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Como diferenciar a tristeza parasitária da tripanosomose bovina?

POR BEATRIZ ORTOLANI

CEVA: JUNTOS, ALÉM DA SAÚDE ANIMAL

EM 14/06/2018

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Com sintomatologia similar, o diagnóstico diferencial entre essas enfermidades é um dos maiores desafios enfrentados no campo

A tristeza parasitária bovina (TPB) e a tripanosomose são causadas por hemoparasitas presentes na corrente sanguínea e nas hemácias.  Os agentes causadores dessas enfermidades são distintos. A tristeza parasitária bovina, conhecida também como piroplasmose, é classicamente causada pela Babesia (B. bigemina ou bovis, ambos protozoários intracelulares) e Anaplasma (A. marginale, uma rickettsia intracelular). Já a tripanosomose bovina tem como agente o Tripanosoma (T.vivax, um protozoário extracelular).

No campo, o diagnóstico diferencial entre as doenças é difícil, pois muitos dos sintomas clínicos manifestados pelos bovinos são comuns em ambas as enfermidades. Entre os sinais similares estão: febre, anemia, lacrimejamento, diarreia, inapetência, apatia, perda de peso, queda na produção de leite, redução da eficiência reprodutiva, aumento de abortos, quadros com sintomatologia nervosa, que podem se assemelhar, inclusive, aos sintomas da raiva em bovinos, entre outros. Em casos graves, o quadro clínico normalmente evolui para o óbito do animal.

Além disso, os estudos necroscópicos realizados em bovinos são bastante similares e comumente incluem icterícia, anemia, aumento de volume do fígado (hepatomegalia) e baço (esplenomegalia), edema pulmonar e hemorragias na superfície do cérebro.

Outro problema relacionado à diferenciação é a ampla difusão dessas parasitoses que estão presentes em todo o território nacional, sendo que todos os estados brasileiros têm registrado casos das doenças, inclusive com diversas áreas endêmicas espalhadas pelo país.

A similaridade na sintomatologia da tristeza parasitária e tripanosomose é tanta, que alguns pesquisadores sugerem que a definição de TPB deve englobar o Tripanosoma, junto à Babesia e Anaplasma, como um dos agentes causadores dessa doença. Porém, essa mudança ainda é foco de discussão entre os especialistas, e não existe uma unanimidade sobre a classificação mais abrangente.

Obviamente, alguns achados clínicos relacionados à tripanosomose são mais específicos e incluem sinais característicos da doença, como opacidade ocular discreta, que pode evoluir para um aspecto clínico ulcerativo similar à cerato-conjuntivite, perda de peso, quedas produtivas mais rápidas e acentuadas,  presença de animais com artrites, orquites, graves surtos de abortos, aumento de linfonodos, e como o Tripanosoma não causa lise de hemácias, – diferentemente do complexo Babesia e Anaplasma – animais acometidos pela enfermidade raramente têm urina escura (hemoglobinúria). Além disso, no Brasil, os surtos de tripanosomose têm apresentando gravidade e causado a perda de animais em proporções maiores que os casos de tristeza parasitária.

De qualquer forma, é muito difícil diferenciar a TPB clássica (babesiose + anaplasmose) da tripanosomose, em termos de diagnóstico clínico a campo. Por isso, a utilização de exames laboratoriais é imprescindível para confirmar o tipo de micro-organismo responsável pelo quadro anêmico. Para o diagnóstico da tripanosomose é recomendada a utilização de métodos sorológicos (RIFI e ELISA) ou moleculares (PCR), por conta da baixa sensibilidade dos exames microscópicos diretos, como teste de gota espessa e de Woo.

Os veterinários e o produtores, normalmente, começam a suspeitar da contaminação por tripanosomose quando casos inicialmente diagnosticados como tristeza parasitária e tratados com drogas específicas para Babesia (diminazeno ou imidocarbe) e Anaplasma (tetraciclinas, oxitetraciclinas ou enrofloxacinas), apresentam uma certa melhora nos sintomas e posteriormente, em cerca de 2 a 3 semanas, os animais voltam a ter sinais clínicos agudos e vão à óbito rapidamente. Por isso, o diagnóstico diferencial entre as doenças é importante para que o rebanho seja tratado adequadamente.

