Trabalhando com pessoas

A atividade leiteira vem passando por grandes mudanças nos últimos anos. Principalmente mais recentemente, temos visto grandes projetos se tornando realidade e na sua grande maioria são geridos como empresas e não mais como "fazenda". A gestão do negócio tem sido tratada cada vez mais como executiva, e neste contexto alguns pontos são de grande importância.

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A atividade leiteira vem passando por grandes mudanças nos últimos anos. Principalmente mais recentemente, temos visto grandes projetos se tornando realidade e na sua grande maioria são geridos como empresas e não mais como "fazenda". A gestão do negócio tem sido tratada cada vez mais como executiva, e neste contexto alguns pontos são de grande importância.

Grandes empresas são geridas por grandes executivos preparados para administrar um grande negócio e grande negócio quer dizer "negócio de sucesso", independente do tamanho.

A administração compreende a atuação em quatro áreas dentro da empresa: Produção, Marketing (vendas), Recursos Humanos e Financeira. Todas elas estão sempre correlacionadas, não adianta ter excelência nos fatores de produção e não conseguir ter um produto com preço acessível ao mercado consumidor e assim por diante.

Em todas estas áreas existem pessoas exercendo tarefas, e fazer com que estas pessoas estejam motivadas para cumprir suas tarefas com eficácia é o grande desafio de qualquer negócio. Em qualquer empresa, de qualquer tipo, seja uma fazenda de produção de leite ou um supermercado, trabalhar as pessoas é fator fundamental para o sucesso; porém, é bastante comum nas fazendas vermos situações avessas à motivação das pessoas.

A pirâmide abaixo mostra como podemos atender as necessidades humanas, incluindo as nossas.

Figura 1


Inicialmente, em qualquer plano de motivação da equipe de trabalho, devemos atender às necessidades fisiológicas dos indivíduos. Qualquer pessoa, antes de mais nada, precisa sobreviver, isto é, precisa ter um salário compatível com o negócio e compatível com a região, se alimentar bem, ter roupas adequadas e um teto para morar. Sem isso nem adianta querer que um ordenhador realize uma ordenha bem feita as 03:00hs da madrugada: esta pessoa estará mais preocupada se o telhado da casa vai vazar água, se chover, do que em realizar uma estimulação bem feita das vacas.

Após o atendimento das necessidades básicas então podemos subir na pirâmide rumo ao próximo degrau, as necessidades de segurança, que significam que sempre queremos ter segurança para nós e para nossa família, incluindo segurança financeira e estabilidade no emprego e no lar. Podemos até ter uma boa casa para morar, mas se não há confiança de que o negócio vai bem, como por exemplo, dizer que o leite não é um bom negócio, então o sentimento de desconfiança no futuro é grande., Se o leite não é um bom negócio, então a fazenda vai fechar as portas e todos perderão o emprego. Um bom gestor sempre acredita que o negócio que está gerindo é bom e vai dar resultados positivos, caso contrário deve procurar outro negócio ou outra empresa que seja lucrativa.

O próximo degrau são as necessidades sociais, isto é, sentimentos de aceitação no grupo de trabalho e no ambiente da fazenda. Queremos sempre fazer parte do grupo e não ser o "excluído" deste grupo, todos queremos ter amigos, principalmente no ambiente de trabalho, onde passamos a maior parte do dia; se não conseguimos nos relacionar bem com os colegas, então seremos excluídos e este sentimento de exclusão gera medo e insegurança.

Mais um degrau acima e chegamos às necessidades de auto-estima, de satisfazer o ego, ter auto-confiança, gozar de uma boa reputação, queremos ser respeitados sempre, queremos que a nossa opinião seja ouvida e que isto possa levar a um crescimento da empresa. De que adianta ser uma boa pessoa se dentro da minha área de atuação todo mundo dá palpite e o que eu digo ninguém ouve.

E por último a auto-realização: queremos ser prósperos e ser próspero significa realizar coisas, empreender, correr atrás de um sonho e realizá-lo.

Cada degrau da pirâmide deve ser plenamente atendido antes para que se pule para o próximo. Não se consegue motivar as pessoas se não há confiança e respeito nos relacionamentos. É comum encontrar gerentes ou mesmo proprietários que se acham superiores aos funcionários e sempre se referem aos mesmos como "esse pessoal", como se não fossem todos interessados no mesmo negócio. Os operadores são de fundamental importância ao negócio, pois quem é que acorda para trabalhar as 02:00 hs da manhã todos os dias, no inverno, chovendo e as vezes sem energia na fazenda?

