A duração ideal do período seco entre as lactações de vacas leiteiras tem sido objeto de debate desde o início do século XIX (1800 a 1899) (Dix Arnold e Becker, 1936). Durante esse período, alguns produtores ingleses acreditavam que um período seco de dois meses era ideal, enquanto outros consideravam duas semanas suficientes. Não havia consenso científico, e as práticas variavam amplamente com base na experiência empírica dos fazendeiros. A falta de dados experimentais limitava o entendimento, mas já se reconhecia que um descanso antes do parto poderia melhorar a produção subsequente.
Origem histórica do período seco de 60 dias
Mais de um século depois, já durante a Segunda Guerra Mundial, o período seco de 60 dias foi adotado com uma duração ideal para maximizar a produção de leite para suprir a escassez de alimentos da época devido ao conflito e levou à adoção do tradicional período seco de 60 dias que conhecemos hoje como prática padrão.
Estudos da época indicaram que essa duração otimizava o equilíbrio entre a perda de renda durante o período seco e a produção de leite na lactação seguinte, além de promover progresso genético. A involução da glândula mamária e a proliferação de células secretoras foram identificadas como processos-chave que justificavam esse período de descanso.
Desde então, o período seco de 60 dias tem sido mantido como o que melhor equilibra a perda de renda com o leite durante o período seco e os níveis de produção alcançados na lactação seguinte.
Atualmente, um grande número de fazendas leiteiras nos Estados Unidos utiliza um período seco de 60 dias ou mais (USDA, 2002), assim como em todo o mundo.
Com o avanço da ciência animal nas décadas de 50 e 60, a fisiologia da glândula mamária durante o período seco começou a ser melhor compreendida. Pesquisas demonstraram que o período seco é composto por três fases:
- involução ativa (primeiras 3-4 semanas),
- involução constante (intermediária)
- Colostrogênese (próxima ao parto).
Durante a involução constante, a concentração de Lactoferrina e anticorpos está bem aumentada, reduzindo a suscetibilidade a novas infecções. Neste cenário e com esses conhecimentos reforçava-se a importância do período seco de 60 dias para a saúde mamária.
Novas demandas produtivas desafiam o padrão de 60 dias
No entanto, muitas mudanças ocorreram desde a adoção desse padrão, incluindo um aumento de produção de leite por lactação, maior ênfase em lucros, progresso genético acelerado por inseminação artificial e transferência de embriões, aumento da frequência de ordenha, alteração de manejo de fotoperíodo e adoção da somatotropina bovina (bST) (Annen et al., 2004c). Essas novas estratégias e mudanças justificaram uma reavaliação da duração ideal do período seco para vacas leiteiras de alta produção, o que tem sido muito discutido nos últimos anos.
Na década de 90, a introdução da somatotropina bovina (bST) e o aumento da frequência de ordenha (de 2x para 3x ao dia) elevaram significativamente a produção de leite, levando à reavaliação do período seco. Estudos começaram a explorar períodos secos mais curtos (30-40 dias) em vacas multíparas, sugerindo que, com bST, a produção poderia ser mantida. No entanto, vacas primíparas ainda requeriam mais algum tempo (60 dias) para o desenvolvimento completo do úbere. (Annen et al., 2004, Journal of Dairy Science).
Já no século XXI, no início dos anos 2000, os avanços genéticos resultaram em vacas com produções médias de 5.000 kg a mais por lactação em comparação com as décadas anteriores, pressionando uma vez mais a reavaliação do período seco de 60 dias. Pesquisas indicaram que períodos secos de 30-40 dias em vacas multíparas não reduziam significativamente a produção de leite, especialmente com suplementação de bST, mas períodos inferiores a 40 dias em primíparas levavam a perdas de até 225 kg de leite na lactação seguinte. A hipótese nutricional sugeria que períodos secos curtos poderiam limitar a reposição de reservas corporais, enquanto hipóteses hormonais e celulares apontavam para diferenças na renovação de células epiteliais mamárias. (van Knegsel et al., 2013, citado em; Rastani et al., 2005, Journal of Dairy Science, citado em; Annen et al., 2004).
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Referências bibliográficas
An integrated view on how the management of the dry period length of lactating cows could affect mammary biology and defence. A. Pezeshki, A. V. Capuco, B. De Spiegeleer, L. Peelman, M. Stevens, R. J. Collier e C. Burvenich. Journal of Animal Physiology and Animal Nutrition 94 (2010) e7–e30.
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