Utilizando índices de desempenho - parte I

Na pecuária, uma das principais ferramentas para a avaliação de resultados e análise de processos são os índices de desempenho, particularmente na área de produção, fornecendo a base para a formulação de decisões mais apropriadas que direcionem a empresa ao ótimo econômico. Os índices de desempenho são produtos de um sistema de coleta e análise de dados referente à escrituração zootécnica do rebanho e que mensuram a eficiência nos processos produtivos relacionados à atividade.

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Para que um negócio, seja ele qual for, torne-se competitivo e gere resultados positivos para os seus proprietários ou investidores, é necessário que haja eficiência na execução dos processos a fim de se atingir metas que viabilizem economicamente o empreendimento.

Na pecuária, uma das principais ferramentas para a avaliação de resultados e análise de processos são os índices de desempenho, particularmente na área de produção, fornecendo a base para a formulação de decisões mais apropriadas que direcionem a empresa ao ótimo econômico.

Os índices de desempenho são produtos de um sistema de coleta e análise de dados referente à escrituração zootécnica do rebanho e que mensuram a eficiência nos processos produtivos relacionados à atividade.

Na pecuária ovina existe uma gama de índices passíveis de serem usados, no entanto, nem todos eles serão úteis na gestão de um rebanho. Além disso, os mesmos variam significativamente a depender do sistema de produção, nível tecnológico e grupos genéticos envolvidos, exigindo que os valores estabelecidos como metas sejam coerentes com a realidade vigente em cada empresa.

Alguns dos principais índices, abrangendo mais a esfera reprodutiva e com metais gerais otimizadas, são mencionados abaixo:

1. Taxa de ciclicidade: refere-se ao percentual de ovelhas cobertas ou marcadas pelo carneiro durante os primeiros 17 dias da estação reprodutiva, sendo um indicador da capacidade de monta dos reprodutores e da situação cíclica das ovelhas, de forma que, alguma falha na marcação das mesmas pode indicar problemas com um ou ambos os grupos. Meta: igual ou superior a 70%. A distribuição dos partos na estação de parição subseqüente é reflexo desse índice, resultando em uma concentração proporcional de partos no início do período a depender da taxa obtida.

2. Taxa de cobertura: trata-se do percentual de ovelhas cobertas ou marcadas pelo carneiro durante a estação reprodutiva. Meta: na estação, igual ou superior a 95% para ovelhas adultas; fora da estação, 70% é uma meta possível; para borregas com 7 a 9 meses de idade, igual ou superior a 75%, podendo ser muito mais baixa na estação anovulatória. Esse índice deve estar em sintonia com a taxa de concepção, e caso contrário, pode ser indicativo de problemas andrológicos com o reprodutor, em especial.

3. Taxa de concepção: é o percentual de ovelhas que foram expostas ao carneiro e apresentaram diagnóstico de gestação positivo. Meta: igual ou superior a 95% para ovelhas adultas; 75% ou mais para borregas acasaladas até os 12 meses de idade; igual ou superior a 70% para ovelhas sincronizadas na estação e igual ou superior a 50% para ovelhas sincronizadas fora da estação. Embora apenas represente, inicialmente, o sucesso do acasalamento, esse índice é um importante critério para a permanência da fêmea no rebanho.

4. Taxa de aborto: é o percentual de ovelhas expostas ao carneiro ou gestantes que tiveram abortos visíveis antes do dia 142 de gestação. Meta: igual ou inferior a 2%. Taxas de aborto de 5 a 7% podem indicar doença enzoótica. Fetos reabsorvidos, morte embrionária precoce ou abortos esquecidos devem ser classificados como falhas na concepção da ovelha. É interessante cruzar esse índice com a taxa de parição para se ter uma noção do nível de falhas na concepção.

5. Taxa de parição: refere-se ao percentual de ovelhas que pariram dentre aquelas expostas ao carneiro na estação reprodutiva. Meta: igual a superior a 90% para ovelhas adultas; igual ou superior a 70% para borregas com idade inferior a 15 meses. A taxa de parição é um índice de fertilidade e de saúde, refletindo, a princípio, a capacidade da ovelha de ovular, conceber, sustentar a gestação e leva-la a termo, assim como, a saúde reprodutiva do carneiro.

