Ultrassonografia na reprodução de ovinos e caprinos
A ultrassonografia é uma técnica que permite obter informações concretas do estado reprodutivo dos animais, favorecendo o diagnóstico precoce dos fenômenos fisiológicos e patológicos e assim, a adequação das práticas de manejo objetivando melhores índices reprodutivos e produtivos, além de permitir a soluções de problemas de infertilidade por decisões rápidas e tratamentos mais adequados.
Publicado em: - 5 minutos de leitura
O uso da ultrassonografia na reprodução animal vem se popularizando, tanto para fins científicos como no manejo rotineiro de algumas propriedades rurais. A utilização dessa técnica tem possibilitado um melhor controle do manejo reprodutivo do rebanho, pelo diagnóstico precoce de prenhez, acompanhamento da gestação, detecção de mortalidade embrionária ou fetal, determinação do número de fetos (gestação múltipla), sexagem fetal, avaliação e acompanhamento do desenvolvimento folicular e corpo lúteo e ainda, diagnóstico de patologias do trato reprodutivo feminino e masculino.
Para fins científicos, a ultrassonografia em tempo real tem contribuído para o conhecimento de diversos fenômenos da fisiologia reprodutiva, uma vez que esta técnica pode ser realizada continuadamente para acompanhamento sequenciado de eventos dinâmicos, permitindo a obtenção de importantes informações morfológicas sem invadir ou causar dano aos tecidos. Os conhecimentos obtidos pela ultrassonografia têm possibilitado avanços em outras biotécnicas da reprodução, tais como a sincronização do estro e ovulação, tecnologia do sêmen, inseminação artificial, transferência de embrião e a produção in vitro de embriões pela obtenção de oócitos por aspiração folicular guiada por ultrassonografia (ovum pick-up).
A utilização da ultrassonografia permite a reconstituição da anatomia do órgão estudado mostrada de forma dinâmica em imagem bidimensional. Para o correto uso da técnica é imprescindível o conhecimento dos princípios ultrassonográficos, a correta interpretação das imagens formadas, bem como o correto manuseio dos equipamentos no decorrer do exame.
Princípios físicos do ultrassom
As ondas de ultrassom podem ser produzidas sob diferentes fenômenos físicos e dentre estes destaca-se a obtenção do ultrassom pela vibração de cristais de quartzo. Esses cristais quando submetido a uma corrente elétrica desencadeia uma série de contrações e expansões entre as duas faces opostas (propriedade piezelétrica) produzindo o ultrassom, cuja freqüência está acima de 20.000 Hertz, portanto, inaudível ao ouvido humano. A freqüência do ultra-som utilizado na medicina veterinária varia entre 3,5 e 10,0 MHz, com um comprimento de onda menor que 1 mm. As ondas de baixa frequência são mais penetrantes, conduzindo à ação mais profundas e resultando em imagens que traduzem estruturas a uma maior distância da superfície de contato do transdutor.
Com base na propriedade piezoelétrica dos cristais de quartzo, que existem nos transdutores, esses sofrem contrações e expansões ao receberem a corrente elétrica que chega do console do equipamento e consequentemente, emitem feixes contínuos de ondas ultrassônicas quando em contato com a região do corpo a ser examinada. Tais sons serão em grande parte refletidos pelos tecidos em forma de ecos, que serão captados de volta pelos cristais e seguem para o console onde serão processados, amplificando e compensando os sinais para a formação da imagem.
Interpretação das imagens ultrassonográficas
De acordo com a capacidade dos tecidos absorver ou refletir os feixes de ultrassom as imagens são gerada dentro de uma escala de cinza. Na avaliação das imagens ultrassonográficas são utilizados os termos anecóico, hiperecóico e hipoecóico. As imagens anecóicas são escuras e oriundas dos líquidos que não refletem as ondas sonoras (exemplo, imagens de folículos ovarianos e vesículas embrionárias); as hiperecóicas são brancas e provêm de tecidos com grande capacidade repletora (exemplo, tecido ósseo) e as hipoecóicas podem ser de maior ou menor intensidade, variando nas tonalidades da cor cinza.
Alguns pontos devem ser considerados com objetivo de formar imagem com melhor resolução. Assim, a qualidade da imagem contribuirá na eficiência do exame.
