As glândulas mamárias são glândulas acessórias de origem epidérmicas que tem como função a produção de alimento (leite) para as jovens crias dos mamíferos. O aleitamento é uma parte importante da estratégia evolutiva de todos os mamíferos, que por nascerem imaturos são incapazes de obter seu próprio alimento, de modo que exigem cuidados especiais de suas mães por algum tempo.
Uma vez nascido, o neonato mamífero é totalmente dependente da mãe, que o alimenta através do leite mantendo sua sobrevivência. O leite proporciona uma fonte equilibrada de nutrientes para os jovens, bem como uma gama de fatores protetores.
Mamogênese refere-se ao processo de desenvolvimento estrutural (crescimento) da glândula mamária. Lactogênese é o processo pelo qual a glândula mamária passa no final da gravidez e que da início à secreção de leite. O processo de secreção consiste na síntese do leite pelas células epiteliais mamárias, e a sua passagem a partir da célula epitelial para o lúmen alveolar. A remoção do leite é um processo passivo através de cisternas, depois da sua ejeção do lúmen alveolar.
Os processos combinados de secreção e remoção de leite é a lactação. Uma vez que a lactação está estabelecida pelo processo de Lactogênese, ela deve ser mantida. Galactopoiese é o processo pelo qual a lactação é mantida.
O leite é o produto segregado pela glândula durante a lactação, é composto por água, caseína, lactose, gorduras, minerais e vitaminas e sua composição varia entre as espécies, raças dentro de uma espécie, estágio de lactação, mesmo durante a ordenha. O colostro é o termo utilizado para a primeira a secreção a partir da glândula mamária após o parto. O colostro tem geralmente concentrações mais elevadas de imunoglobulinas (anticorpos) do que o leite maduro e sua função é proteger a bezerra nas primeiras semanas de vida.
Anatomia da Glândula Mamária da Vaca
O úbere é um órgão preparado para a produção de leite e de fácil acesso ao bezerro recém-nascido. Ele está suspenso externamente à parede posterior do abdômen e suportado por ligamentos, portanto, não está restrito, apoiado ou protegido por nenhuma estrutura óssea.
O úbere de uma vaca é composto por quatro glândulas mamárias ou quartos. Cada quarto é uma entidade funcional própria que opera independentemente e secreta o leite por seu próprio teto, não tendo ligação interna nenhuma. Geralmente, os quartos traseiros são levemente mais desenvolvidos e produzem mais leite (60%) do que os quartos dianteiros (40 % ).
O tecido secretor no úbere está organizado em lobos, com cada lobo constituído de muitos lóbulos.
Lóbulo - É a unidade estrutural fundamental, se desenvolve durante o final da gestação. É formada por aglomerados de 150-220 alvéolos.
Alvéolos - O alvéolo é uma unidade funcional de produção onde uma única camada de células secretoras de leite está agrupada numa esfera com um centro oco. O alvéolo é circundado por capilares sanguíneos e células mioepiteliais (como células musculares), o leite secretado é encontrado na cavidade interna (lúmen). As funções dos alvéolos são:
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Remover nutrientes do sangue;
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Transformar esses nutrientes em leite;
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Descarregar o leite dentro do lúmen.
O caminho do leite produzido
O leite é produzido nas células secretoras dos alvéolos e após a contração do alvéolo pela ação das células musculares contráteis, ainda dentro do lóbulo, é drenado por um ducto comum - ductos alveolares. E assim acontece em cada lóbulo. Como os lóbulos são organizados em unidades maiores - os lobos. Estes liberam o leite em ductos coletores maiores que levam à cisterna da glândula que fica diretamente acima do teto da glândula. O úbere é, portanto, composto por bilhões de alvéolos onde o leite é secretado. Os ductos formam canais de drenagem onde leite se acumula entre as ordenhas.
Entretanto, isto ocorre somente quando as células mioepiteliais que recobrem os alvéolos e os ductos menores contraem em resposta ao hormônio ocitocina, que promove o reflexo da descida do leite, para que o leite flua para dentro da cisterna da glândula.
O teto forma a última passagem por onde o leite pode sair da glândula e chegar ao meio ambiente. Ele é coberto por uma pele lisa e um rico suprimento de sangue e nervos. Na sua parte superior, o teto é separado da cisterna da glândula por uma série de dobras de células sensitivas particularmente vulneráveis à danificação.
A sua extremidade inferior mantém-se fechada por um anel de musculatura lisa ou esfíncter, denominado canal do teto. Essas dobras de tecido também são encontradas na outra extremidade do teto diretamente acima do canal do teto (roseta de Furstenburg). O teto é, portanto, projetado como uma barreira efetiva às bactérias invasoras.
A preservação da estrutura normal do teto é essencial para manutenção do mecanismo natural de defesa contra bactérias causadoras de mastite. Diferenças na estrutura do teto, particularmente de diâmetro e comprimento, estão relacionadas à suscetibilidade à infecção.
Como um mecanismo importante de proteção a entrada de bactérias temos a queratina, que é uma substância produzida pelas células que revestem o canal do teto e serve como uma vedação temporária entre as ordenhas e um tampão mais permanente durante todo o período seco.
A queratina funciona como uma barreira física, sendo capaz de imobilizar a maioria das cepas de bactérias não encapsuladas. Além disso, alguns componentes da queratina possuem atividade bactericida, embora a sua eficiência seja limitada contra as bactérias causadoras de mastite. Os agentes antimicrobianos, como os ácidos graxos esterificados e não esterificados (mirístico, palmitoléico e linoléico) da queratina possuem efeito bacteriostático, e outros componentes como proteínas catiônicas também corroboram com a proteção da glândula mamária devido ao seu efeito bactericida. Essas últimas se ligam eletrostaticamente aos patógenos da mastite, alterando suas paredes celulares tornando-os suscetíveis à pressão osmótica do meio.
Logo após os procedimentos de secagem, sobretudo o realizado de forma abrupta, que é hoje o manejo mais comum, coloca a vaca em risco. O acúmulo de leite, principalmente naqueles animais que secaram com produção elevadas, leva a um aumento de pressão dentro do úbere, que quando supera a força de contração do esfíncter do teto, ocorre o vazamento de leite, além de todo o desconforto e estresse provocado pela dor.
Neste momento, há ainda o desprendimento do tampão (plug) de queratina deixando uma porta de entrada para bactérias que poderão ser responsáveis por Novas Infecções Intramamária (NIIM).
O melhor seria ter uma ferramenta terapêutica que esvaziasse o úbere rapidamente evitando todo este transtorno, facilitando o manejo, elevando a saúde do úbere e oferecendo bem-estar ao animal. Essa ferramenta existe e é o Velactis, o primeiro facilitador de secagem para vacas leiteiras, que aplicado no dia da secagem promove uma série de benefícios, tanto para as vacas quanto para os produtores de leite.