6. Idade ao primeiro parto: trata-se da idade média em que a borrega tem o seu primeiro parto. Meta: 12 a 15 meses de idade para borregas criadas sob manejo intensivo e 24 meses para aquelas em condições extensivas. O peso é um fator considerável e varia com o grupo genético, porém a borrega deve apresentar no mínimo 70% de seu peso adulto à cobertura, com um escore de condição corporal entre 3 e 3,5 na estação reprodutiva. A IPP é um indicador do nível de manejo na atividade, principalmente na área nutricional.

7. Intervalo entre partos: refere-se à média de dias entre dois partos consecutivos de cada animal ou de um lote. Meta: 210 a 240 dias para lotes manejados sob programas acelerados de parição do tipo "3 em 2" ou Cornell Star ("5 em 3"). O IEP é um índice geral que depende de duas outras variáveis: o intervalo parto-1o estro e o número de serviços/concepção, porém não é tão exato para medir a eficiência reprodutiva do rebanho, pois não inclui fêmeas com apenas um parto, inférteis e/ou descartadas. De qualquer forma, quando dentro de valores aceitáveis, é um excelente indicador de fertilidade. A partir do IEP é possível calcular ou estimar o número de partos/ovelha/ano, que seria uma outra forma de visualizar esse índice.

Na próxima parte deste artigo serão abordados mais alguns índices de importância para a pecuária ovina.
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Material escrito por:

Daniel de Araújo Souza

Daniel de Araújo Souza

Médico Veterinário, MBA, D.Sc., especializado no sistema agroindustrial da carne ovina. Consultor da Prime ASC - Advanced Sheep Consulting. Facebook.com/prime.asc Twitter.com/prime_asc

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Daniel de Araújo Souza
DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 16/06/2008

Olá Ananias,

De fato, as metodologias de cálculo dos diversos índices de desempenho apresentam variações e cada profissional é responsável por adotar, melhorar ou criar determinados índices, de acordo com suas próprias perspectivas e objetivos. Isso acontece para diversos índices em variadas áreas: de produção, administrativa, econômica, financeira, etc. Sempre há mais de uma forma de se calcular alguma coisa.

Na questão da taxa de ciclicidade, eu realmente tomo como referência o ciclo estral, mas se for utilizado o período de estação reprodutiva é preciso atentar que a TC tende, naturalmente, a cair com o tempo, uma vez que vai havendo a concepção das fêmeas no decorrer do período. No próprio material da Embrapa, citado por você, menciona-se que a TC máxima para bovinos é de 5%, ou seja, 100%/21 dias = 4,76%/dia, cerca de 5%, assim como a TCmáx para ovinos é de 6% (arredondando de 5,88%/d), e tranquilamente, não concordo com o conceito divulgado no material da Embrapa.

Em relação à capacidade de serviço, o método de Chenoweth, que já foi adaptado por pesquisadores brasileiros para touros e adotado pelo CBRA, é um teste de capacidade de monta relacionado unicamente à libido, ou seja, é um teste de libido com uma classificação por escores. Acredito que o termo capacidade de serviço é um tanto robusto demais para ser usado apenas como uma referência de libido. O que adianta um reprodutor com alta libido, mas com baixa produção de espermatozóides e um espermiograma de baixa qualidade, considerando ainda que estas são características independentes?? Ele irá cobrir/marcar um grande número de fêmeas, mas resultará em baixa ou nenhuma concepção. Por isso, eu uso o conceito de capacidade de serviço baseado em 3 pontos: produção espermática, qualidade do sêmen e libido. É baseado nesses três fatores que estimo o potencial de um reprodutor e a melhor relação carneiro:ovelha ou touro:vaca em uma propriedade sob minha consultoria.

De qualquer forma, o mais importante é atingir os objetivos e as metas estipuladas de acordo com cada realidade. Os resultados práticos são os melhores índices que se pode ter dentro de uma fazenda.

Mais uma vez, obrigado pela sua participação e por compartilhar sua experiência e perspectivas sobre os assuntos abordados. Fico feliz com isso!!

Tudo de melhor e espero você em outros assuntos polêmicos!!

