Sombra para bovinos - parte 2
Neste artigo, continuaremos a falar sobre sombras para bovinos, e como citado no artigo anterior, serão expostos alguns itens importantes relacionados a sombras naturais. A escolha da espécie arbórea é um elemento importante e deve ser escolhida criteriosamente. Deve-se ter em mente os objetivos da arborização: se é fornecimento de sombra; abrigo para o sol poente; proteção contra vento, ruídos e poeira ou diminuir a refletividade solar.
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A escolha da árvore para Sombra Natural:
A escolha da espécie arbórea é um elemento importante e deve ser escolhida criteriosamente. A seguir encontram-se algumas dicas que podem ser úteis para a implantação de uma área de sombra eficiente:
• Deve-se ter em mente os objetivos da arborização: se é fornecimento de sombra; abrigo para o sol poente; proteção contra vento, ruídos e poeira ou diminuir a refletividade solar.
• Ainda considerar as necessidades e exigências elementares da vegetação, quanto a solo, água, luz e ambiente local.
• A espécie deve apresentar as seguintes características: adequação às condições ecológicas ambientais; compatibilidade entre os componentes do sistema; preferencialmente ser perenifólia; crescimento rápido e ereto (em condições de campo e a céu aberto); resistente a ventos (raízes profundas); possibilidade de propiciar alimento (folhas e frutos); capacidade de fixar nitrogênio; capacidade de rebrotar e ter fenologia conhecida.
• Devem ser evitadas, plantas tóxicas aos animais, excessivamente armadas de espinhos pontiagudos que possam ocasionar ferimentos; que tenham raízes expostas, que dificultem a acomodação das vacas e espécies produzam frutos grandes, com mais de 5 cm de diâmetro, que possa causar morte do animal por obstrução do esôfago. Assim como, plantas hospedeiras de pragas e doenças dos animais ou da forragem, e espécies que tenham efeito alelopático na planta forrageira.
• Espécies adaptadas terão desenvolvimento melhor e mais rápido, vida mais longa e geralmente são menos sujeitas a pragas e doenças.
• Árvores de folhas largas, copa densa e baixa, não são recomendadas para o sombreamento natural, quando analisadas do ponto de vista do conforto térmico, porque se supõe que o efeito das copas muito densas e de folhas largas seja de dificultar a ventilação em função da ascensão do ar quente, tendo o mesmo um maior dificuldade em se dissipar.
Alguns pesquisadores afirmam que árvores frondosas, de folhas perenes com altura mínima de 3 metros para propiciar uma sombra de 20 m2 e boa ventilação, são as ideais para sombreamento de piquetes com vacas leiteiras, pois secam rapidamente o solo, evitando assim, doenças nos cascos e a incidência de bernes.
Martins (2001) em sua dissertação de mestrado avaliou a qualidade térmica de algumas espécies arbóreas, baseando em dados climáticos e os índices de conforto térmico animal. Foram estudadas as sombras fornecidas pelas seguintes espécies: Pera glabrata Baill. (Sapateiro), Copaifera langsdorffii Desf. (Copaíba), Platycyamus regnellii Benth. (Pau pereira), Anadenanthera macrocarpa Brenan (Angico), Enterolobium contortisiliquum Morong (Orelha de Preto). O experimento foi realizado no Campus da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da Universidade de São Paulo (USP), localizado no Município de Pirassununga - SP.
Os registros dos dados foram realizados às 8:00, 10:00, 12:00, 14:00, 16:00 e 18:00 horas, analisando, assim, o comportamento da sombra ao longo do dia. Para análise dos resultados foram consideradas as variáveis: temperatura de bulbo seco, temperatura de globo negro, umidade relativa, nível de iluminação e os índices de conforto térmico: BGUI, CTR, TUI ao longo das quatro estações do ano. O delineamento estatístico usado por ele foi por blocos casualizados.
Das espécies arbóreas estudadas, a que proporcionou a melhor qualidade térmica de sombreamento ao longo do ano, com uma melhor resposta aos parâmetros agroclimáticos estudados bem com uma redução na carga térmica radiante foi a Anadenanthera macrocarpa Brenan (Angico). Descrita abaixo:
Características morfológicas: altura de 13-20 m, com tronco de 40-60 cm de diâmetro. Sua casca varia de uma forma quase lisa e clara até rugosa ou muito fissurada e preta. Seus ramos novos podem se apresentar espinhentos. Folhas compostas bipinadas, de 10-25 jugas; folíolos rígidos, com 20-80 jugos.
Ocorrência: Maranhão e Nordeste do país até São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, principalmente na floresta latifoliada semidecídua.
Fenologia: Floresce durante os meses de fevereiro-abril. Os frutos iniciam a maturação em agosto com a planta totalmente destituída da folhagem, prolongando-se até o final de setembro.
Restrições ao uso: Ocorre a queda freqüente de galhos.
Dados da espécie selecionada:
• Diâmetro da copa: 23,7 m
• Circunferência do tronco à altura do peito, tronco único: T = 3,68 m
• Altura do fuste (até o primeiro galho): 4,10 m.
Porém as espécies mais adequadas variam para cada região, em função principalmente de temperatura, latitude, altitude, precipitação média e distribuição dessas chuvas ao longo do ano.
BAGGIO e CARPANEZZI (1988), descrevem alguns sistemas silvipastoris tradicionais:
• Na Região semi-árida algumas espécies arbóreas são preservadas devido ao seu valor forrageiro, como as dos gêneros Acacia, Mimosa, Ziziphus e Spondias. Umbu (Spondias tuberosa Arruda) é uma das mais importantes pelas suas múltiplas qualidades.
• Na Região do cerrado, são relacionadas às seguintes espécies: Capoeirão (Aegiphila sellowiana Cham.), Abutua (Cochlospermum regium), Murici (Byrsonima verbacifolia), Cagaiteira (Eugenia dysenterica), dentre outras.
• No faxinal, matas mistas de latifoliadas e araucária que ocorrem no Sul do Brasil, destacam-se as seguintes espécies madeireiras: Pinheiro do Paraná (Araucaria angustifólia Kuntze), Erva-Mate (Ilex paraguariensis), Imbuia (Ocotea porosa), Ipê-amarelo (Tabebuia alba), Cedro (Cedrela fissilis Vell.). Como espécies frutíferas destacam-se: Araçá (Psidium cattleianum Sabine), Araticum (Rollinia spp), Branquinho (Sebastiana brasiliensis), Guabiroba (Campomanesia xanthocarpa Berg), dentre outras.
• No Sul do Paraná é freqüente o sistema Araucária/Erva-mate, não derivado dos faxinais, mas sim, resultante de corte seletivo da mata natural, para a implantação de pastagens, em propriedades individuais.
No próximo artigo, mais algumas considerações relacionadas a sombras naturais.
Referência:
Parte de texto apresentado pelos Eng. Agrônomos Celso H. S. Polycarpo Filho Luis Roberto Dell Agostinho Neto, Marcelo L. Moretti e Nathália N. Mourad na disciplina de forragicultura, oferecida pelo departamento de zootecnia ESALQ-USP.
Citações:
MARTINS, J.L. Avaliação da Qualidade Térmica do Sombreamento Natural de algumas Espécies Arbóreas em condição de pastagem Campinas, dezembro - 2001.
BAGGIO, A. J.; CARPANEZZI, 0. B. Alguns sistemas de arborização de pastagens. Curitiba: Boletim Pesquisa Florestal, (17), 39-46, dez. 1988.
Material escrito por:
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PALMARES - PERNAMBUCO
EM 08/08/2020

