Sobre Jacarés, Pântanos e Vacas
Ao visitar produtores em Arapoti, logo ao chegar na Cooperativa, vi no Setor de Rações um Informativo do Setor de RH dirigido aos funcionários que estão envolvidos na implantação de um programa de 5S, que na verdade deveria ser artigo de capa de qualquer informativo publicado para produtores e técnicos envolvidos na atividade leiteira.
Publicado em: - 2 minutos de leitura
O Informativo abordava sobre a relação entre Planejamento e a execução de tarefas utilizando-se de um exemplo muito interessante. Um proprietário possuía uma grande área alagadiça e fora autorizado a drená-la. Procurou técnicos muito competentes que elaboraram um projeto completíssimo sobre como drenar o Pântano. De posse do mesmo contratou especialistas na execução da obra e que logo começaram a trabalhar no interior do Pântano. Nem bem iniciaram a drenagem, apareceu o primeiro jacaré, que imediatamente foi morto, e assim se passou o primeiro dia, mal começavam a se ocupar com a drenagem, e aparecia um jacaré que era caçado e morto. Com o passar dos dias a drenagem não avançava, mais os técnicos cada vez se tornavam mais especializados em caçar jacarés.
Vocês podem estar se perguntando, o quê que Jacarés, Pântanos tem a ver com vacas. É que a drenagem do pântano simboliza a realização do planejamento e os jacarés as inúmeras tarefas não planejadas que aparecem no dia a dia desviando-nos do objetivo, principalmente quando não temos domínio do negócio, e que impedem que o real objetivo seja alcançado que é o de drenar o pântano.
Quando escuto questionamentos sobre Gestão e Planejamento, lembro-me da grande atração que muitos têm pelos caçadores de jacarés. Ao invés de planejar e procurar explorar as reais potencialidades do seu negócio, seja tecnificado ou não, com rebanho especializado ou azebuado, empresarial ou familiar, muito produtores buscam exemplos de produtores com enormes pântanos e técnicos especialistas em caçar jacarés. Assim vemos produtores investindo em tecnologias úteis e eficazes que não funcionam na sua propriedade, pela simples razão que quase nada funciona quando falta comida boa e farta. Não existe programa reprodutivo, IATF, TE que consiga prosperar na penúria. Não há como encontrar viabilidade econômica quando o desperdício de recursos e esforços é baseado em irrealidades e vaidades.
Para muitos não encontra eco falar em Planejamento, Previsão Alimentar, Gestão Laboral, Estratégias de Produção. São atividades que parecem não ter impacto, são atividades para drenar o pântano, não são atividades de por a mão na massa, como muitas vezes escutamos. Para produtores com problemas e visão imediatista o que importa é matar jacarés, mesmo que isto só resolva momentaneamente seus problemas. Ter de pensar para uma década, planejar para os anos seguintes e trabalhar para realizar este planejamento, realmente soa sem sentido quando os jacarés estão mordendo a perna. Porém se não procurarmos planejar e principalmente realizar o planejado, fará com que sempre tenhamos cada vez mais jacarés para matar.
Assim vemos grandes potenciais sendo desperdiçados pela falta de visão do negócio, com produtores sempre buscando fora a incapacidade em drenar o pântano e nunca se perguntando porquê tem tantos jacarés a matar. O único e grande problema é que o sucesso é reservado aos técnicos e produtores que ao invés de desperdiçar seu tempo matando jacarés, conseguem reunir esforços para drenar o pântano.
Material escrito por:
Mario Sérgio Zoni*
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BONITO - MATO GROSSO DO SUL
EM 23/10/2006
Realmente, aqui na região não dão valor às pessoas com capacitação. Espero que isso realmente mude para que possamos mostrar nossas capacidades.