Grande abraço,
Capataz Assessoria Rural
CAPATAZ ASSESSORIA RURAL

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL

EM 13/06/2008

Meu caro Dr. Daniel.
Obrigado por atender minha solicitação.
Sem querer polemizar, me parece que a conceituação ou mesmo criação de indicadores de desempenhos é algo subjetivo, isto é: cada um faz o seu da forma que mais lhe convier. Digo isso em face da definição dada pela EMBRAPA:

"Taxa de ciclicidade pode ser definida como a percentagem de fêmeas em estro em relação ao total de fêmeas expostas por dia de estação."
(Fonte: Embrapa - http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/BovinoCorte/BovinoCorteRegiaoSudeste/reproducao.htm)

Veja que o lapso de tempo para se calcular a taxa de ciclicidade é o tempo da ESTAÇÃO DE MONTA e não o ciclo estral da espécie (17 dias p/ ovinos)

Por outro lado, li, também, que a CAPACIDADE DE SERVIÇO (MONTA) não "é um conceito andrológico", mas sim a quantidade estimada de fêmeas que um reprodutor poderá cobrir durante o ciclo estral.

Para se calcular esse número, usa-se, por exemplo, o método definido por Chenoweth que consistem em observar quantas coberturas completas (penetração e ejaculação) o reprodutor realiza em um curto espaço de tempo (15, 20 minutos). Com base nesse resultado, estima-se que o macho tem capacidade, potencial, de serviço para cobrir n fêmeas.

Peço desculpas, mas não posso concordar com a sua afirmação de que "O indicador exemplificado por você na verdade é a taxa de ciclicidade (TC) elaborada de outro forma, com outro ponto de vista, mas que leva a resultados distorcidos."

O exemplo que dei - na verdade são fatos apurados em nossa propriedade - não pode ser definido como taxa de ciclicidade, pois se assim o for, "leva a resultados distorcidos". Ora, a TC, como o sr. mesmo definiu, possui metodologia que difere daquela usada, por mim, no exemplo. Logo, os indicadores que encontrei não são, e eu não afirmimei que eram, Taxa de Ciclicidade, mesmo que "calculada de uma outra forma ou ponto de vista".

O indicador que encontramos mostra o desempenho (a eficiência) de cada reprodutor durante a estação de monta. Particularmente, entendo que esse indicador (Taxa de Eficiência) é de grande valia, pois mostra "quem é quem" no harém.

Acredito que o Sr., em sendo o profissional que é, não vai ficar sangado comigo, mesmo porque alguma polêmica é salutar, desde que, realizada em alto nível.
abraços e pbrigado.
Daniel de Araújo Souza
DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 11/06/2008

Olá Ananias,

Sobre a situação colocada por ti, sim, a taxa de cobertura foi 100%, uma vez que a taxa de concepção foi de 100.

Bem, capacidade de serviço ou capacidade de monta de um reprodutor é um conceito andrológico determinado pela produção espermática, qualidade do sêmen e libido do carneiro. Quantidade de fêmeas cobertas é denominada taxa de cobertura.

O indicador exemplificado por você na verdade é a taxa de ciclicidade (TC) elaborada de outro forma, com outro ponto de vista, mas que leva a resultados distorcidos. No exemplo A, onde um macho precisou de 60 dias para cobrir um grupo de 60 ovelhas com média de 1 fêmea/dia, significa dizer que em 17 dias (intervalo médio entre estros de uma fêmea ovina) foram cobertas apenas 17 fêmeas de um total de 60, ou seja, 28,33% (= taxa de ciclicidade). Da mesma forma, no exemplo D, onde o macho IV cobriu 4 fêmeas/dia, significaria dizer que em 17 dias ele cobriu 68 ovelhas, fechando uma taxa de ciclicidade de 113,33%. Nesse caso, o exemplo D seria impossível de acontecer, a não ser se o ciclo reprodutivo das fêmeas fosse de apenas 15 dias que resultaria em uma TC de 100%.

Então, essa forma de calcular conduz a erros e não indica a real taxa de ciclicidade do rebanho de matrizes. O conceito de TC é justamente o percentual de fêmeas ciclando em um período equivalente a um ciclo reprodutivo ou intervalo entre estros. Para ovelhas seriam 17 dias, para vacas 21 dias, etc.