BOM JESUS DA SERRA - BAHIA - OVINOS/CAPRINOS
EM 15/09/2019

IPIRÁ - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 16/10/2017

CAPITÃO LEÔNIDAS MARQUES - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 10/04/2016
Tem algum estudo sobre o uso da grevilha para sombreamento?

MOGI MIRIM - SÃO PAULO - OVINOS/CAPRINOS
EM 04/03/2016
Tenho algumas cabeças de gado de leite em Botucatu e gostaria de saber que especie arbore é indicada para plantio proximo aos piquetes.
Obrigada

FOZ DO IGUAÇU - PARANÁ
EM 27/03/2014
Obrigado!
BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PESQUISA/ENSINO
EM 24/03/2008
Apesar de grande aumento no interesse pelo Nim Indiano, eu ainda desconheço dados científicos sobre a sua produção. Quando ao espaçamento das árvores, este íten será aboradado no próximo artigo.
Obrigada

JURUENA - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 19/03/2008
Existe algum experimento usando o Nim Indiano ou a teca em sistemas silvopastoril? E qual seria o espaçamento ideal para que haja um bom desenvolvimento do capim e uma boa densidade de árvores.
BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PESQUISA/ENSINO
EM 03/03/2008
Quanto ao bambú, o que posso te dizer é que deve tomar cuidado com a proliferação do mesmo na área de pastagem, pois poderá tornar de difícil controle. Quanto a Leucena, a dificuldade que eu sei é a de consumo pelo animal, pois trata-se de uma árvore de grande palatabilidade para o animal. O eucalipto seria de rápido crescimento, cerca de 2 anos já faz grande sombra. Quanto a plantar árvores de crescimento tardio junto com árvores de crescimento rápido, esta é sim uma ótima alternativa.
Estou à disposição,
abraço
BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PESQUISA/ENSINO
EM 03/03/2008
Obrigada
Rafaela

SÃO SIMÃO - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 02/03/2008
Grato,
Luciano

CIANORTE - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 29/02/2008
Muito importante sua colocação com referência à sombra para bovinos. No meu caso, possuo vacas leiteiras, e tenho sombra de árvores, onde uso com rodizios, sendo assim não forma barro.
Abraço
Fidelis.