Utilizando índices de desempenho - parte II
Os índices de desempenho são ferramentas essenciais para uma análise coerente do sistema de produção e dos processos nele envolvidos. A otimização das taxas existentes permite o aumento quantitativo e qualitativo do rebanho e da produção, no entanto, para que isso ocorra, é preciso que o negócio seja conduzido em bom nível gerencial e com incorporação de tecnologia, objetivando aumentar a escala de produção, ganhar eficiência nos processos produtivos e reduzir os desperdícios e os custos - fatores estes, imprescindíveis para o sucesso do negócio.
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8. Índice de Prolificidade: se refere ao número de cordeiros nascidos por ovelha e pode ser calculado de algumas formas, dando uma visão levemente diferente do sucesso reprodutivo do rebanho. Trata-se de um dos mais importantes índices, pois mensura a performance produtiva da ovelha - a unidade de produção de todo o sistema. Para o cálculo, todos os cordeiros nascidos a termo devem ser incluídos no numerador, inclusive os natimortos, podendo ser expresso na forma de fração decimal (ex: 1,2) ou como um percentual (ex: 1,2 X 100 = 120%).
- Número de cordeiros nascidos por ovelha parida: também chamado de tamanho de ninhada e, incorretamente, de taxa de parição. Essa é a forma mais comum de cálculo para o índice de prolificidade, embora dê uma visão incompleta do sucesso reprodutivo do sistema, uma vez que, desconsidera as ovelhas que não conceberam. Metas: 110 a 140% para rebanhos em sistema extensivo; e 130 a 180% para rebanhos sob manejo intensivo, a depender do grupo genético, manejo reprodutivo e estratégias nutricionais.
- Número de cordeiros nascidos por ovelha exposta ao carneiro: esse cálculo envolve todas as ovelhas expostas ao carneiro no denominador, sendo mais completo e permitindo uma avaliação da fertilidade, fecundidade e capacidade de manter a gestação no respectivo lote de matrizes. Algumas vezes é chamado de taxa reprodutiva porque reflete a performance reprodutiva total naquela determinada estação. Metas: 100 a 130% em rebanhos sob manejo extensivo; e 120% a 170% para lotes manejados intensivamente.
9. Taxa de natimortos: é o percentual de cordeiros nascidos mortos dentre o número total de cordeiros nascidos por estação de parição. Metas: igual ou inferior a 2% para rebanhos menos prolíficos; e menos de 5% para rebanhos altamente prolíficos. Desconsiderando causas infecciosas, um aumento nesse índice pode ser indicativo de falhas no manejo nutricional da matriz, ao longo de toda a gestação, correlacionadas com a ocorrência de quadros subclínicos ou clínicos de cetose.
10. Taxa de mortalidade pré-desmama: trata-se do percentual de cordeiros que morrem antes da desmama dentre o número total de cordeiros nascidos vivos (i.e., vivos às 24 horas de idade). Meta: igual ou inferior a 5%. Como a desmama ocorre, geralmente, entre 45 e 90 dias de idade na maioria dos sistemas de produção, a idade do cordeiro morto pode ser útil para tentar determinar os fatores de manejo envolvidos na ocorrência ou aumento da mortalidade.
11. Taxa de descarte: é calculada dividindo-se o número de ovinos descartados pelo número médio de ovinos no lote ou rebanho em um período de 12 meses. O número médio do lote é calculado pela média do número de ovelhas no início e no final do ano agrícola. A taxa de descarte pode ser dividida em 2 categorias: voluntária (vendas, baixa produção, genética, idade) e involuntária (mastite, baixa habilidade materna, falha reprodutiva e doenças). Metas: a taxa anual de descarte involuntário deve ser menor que 10%. Já a taxa de descarte total (voluntário e involuntário) deve ser de aproximadamente 20% do rebanho adulto. Para programas de manejo sanitário, a taxa de descarte involuntário deve ser investigada.
12. Taxa de mortalidade: é calculada dividindo-se o número de ovinos mortos por todas as causas pelo número médio de ovinos no rebanho em 12 meses. Meta: igual ou inferior a 5%.
13. Taxa de reposição: é calculada dividindo-se a soma do número de ovinos descartados mais o número de ovinos mortos pelo número de ovinos do lote ou rebanho. Esse cálculo é baseado nas necessidades anuais de um rebanho estabilizado com progresso genético moderado. A taxa de reposição pode variar a depender de vários fatores, tais como: pressão de seleção genética empregada, nível de evolução e/ou estabilização do rebanho, estrutura do rebanho e taxa de descarte involuntário. Geralmente os valores ficam entre 15 e 30% em rebanhos comerciais.
Dessa forma, os índices de desempenho são ferramentas essenciais para uma análise coerente do sistema de produção e dos processos nele envolvidos. A otimização das taxas existentes permite o aumento quantitativo e qualitativo do rebanho e da produção, no entanto, para que isso ocorra, é preciso que o negócio seja conduzido em bom nível gerencial e com incorporação de tecnologia, objetivando aumentar a escala de produção, ganhar eficiência nos processos produtivos e reduzir os desperdícios e os custos - fatores estes, imprescindíveis para o sucesso do negócio.
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Material escrito por:
Daniel de Araújo Souza
Médico Veterinário, MBA, D.Sc., especializado no sistema agroindustrial da carne ovina. Consultor da Prime ASC - Advanced Sheep Consulting. Facebook.com/prime.asc Twitter.com/prime_asc
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BENTO FERNANDES - RIO GRANDE DO NORTE - PRODUÇÃO DE OVINOS
EM 23/06/2008
Sou novato aqui no forum, e desde já quero parabenisar o Dr. Daniel pela excelente matéria, um conteúdo muito rico com informações primordiais aos criadores e leitores. Confesso que também estou muito ansioso para ler e pôr em prática como fiz com as informações da parte I e II.
FORTALEZA - CEARÁ
EM 19/12/2007
Mais uma vez muito obrigado por sua participação e palavras de apreço !!!
Abraços,
Daniel

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - PRODUÇÃO DE OVINOS
EM 18/12/2007
Outro aspecto realmente importante é o comentário ao índice. Muitos são os que desconhecem - ou não se importam - em compreender o significado dos mesmos.
Parabéns. Já estou ansioso para ter acesso à Parte III do artigo.
Normann Kalmus
Economista