O indicador como calculado por você seria mais correto si adota-se como referência de cálculo o período de um ciclo estral completo e não o período de estação reprodutiva. Considerando um ciclo reprodutivo de 17 dias, a TC MÁXIMA para ovinos seria de quase 6%/dia (5,88% para ser preciso, 100% de fêmeas/17 dias de ciclo estral = 5,88% de fêmeas ciclando por dia). No seu exemplo, seria 3,6 fêmeas/dia (6% de 60 matrizes).

Por outro lado, a TC indica a capacidade de monta de um carneiro em relação à sua libido e condição física apenas, mas não significa concepção ou fecundidade, e é bastante relativa, pois TC baixas podem indicar tanto problemas com as fêmeas quanto com os machos.

Além disso, a TC é um índice para ser usado antes da estação reprodutiva, funcionando como um termômetro da condição estral das fêmeas, indicando se a mesma é favorável ou não para se iniciar a estação reprodutiva e se os processos relacionados ao manejo reprodutivo estão adequados do ponto de vista do retorno da atividade reprodutiva pós-parto.

Espero ter ajudado. Obrigado por sua participação!!

Abraços,

Daniel
Capataz Assessoria Rural
CAPATAZ ASSESSORIA RURAL

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL

EM 11/06/2008

Caro Dr. Daniel.
Quero, inicialmente, parabenizá-lo pelo excelente artigo sobre indicadores de desempenho. Realmente, são informações de grande valor produzidas pela Escrituração Zootécnica e que podem e devem ser usadas pelo criador que busca sucesso.
Gostaria de partilhar com o Sr. um caso, hipotético, porém, possível de acontecer:

Imaginemos quatros grupos composto, cada um, por 60 fêmeas e um reprodutor, em uma estação de 60 dias. No final da estação, apurou-se que todas as fêmeas estavam prenhas, o que implica dizer que a Taxa de Cobertura foi de 100% para todos os machos, certo? Apurou-se ainda a seguinte situação:
a) o macho I precisou dos 60 dias para cobrir todas as fêmeas, ou seja, uma média de 1 fêmeas/dia;
b) o macho II cobriu as 60 fêmeas em 45 dias, ou seja, em média 1,3 fêmeas/dia;
c) o macho III, por suas vez, cobriu todas as fêmeas em 30 dias, com média de 2 fêmeas/dia;
d) o macho IV, precisou de apenas 15 dias para cobrir as 60 fêmeas, numa excepcional média de 4 fêmeas/dia.

Pergunto: como podemos denominar esse indicador?
Capacidade de Serviço? Parece que não, pois, para o Sr. CS é a quantidade de fêmeas cobertas em 17 dias.
Agradeço sua atenção.
Daniel de Araújo Souza
DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 20/11/2007

Olá Normann,

Fico feliz que tenha apreciado o tema e o artigo!!

Realmente, a gestão adequada do negócio ainda é um ponto falho nas empresas agropecuárias brasileiras, apesar de sua crucial importância para permitir que o empreendimento maximize seus resultados e alcance lucros diferenciados em um mercado cada vez mais competitivo e com margens cada vez mais estreitas. Poucas empresas e pecuaristas já dispertaram para o assunto!

Tentarei, a medida do possível, abordar o assunto de forma a ressaltar a gestão empresarial em si, como sugerido.

Muito obrigado por sua participação e pelos comentários!!!

Abraços,

Daniel
Normann Kalmus
NORMANN KALMUS

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 18/11/2007

Dr. Daniel,

Concordo completamente com a já famosa frase de Fernando P. Cardoso, que afirma que "somos um país em que as pessoas acham muito, observam pouco e não medem praticamente nada", portanto, só posso considerar de uma importância absoluta o artigo.

Como economista, gostaria de sugerir que os índices de desempenho fossem ampliados para outras áreas além daquelas já abordadas e que digam respeito à administração da propriedade e do negócio como um todo. Afinal, o resultado final deve ser compensador e muitos criadores ainda se mantém céticos em relação a questões cruciais.

Parabéns. Siga em frente!

Normann Kalmus

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