Tripanosomose bovina: entenda mais sobre a doença que causa grandes impactos na pecuária leiteira

Hemoprotozoário causa anemia, perda de peso, queda na produção de leite, abortos, problemas reprodutivos, alterações neurológicas e mortes.

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Hemoprotozoário causa anemia, perda de peso, queda na produção de leite, abortos, problemas reprodutivos, alterações neurológicas e mortes

Originário da África, o Trypanosoma é responsável por gerar sérios prejuízos econômicos à pecuária mundial. No Brasil, a espécie Trypanosoma vivax é considerada a de maior relevância para os bovinos.

O Trypanosoma vivax é um hemoprotozoário causa nos animais infectados anemia, perda de peso, queda na produção de leite, problemas reprodutivos, abortos, alterações neurológicas e mortes. Altamente debilitante para o sistema imunológico dos bovinos, a tripanosomose provoca imunossupressão, o que favorece o surgimento de outras patologias.

Figura 1

Qualquer equipamento ou material que possa levar sangue contaminado de um animal para outro, pode favorecer a infecção. A forma mais comum de transmissão dentro do rebanho é o compartilhamento de seringas e agulhas durante o uso de medicamentos. Moscas hematófagas, como a mosca dos estábulos (Stomoxys calcitrans)e a mutuca (Tabanus sp) e a mosca do chifre (Haematobia irritans), também estão envolvidas na transmissão do T. vivax.

O comércio de animais infectados é outra medida que estimula a rápida disseminação do T.vivax. Essa é uma estratégia adotada por alguns produtores quando encontram o problema no rebanho, vender os animais positivos ao invés de tratá-los. Propiciando assim, a entrada do parasita em outras fazendas e aumentando o impacto da doença, pois a doença sempre se mostra mais severa em rebanhos que ainda não apresentaram contato com o T. vivax.

Os produtores devem investir em um programa de controle biológico adequado dos vetores de transmissão para evitar proliferação da tripanosomose. Outra medida importante é manter os animais recém adquiridos isolados, para que sejam examinados e em casos positivos, os bovinos devem ser tratados antes de serem introduzidos no rebanho.

O curso clínico da doença é dividido em duas fases distintas: aguda e crônica. O diagnóstico é mais fácil na etapa inicial da doença, pois neste momento há muitos parasitas circulantes no sangue, porém essa é uma etapa que dura em média 21 dias. Passando esse período, fica cada vez mais difícil encontrar o T.vivax, pois a parasitemia se torna cada vez mais baixa.  Além disso, as alterações clínicas que o parasita causa são facilmente confundidas com outras doenças, entre elas a tristeza parasitária bovina, o que causa na demora do reconhecimento da doença pelos produtores e aumenta substancialmente seus impactos sobre o rebanho infectado.

O diagnóstico diferencial da tripanosomose pode ser feito, na fase inicial da doença, através do teste de Woo ou com exame de sangue fresco entre lâminas. Quando há baixa parasitemia, é recomendado a realização de testes indiretos que buscam a resposta do hospedeiro em contato com o parasita, para esses casos o indicado são os testes RIFI ou Elisa.

Figura 2

O ideal é que o veterinário busque exames como o método parasitológico, sorologia ou provas moleculares, combinados, fazendo sempre uma associação entre os dois, pois nem sempre resultados negativos em um teste indiquem que o animal esteja livre da doença.  O indicado é sempre realizar exames sorológicos iniciais e determinar qual a porcentagem do rebanho teve contato com o T.vivax, pois o hemoparasita dissemina-se rapidamente no rebanho.

Os animais infectados poderão apresentar insuficiência cardíaca e renal, além de graves danos hepáticos e cerebrais. Muitas vezes o quadro anêmico é tão severo que não pode ser eficientemente revertido e os animais morrem abruptamente. É comum também que os animais recém paridos deixem de produzir leite de forma súbita.  Vale ressaltar que o impacto financeiro da tripanosomose bovina é complexo e a retorno aos índices produtivos anteriores é lento em alguns animais

O programa de tratamento da doença deve ser baseado no diagnóstico e monitoramento dos animais infectados, durante pelo menos um ano. O uso do isometamidium (nome comercial Vivedium) é o mais indicado, a posologia irá depender de cada rebanho e deverá ser feita com critérios técnicos bem definidos, como por exemplo respeitar as datas de aplicação do medicamento.  A doença tem cura, mas a vigília deve ser constante. É recomendado o tratamento de todo o rebanho, pois alguns animais podem não apresentar clínica evidente e reinfectar o rebanho futuramente.

Texto baseado em entrevista realizada com o Prof. Dr. Fabiano Antonio Cadioli.

Para saber mais, entre em contato pelo box abaixo:

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Ceva Saúde Animal

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Mário Silvio G. Silva
MÁRIO SILVIO G. SILVA

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/08/2018

Como será a rotina de um rebanho diagnosticado positivo para o parasita em questão?
Teremos de gastar com o medicamento a cada 4 meses pro resto da vida?
Ceva Saúde Animal
CEVA SAÚDE ANIMAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 07/08/2018

Olá, Mário.

Obrigado pelo contato.

Os fatores epidemiológicos e nível de exposição do rebanho devem ser levados em conta durante o período pós-protocolo de tratamento com o vivedium.

Obviamente, o isometamidium é uma droga específica e curativa para tripanosomose bovina e vai também prevenir recontaminação do animal por cerca de 3 a 4 meses dependendo do desafio a campo. Após esse período de cobertura da droga, o animal pode se recontaminar; porém dependerá do nível de exposição do rebanho às moscas picadoras e ações de biosegurança como o uso compartilhado de agulhas e compra de animais sem conhecimento do histórico sanitário.
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Caso o rebanho esteja localizado em áreas endêmicas, a avaliação deverá ser contínua para reconhecer de forma pró-ativa possíveis recidivas e sinais clínicos o mais rápido possível, associado aos exames específicos para identificação do parasito.

Existem muitos rebanhos que conseguem controlar a tripanosomose após o protocolo de tratamento com vivedium somado aos cuidados para evitar a entrada da doença. Porém, rebanhos com menor controle sanitário devem sim considerar o re-tratamento do rebanho quando necessário.

Abraço

Equipe Ceva Saúde Animal
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