do estresse térmico a eles associado.

Os efeitos do estresse por frio ou calor afetam os animais jovens com maior intensidade que animais adultos. Portanto, o conhecimento das condições básicas para proporcionar o melhor conforto aos animais afeta diretamente a maximização do desempenho, principalmente no período de aleitamento.

O uso de alojamentos com adequada ventilação é fundamental para a redução de problemas com a transmissão de agentes patogênicos, eliminação de odores, além da melhoria na umidade relativa do local, principal responsável pela ocorrência de problemas respiratórios nesta fase de vida do animal.

Como o sistema de criação adotado no Brasil geralmente abriga os animais em campo aberto, a preocupação com a remoção de gases e com o uso de equipamentos de ventilação torna-se desnecessária. Entretanto, a umidade das instalações, principalmente dos arredores, muitas vezes é negligenciada.

 

Tipos de bezerreiros

Outro ponto importante é que a instalação deve também promover a individualização os animais, reduzindo assim risco de infecção cruzada e a disseminação de doenças. Como a transmissão dos principais patógenos que causam doenças em bezerros é do tipo oral-fecal, seja através do contato entre animais ou uso de utensílios (baldes, cochos) com limpeza inadequada, a individualização entre os animais é considerado um dos princípios fundamentais de um bom sistema de criação.

Trabalhos de pesquisa mostraram que animais em aleitamento criados em abrigos individuais apresentaram menor incidência de diarreias e microrganismos dos gêneros CryptosporidiumEimeria e rotavírus nas fezes, quando comparados com animais alojados em baias coletivas. A individualização dos animais também facilita a alimentação, evitando problemas com dominância, e permite um controle mais rígido do consumo individual, tanto de concentrado quanto de água, e da saúde do animal.

No entanto, devido a crescente preocupação com bem-estar animal, tem-se sugerido a criação em lotes, o que permitiria a manifestação de comportamentos lúdicos. Além disso, existe a crença de que este tipo de criação demanda menos mão de obra, que não ocorre normalmente.

Um problema deste tipo de criação é a falta de controle individual de concentrado e também de leite, já que os animais são alimentados coletivamente. Quando os lotes não são bastante homogêneos ocorrem variações no ganho de peso individual, aumentando ainda mais a diferença de peso e altura entre animais de um mesmo lote.

Para resolver este problema, existe a alternativa de criação de bezerros em lotes, mas com aleitamento individual. Este tipo de criação permite controle individual de consumo de dieta líquida e também pode auxiliar na redução da mamada-cruzada ou não-nutritiva, muito comum em animais aleitados coletivamente e que aumentam problemas de umbigo e também de tetos perdidos. Nestes sistemas, podem ser utilizadas estruturas que individualizam os animais, canzis ou mesmo aleitadores automáticos (Figura 3).


Figura 3. Criação em lotes com aleitamento individual.


Atualmente, o modelo de alojamento mais difundido no Brasil é o de abrigos individuais (Figura 4), que ganharam popularidade por seu custo inferior à construção de barracões, mas principalmente por serem bastante eficazes no controle de doenças, especialmente as respiratórias e diarreias. Quando bem manejadas, permitem o atendimento aos princípios básicos de um adequado sistema de criação de animais em aleitamento.

ambiente seco é obtido através do posicionamento das casinhas em campo bem drenado, adequadamente coberto com forragem ou cama, sendo o sol um grande auxiliador no controle da umidade; além disso, a movimentação regular das casinhas não permite a formação de barro ou acúmulo de umidade.

No entanto, em épocas de muita chuva podem reduzir sua eficiência, principalmente durante o inverno uma vez que os animais permanecem molhados e em baixas temperaturas durante muito tempo.


Figura 4. Exemplos de abrigos individuais utilizados no Brasil.

Este tipo de sistema é de fácil construção, totalmente aberta, para uso em ambientes tropicais. Também é leve, o que permite mudanças frequentes de locais de modo a oferecer ao bezerro um local sempre limpo e seco para se deitar. O telhado geralmente é feito de duas folhas de zinco espaçadas que funcionam como isolante térmico, diminuindo a incidência de calor.

Neste tipo de alojamento a contenção das bezerras é feita através de coleiras fixadas ao chão por grampos. Isto permite a movimentação da bezerra ao redor da casinha, acompanhando a projeção da sombra da mesma de acordo com a movimentação do sol.

Dessa forma, a utilização de bezerreiros, casinhas ou abrigos individuais para criação de bezerras em aleitamento é uma importante alternativa para os bezerreiros tradicionais, pois além dos animais apresentarem menores problemas sanitários, aspectos importantes em relação ao conforto térmico podem ser conseguidos, otimizando o desempenho dos animais durante esta fase de produção.

Trecho de texto publicado no V Sul Leite - Simpósio sobre Sustentabilidade da Pecuária Leiteira na Região Sul do Brasil, que ocorreu em Maringá entre os dias 4 e 6 de outubro de 2012.

Para entender tudo sobre cria e recria de bezerras, acesse a coluna da Profa. Carla Bittar.

CARLA MARIS MACHADO BITTAR

Prof. Do Depto. de Zootecnia, ESALQ/USP

JACKELINE THAIS DA SILVA

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