JÚLIO DE CASTILHOS - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 18/10/2006
Primeiramente, parabéns pela forma de abordar o tema, simplesmente magnífico. Eu venho notando uma mudança muito grande em parte das propriedades de leite - começa a surgir o empresário do leite e desaparecer o tirador de leite.
Há uma profissionalização do setor no centro do Rio Grande do Sul. Um indicador é a demanda por cursos do Sebrae-RS nas áreas de gestão, capacitação e qualidade total - e são cursos pagos.
Como educador do Sebrae sinto em cada curso mais empresários sendo formados. Precisamos que isto se multiplique pelo Brasil.
MOGI MIRIM - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 18/10/2006
Parabéns, gostei muito do artigo. Sou estudante de zootecnia e considero o planejamento e o gerenciamento "peças chaves" para resolver qualquer problema, só gostaria de saber se a "contratação" de um caçador também não faz parte do planejamento? acho que o "drenador" responsável deve sempre ter como prioridade o seu planejamento, mas também não tiro o mérito dos caçadores (eles resolvem problemas a curto prazo, mas resolvem), não é fácil trabalhar com uma enxada, imagina só se tiver um jacaré correndo atrás de você.
Concluindo, acho que o grande problema não são os caçadores ou os produtores que se surpreendem com resultados a curto prazo, mas sim os drenadores que não percebem que tem jacarés no local onde será feita a drenagem e ainda se transformam em caçadores. E considero importante o papel do caçador quando há um drenador com objetivos claros o gerenciando.
Mais uma vez parabéns!!!!!
abraço
ANGATUBA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 07/10/2006
RIBEIRÃO PRETO - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 28/09/2006
Mãos a obra! Vamos pegar os enchadões...
<b>Resposta do autor:</b>
Caro José Ultímio
Este é realmente o foco principal da questão, como você tão propriamente abordou na entrevista para o Fazendo a Diferença e em sua mensagem agora. O mercado está necessitando de técnicos que assumam posturas comprometidas com o futuro da propriedade, que se vejam como parceiros do proprietário, que ao olhar um silo de milho bem feito ou de uma capineira bem manejada, ao ver um parto ou uma boa vaca sendo ordenhada sintam que o seu trabalho ajudou para que aquilo acontecesse.
Quando os produtores demandarem estes profissionais, ao invés dos caçadores, talvez leremos menos relatos de insucessos e dificuldades de caixa e teremos um universo de técnicos e produtores com coisas boas para contar. Pelo grande número de pessoas que estão se interessando como vemos em eventos sobre Gestão na Pecuária, acredito que este dia está muito próximo.
Um abraço
Mário Sérgio Ferreira Zoni

PASSO FUNDO - RIO GRANDE DO SUL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 25/09/2006
Em primeiro lugar, é bom saber que profissionais que passaram pela escola que estudei proporcionam informações de alto valor aos técnicos da área.
Assim como o leitor Luiz Escovar Arregui, que foi meu orientador, busco implementar o conceito da gestão nos produtores do município que trabalho. E, com certeza, vou utilizar a sua dica de me prender a poucos problemas, que trazem grandes soluções.

QUIRINÓPOLIS - GOIÁS - FRIGORÍFICOS
EM 20/09/2006

PASSO FUNDO - RIO GRANDE DO SUL - MÉDICO VETERINÁRIO
EM 19/09/2006
Luiz Escovar Arregui
<b>Resposta do autor:</b>
Em resposta a seu e-mail enviado ao Milkpoint, posso lhe dizer que felizmente consigo aplicar nas propriedades em que trabalho os conceitos de gestão que citei no artigo. Uma dica de possível início de trabalho é o de usar nas propriedades o conceito de Paretto, que é procurar dispender todo o seu empenho de trabalho em 20% dos problemas que afetam 80% do resultado.
A partir do momento que os principais problemas começam a ser identificados, trabalhados e resolvidos, os demais problemas tornam-se facilmente sanados, pelo grau de compromisso mútuo que se firma entre técnico e proprietário.
Abraço,
Mário Sérgio Ferreira Zoni
<b>Luiz Escovar Arregui:</b>
Prefeito a tua colocação, captei a idéia, mas em relação aos números do faturamento, como fazer os produtores entenderem ou sentirem necessidade de discutir sobre o assunto? Trabalho com empresas familiares, que em média tiram 1000 litros por dia.
Abraço Arregui
<b>Reposta do autor:</b>
Luiz,
Apesar de trabalhar com propriedades maiores, o envolvimento da família ou do proprietário é muito intenso, até pelo fato dos proprietários morarem na mesma área.
Quanto ao fato das propriedades em que você atua serem menores não muda o foco principal do negócio, que é o de ganhar dinheiro. Sendo assim, acredito que possa haver até maiores facilidades na adoção de propostas de melhoria, pois os principais interessados são as pessoas que conduzem todo o negócio, agora se a dificuldade financeira não é motivo de preocupação para o proprietário, não há estratégias que possam convence-lo a mudar de atitude.
Uma sugestão é procurar trabalhar com um produtor mais receptivo e utilizar o seu sucesso como fator motivador para outros proprietários.
Um abraço
Mário Sérgio Ferreira Zoni

UMUARAMA - PARANÁ - FRIGORÍFICOS
EM 16/09/2006