Apesar das similaridades existentes e da possibilidade da inclusão do Tripanosoma na tríade causadora da tristeza parasitária bovina, é importante esclarecer que as formas de contaminação mais comuns e o tratamento destes patógenos são diferentes.

No caso da tripanosomose, as principais fontes de transmissão incluem, principalmente, a presença de mosquitos hematófagos e o uso compartilhado de agulhas no rebanho, durante a aplicação de ocitocina na ordenha ou em vacinações massivas. Já no caso de contaminação por Babesia e Anaplasma, o carrapato é o principal agente transmissor. Porém, ambas podem ser transmitidas de forma transplacentária, e esse fator deve ser levado em conta durante a implementação de programas de controle dessas enfermidades.

Quanto ao tratamento, a droga específica para o combate da tripanosomose é o isometamidium (nome comercial Vivedium) e segundo diversos estudos nacionais e internacionais, o diminazeno e imidocarb não são efetivos contra o Tripanosoma e apenas diminuem o nível de parasitemia de forma transitória. Da mesma forma, o isometamidium não é efetivo contra a babesiose, sendo recomendado nesse caso o uso de diminazeno. Por sua vez, a Anaplasma deve ser tratada com oxitetraciclinas ou enrofloxacinas, que tendem a ser drogas bastante eficazes. Portanto, conhecer o agente causador da doença é fundamental para o tratamento correto. 

Para saber mais, entre em contato pelo box abaixo:

BEATRIZ ORTOLANI

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VALTER SURKAMP

CANOINHAS - SANTA CATARINA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 04/11/2019

Normalmente da Tristeza parasitaria não temos diarréia e sim fezes ressecadas parecidas com fezes de equinos e escurecidas pela bile
ANTÔNIO CARLOS L. LAZZARINI

GUAÇUÍ - ESPÍRITO SANTO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 21/07/2019

Sou médico veterinário, consultor autônomo ( vetmedica) , produtor de leite, fabricante de sal mineral e rações (boviplan) , tenho tido casos (?) De babesia (?) Não resolvido, levando suspeitar se de tripanossoniase , mas onde fazer testes laboratoriais por Elisa?
BEATRIZ ORTOLANI

RIO DAS PEDRAS - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 23/07/2019

Olá, Antonio.
Agradecemos o contato. Os laboratórios Imunodot, em Jaboticabal e a FAZU em Uberada fazem sorologia para T.Vivax.
Abraço
ANTÔNIO CARLOS L. LAZZARINI

GUAÇUÍ - ESPÍRITO SANTO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 21/07/2019

Onde realizar o teste Elisa para tripanossomose?
BEATRIZ ORTOLANI

RIO DAS PEDRAS - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 23/07/2019

Olá, Antonio.
Agradecemos o contato. Os laboratórios Imunodot, em Jaboticabal e a FAZU em Uberada fazem sorologia para T.Vivax.
Abraço
ODERMAN OLIVEIRA LIMA

ITAPETINGA - BAHIA - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 16/07/2018

Ótimo artigo. Muito esclarecedor. Tirou muitas dúvidas que eu tinha sobre essa doença.
BEATRIZ ORTOLANI

RIO DAS PEDRAS - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 16/07/2018

Olá, Oderman!

Que bom que gostou! =)

Se precisar de qualquer ajuda, entre em contato!

Obrigada

Abraço

Bia Ortolani - Gerente de linha de produto - Pecuária leiteira, Ceva Saúde Animal
AMANDA LUIZA GROFF

EM 09/07/2018

No fim das contas, o que é realmente viável é o diagnóstico terapêutico... Se tratar para tristeza e não resolver, se entra com a medicação para o tripanossoma.
BEATRIZ ORTOLANI

RIO DAS PEDRAS - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 13/07/2018

Oi, Amanda!

Obrigada por entrar em contato.