Portanto, de acordo com o objetivo do exame ultrassonográfico deve ser escolhido o tipo de transdutor (setorial, convexa ou linear), a frequência (3,0; 3,5; 5,0; 6,0; 7,5; 8,0; 9,0 ou 10 MHz) e a modalidade do exame (transretal, transcutâneo abdominal ou transvaginal). Para estudo de pequenas estruturas (como folículos de 4 mm de diâmetro), que estão próximas do transdutor no exame transretal, as freqüências de 5,0 ou 7,5 MHz são mais indicadas. Ao contrário, para estudo de grandes estruturas (como o feto a partir do meio da gestação) localizadas relativamente longe do transdutor, a freqüência de 3,5 MHz é mais adequada, uma vez que a profundidade de penetração é mais importante que o detalhe da imagem.
Recursos dos equipamentos de ultrassom podem auxiliar na obtenção de imagem de melhor qualidade, como o número de cristais ou elementos contidos no transdutor, no número de imagens/segundo e o método de foco.
Para melhorar a qualidade da imagem, um gel inócuo, inodoro e hidrossolúvel deve ser aplicado sobre o trandutor. No caso de varredura em exame transcutânea é indicado tricotomia para que não haja interferências e prejuízo na qualidade da imagem.
A manipulação do transdutor por via transretal é limitada devido às dimensões reduzidas do reto nos pequenos ruminantes. Para permitir que a manipulação retal do trandutor seja efetuada com maior desenvoltura e eficiência um suporte deve ser acoplado.
Ainda, nunca deve ser desconsiderado que a técnica de ultrassonografia é um exame complementar ao exame clínico. E justamente por esse motivo, deve-se tomar conhecimento dos dados da anamnese, como por exemplo: saúde geral e dados específicos como as datas de parição, estros observados, coberturas ou inseminações e intervenções zootécnicas ou veterinárias, que irão fornecer informações indispensáveis para a elaboração de um diagnóstico conclusivo.
Contudo, a ultrassonografia é uma técnica que permite obter informações concretas do estado reprodutivo dos animais, favorecendo o diagnóstico precoce dos fenômenos fisiológicos e patológicos e assim, a adequação das práticas de manejo objetivando melhores índices reprodutivos e produtivos, além de permitir a soluções de problemas de infertilidade por decisões rápidas e tratamentos mais adequados.
Referências consultadas:
CRUZ, J.F.; FREITAS, V.J.F. A ultra-sonografia em tempo real na reprodução de caprinos. Ciência Animal, 11 (1): 53-61, 2001.
MOURA, J.C.A.; MERKT, H. A ultra-sonografia na Reprodução Eqüina. 2ª edição. Salvador: Editora Universitária Americana, 162p., 1996.
SANTOS, M.H.B.; OLIVEIRA, M.A.L.; LIMA,P.F Diagnóstico de Gestação na Cabra e na Ovelha. São Paulo: Livraria Varela, 157p., 2004
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Material escrito por:
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SEROPEDICA - RIO DE JANEIRO
EM 18/09/2009
JABOTICABAL - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 27/08/2009
Existem diversas instituições que tem ministrado cursos neste tema, como EMBRAPA por exemplo.
Se tiver interesse estamos preparando um curso em nossa universidade. Entre em contato.
Grata, Maria Emilia

CABREÚVA - SÃO PAULO
EM 26/08/2009

VOLTA REDONDA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE OVINOS
EM 25/08/2009

CARANDAÍ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 25/08/2009

PARACATU - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE
EM 25/08/2009
Simples e eficiente.
Parabens pelo artigo!
JABOTICABAL - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 24/08/2009
Eu indico o uso da sonda linear pela via transretal. Entretanto, a escolha da modalidade do exame vai depender da idade de gestação e da prática do técnico. Pela via transretal a visualização dos órgão da reprodução, neste caso do útero, é mais facilitada. Com o avanço da gestação é notório que os cornos estejam mais estendido (ventralmente), indicando-se uma maior introdução da sonda, ou avaliação pela via trans-abdominal.
No próximo artigo publicado neste radar técnico continuaremos a abordar a ultrassonografia. Indico que acompanhe.
Obrigada por sua participação.
Estou a disposição para outras duvidas.
Maria Emilia Franco Oliveira

CORONEL VIVIDA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 24/08/2009
gostaria de saber se para quem tem uma sonda linear a melhor maneira de diagnosticar prenhez em ovinos e caprinos é pela via retal ou abdominal
obrigado