Após atendermos às necessidades básicas das pessoas, então devemos criar a demanda para a auto-realização. O desenvolvimento de um plano de metas é capaz de criar esta demanda. As pessoas gostam de desafios, gostam de sentir que são capazes de realizar o seu trabalho bem feito e gostam sobretudo de mostrar que sabem fazer as coisas bem; um bom gestor deve fornecer o suporte necessário para isto através de treinamento contínuo para se ter uma melhoria contínua nos processos e também dar boas condições de trabalho para a realização das tarefas.
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Material escrito por:

Marco Antônio Pádua Carvalho

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Gustavo Oliveira Fonseca
GUSTAVO OLIVEIRA FONSECA

OLIVEIRA - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 26/09/2008

Muito boas as considerações, o gerenciamento da propriedade leiteira é hoje o ponto crucial para o sucesso da empresa rural, e o gargalo acaba sendo a mão-de-obra. Por tanto, temos que ter grande interesse na área de recursos humanos e procurar nos informar a cada dia mais. E o artigo do Marco Antônio falando sobre o RH, nos ajuda a compreender ainda mais esse tema ainda distante nas fazendas.
WESLEY QUINTILIANO FELIX
WESLEY QUINTILIANO FELIX

CRUZÁLIA - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 17/09/2008

Colocações como estas devem ser realizadas sempre e é de fundamental importância colocar todos estes argumentos em pratica, pois não tenho dúvidas de que se isto for realizado, ocorrera uma ótima produção e ainda, produção com qualidade. Parabéns pelas colocações Marco Antônio.
Manoel Moreira Campos
MANOEL MOREIRA CAMPOS

OLARIA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/09/2008

Senhor Marco Antônio, esta corretíssimo, "saco vazio não para em pé". Necessário faz que o trabalhador esteja em paz com tudo o que o cerca, inclusive com a "barriga cheia" para que este concentre melhor no trabalho que desempenha e consiga alcançar a produtividade esperada pelo patrão.
Marco Antônio Pádua Carvalho
MARCO ANTÔNIO PÁDUA CARVALHO

PASSOS - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 11/09/2008

Prezada Fabiana Regina Macedo Falcão

Posso sugerir 2 coisas: primeiro, sempre se preocupe com as pessoas, busque colocar bons profissionais, treinados, com brilho nos olhos e faça um bom plano de cargos e salários, isto faz parte da motivação das pessoas; a segunda coisa é planejar, planeje o que você quer e onde quer chegar, criando metas para conseguir alcançar tal fim.

Não espere para ver se deu certo, faça dar certo antes mesmo de começar. Mais uma coisa, contrate uma boa equipe de consultores para lhe auxiliar tecnicamente.
Fabiana Regina Macedo Falcão
FABIANA REGINA MACEDO FALCÃO

IMPERATRIZ - MARANHÃO

EM 11/09/2008

Muito bom a sua carta, bastante informativo.
Gostaria que você comentasse um pouco sobre como gerenciar ou pelo menos algumas dicas para quem está iniciando uma produção leiteira. Os principais passos que devem ser seguidos.
Nei Antonio Kukla
NEI ANTONIO KUKLA

PORTO UNIÃO - SANTA CATARINA - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 11/09/2008

Finalmente passamos a valorizar o capital humano na atividade agropecuária também, que sem dúvida é o ativo principal de qualquer empresa. Muitas vezes, quando determinada atividade em uma propriedade não iria a contento, não potencializava seus resultados como era esperado, chegava um técnico ou consultor ou até mesmo um vendedor de insumos e tentavam descobrir o que estava ocorrendo para driblar a situação e tentar o tão esperado resultado positivo.

Assim, no final das contas, a "consulta" resumia-se em o especialista que ali estava preencher uma receita seja de adubação, seja para substituir um equipamento, seja para encaminhar o proprietário até um agente financeiro para financiar a compra de vacas melhores e por aí vai. Resultado: Não foi nem uma e nem duas propriedades que testemunhamos a troca de atividades por várias vezes, passando de produtora de grãos para leite, ou de leite para suinocultura e assim vai.

Hoje, finalmente, já encontramos técnicos preparados para trabalhar com o capital humano, pois muitas vezes se o trabalho não rende, ou os resultados precisavam ser melhores, o problema é justamente na peça ou mola propulsora deste contexto todo, ou seja, a ferramenta que está por trás de tudo: O homem/ mulher/jovem. Se estes não estão bem, não há animais melhorados nem equipamentos de última geração que irão "arrumar a casa."

Recursos humanos, que não é somente os colaboradores, mas também o filho do produtor, sua esposa e ele próprio devem estar de bem com a atividade que fazem, ser apaixonados pelo seu trabalho aí sim os resultados serão cada vez melhores.
A nós da Extensão Rural, temos o dever e obrigação de aprender a trabalhar este lado que faz parte da produção.
Qual a sua dúvida hoje?