O problema de fazer o diagnóstico terapêutico é que você somente vai utilizar o isometamidium (Vivedium) em animais doentes e essa não é uma estratégia eficaz para o controle do tripanosoma. A doença em questão é uma enfermidade de rebanho e a recomendação dos especialistas que trabalham com o tripanosoma no Brasil, Venezuela, e África é de tratar todos os animais: de mamando a caducando.

Abraço

Bia Ortolani, gerente de produto linha leite da Ceva Saúde Animal
JOSÉ CARLOS SEGANFREDO

SÃO JOÃO - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/06/2018

Boa tarde, me deparei com casos similares na patogenia em alguns animais da mesma propriedade, encaminhei amostras para exame laboratorial, o problema é a que os correios pediram no mínimo sete dias para a entrega, chegou no laboratório em menos de 72 hrs, mas mesmo acondicionado em gelo, isopor, amostras congeladas o laboratório se negou a realizar o exame. Escrever um artigo e solicitar os exames é bem simples, o problema está na aplicabilidade disso, como sempre teoria é fácil, porém ter um laboratório de apoio em uma região onde fica praticamente impossível a logística é no mínimo uma incoerência e falta de visão estratégica da empresa.
BEATRIZ ORTOLANI

RIO DAS PEDRAS - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 28/06/2018

Olá, José Carlos.

Obrigada pelo contato.

Entendemos a dificuldade e por isso colocaremos a nossa equipe da região para lhe suportar no que for necessário. Estamos fazendo esses exames de forma constante e podemos ajudar.

Abraço
ANTÔNIO CARLOS L. LAZZARINI

GUAÇUÍ - ESPÍRITO SANTO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 21/07/2019

Faço minha as palavras do parceiro
ÉVERTON STORCH

EM 25/06/2018

Olá. Em casos a campo sem possibilidade de um diagnóstico rápido de diferenciação entre as enfermidades, o uso do Vivediun pode ser associado ao tratamento padrão da TPB? Ou o uso combinado pode resultar em uma toxicidade ao animal ?
BEATRIZ ORTOLANI

RIO DAS PEDRAS - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 26/06/2018

Olá, Éverton.

Obrigada pelo contato.

Devido a possibilidade de sobrecarga hepática, em casos de comorbidades como a tristeza parasitária, se recomenda o uso de tratamento específico para babesia e anaplasma (Vivazene) 2 semanas antes do início do protocolo de tratamento de tripanosomose com o isometamidium (Vivedium).

Abraço

Bia Ortolani - gerente de linha de produtos leite
RAFAEL MEDINA

BOA VISTA - RORAIMA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 19/06/2018

Excelente.
ELIEZER FURTADO DE CARVALHO

GOIÂNIA - GOIÁS - PESQUISA/ENSINO

EM 18/06/2018

Qual o nome comercial do Isometamidium ?
Onde encontro?
BEATRIZ ORTOLANI

RIO DAS PEDRAS - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 18/06/2018

Olá, Eliezer.
Obrigada pelo interesse.
O nome comercial do isometamidium é Vivedium, da Ceva Saúde Animal.
O representante local irá entrar em contato contigo para indicar o local de venda da sua região.
Abraço
Bia
EDMAR LUIZ MAFESSONI

SANTO ANTÔNIO DAS MISSÕES - RIO GRANDE DO SUL

EM 15/06/2018

Muito bom. Obrigado.
CRISTIANO STEFANELLO BUBLITZ

ERECHIM - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 15/06/2018

Boa noite!
Somente uma ressalva, hematúria não é o único sinônimo de urina escura, no complexo tristeza parasitária bovina temos hemoglobinúria e não hematúria.
BEATRIZ ORTOLANI

RIO DAS PEDRAS - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 18/06/2018

Olá, Cristiano.
Como vai?
Obrigada pela ressalva, iremos modificar o termo usado para ficar mais apropriado.
=)
Abraço
Bia Ortolani
CRISTIANO STEFANELLO BUBLITZ

ERECHIM - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 15/06/2018

Boa noite!
Somente uma ressalva, hematúria não é o único sinônimo de urina escura, no complexo tristeza parasitária bovina temos hemoglobinúria e não hematúria.