Produção de cabras leiteiras no semi-árido
Nos últimos anos, a caprinocultura leiteira vem assumindo importante papel no contexto do agronegócio brasileiro. Atualmente, a produção de cabras leiteiras vem se caracterizando como uma atividade de grande importância cultural, social e econômica para a região, desempenhando um papel crucial no desenvolvimento do Nordeste.
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A região semi-árida nordestina tem vocação natural para a produção animal e, em particular, para a exploração da caprinocultura, sendo que o leite tem alto valor nutritivo e os derivados lácteos têm boa aceitação no mercado (FILHO & ALVES APUD NUNES 2002).
No entanto, atualmente, a produtividade alcançada pelos produtores ainda encontra-se em baixa. O que pode ser considerado como um entrave para a inserção competitiva no mercado nacional de produtos pecuários.
A caprinocultura leiteira vem passando por transformações estruturais e os sistemas produtivos tradicionais deverão emergir em novas formas de organização com enfoque no agronegócio.
Segundo MORAES NETO et al., (2003), a caprinovinocultura representa uma excelente alternativa de trabalho e renda, tendo em vista a produção de alimentos de alto valor biológico (leite, carne e vísceras), bem como de pele de excelente qualidade, além da adaptabilidade dos animais aos ecossistemas locais.
Segundo HOLANDA JÚNIOR (2006), a produção comercial brasileira de leite de cabra está concentrada nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil, onde são coletados pelas principais indústrias de processamento cerca de oito mil toneladas de leite de cabra por ano (GUIMARÃES & CORDEIRO, 2003), citados por HOLANDA JÚNIOR (2006).
Na região Nordeste, parte da produção não é enviada para as indústrias especializadas no processamento, sendo destinada ao consumo familiar ou comercializada misturada ao leite de vaca (SIMPLÍCIO & WANDER, 2003).
A comercialização ocorre principalmente na forma de queijo e fluido (leite in natura, resfriado e congelado). Uma parcela expressiva da produção é destinada ao consumo familiar, sendo o restante entregue aos pontos comerciais ou vendido diretamente aos consumidores, com ou sem transformação na propriedade ou em outros laticínios.
A oferta cada vez mais variada de produtos tem exigido maior eficiência de todos aqueles envolvidos na atividade e, nesse sentido, devem ser considerados dois pontos de fundamental importância.
O primeiro ponto é a qualidade aplicada ao leite, referindo-se à sua qualidade higiênica, composição, volume, sazonalidade, nível tecnológico e saúde do rebanho. Os ganhos em eficiência no processamento industrial, aliados às características organolépticas do produto final, fazem com que a qualidade da matéria-prima seja um atributo cada vez mais considerado pelas indústrias de laticínios.
O segundo é a produtividade. A tendência mundial na atividade leiteira é de redução das margens de lucro e os processos de industrialização do leite e distribuição de derivados têm exigido volumes crescentes. Maior produtividade diminui o capital investido por litro de leite produzido, reduzindo o custo e, conseqüentemente, aumentando o lucro.
Segundo BORGES & BRESSLAU (2002), antecipar estas tendências e adequar-se da melhor forma possível pode significar a sobrevivência do produtor, que deve buscar a especialização na produção de leite para melhor aproveitamento dos fatores de produção como, capital, terra e trabalho e aumento da produtividade do rebanho e do volume de produção.
Acredita-se que a caprinocultura leiteira, modelada em planos estratégicos, visando ao seu fortalecimento e à sua ampla expansão, apresentar-se-á como um instrumento capaz de contribuir de forma significativa, a alcançar os objetivos das políticas de Segurança Alimentar e Nutricional no Brasil. Mas, para tanto, precisa-se de ações corretas e atitudes dignas, desde a parte governamental até o criador e, também, de uma forte união entre todos os setores competentes, pois, só assim, poderá contribuir para um futuro melhor e um milênio sem fome.
Referências Bibliográficas
BORGES C.S H. P. ; BRESSLAU S. Produção de leite de cabra em confinamento. In: VI Simpósio de Pecuária do Nordeste - PECNORDESTE III Semana da Caprino ovinocultura Brasileira Fortaleza, junho 2002
FILHO,N.A.; ALVES,O.M. Potencialidades da cadeia produtiva da ovinocaprinocultura na região Nordeste do Brasil. Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste- ETENE. Sobral: Banco do Nordeste do Brasil, 2002.
HOLANDA JÚNIOR, E. V. Sistemas de produção de pequenos ruminantes no semi-árido do nordeste do Brasil. 53 p. (Documentos / Embrapa Caprinos, 2006.
MORAES NETO, O.T., A. Rodrigues, A.C.A. Albuquerque e S. Mayer. 2003. Manual de capacitação de agentes de desenvolvimento rural (ADRs) para a Caprinovinocultura. SEBRAE/PB. João Pessoa. 114 p.
SIMPLÍCIO, A. A.; WANDER, A. Organização e gestão da unidade produtiva na caprinocultura. In: CONGRESSO PERNAMBUCANO DE MEDICINA VETERIN ÁRIA, SEMINÁRIO NORDESTINO DE CAPRINO-OVINOCULTURA, 5, Recife, Brasil. Anais... Recife, Brasil, p. 177-187, 2003.
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Material escrito por:
Magno Cândido
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Marco Aurélio Delmondes Bomfim
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NATAL - RIO GRANDE DO NORTE - OVINOS/CAPRINOS
EM 26/11/2008
O negócio da caprinocultura leiteira e de corte, como também a ovinocultura dá certo, só que o governo olha para essas atividades como atividades de subsistência, quer dizer só serve para o pobre ter algo que comer e as vezes vender. Tenho me deparado sempre com a mesma coisa, o nordeste sempre é o primeiro a introduzir e querer incentivo em alguma atividade agropecuária, mas por falta de apoio e por falta de visão de nosso governantes sempre acontece que outra região aproveita o "Boom" do setor e dispara na frente do Nordeste, assim aconteceu com a Cana-de-açúcar e agora com a caprinovinocultura.

UNAÍ - MINAS GERAIS - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS
EM 26/11/2008

ITAPIPOCA - CEARÁ - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE LEITE
EM 30/10/2008

SÃO FRANCISCO DO SUL - SANTA CATARINA
EM 22/10/2008

FORTALEZA - CEARÁ - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE LEITE
EM 21/10/2008

ITAPIPOCA - CEARÁ - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE LEITE
EM 21/10/2008
fico feliz pelo seu interesse na caprinocultura e agradeço pelas sugestões que poderão ser abordadas nos próximos artigos.
Abraços,

RIBEIRÃO PRETO - SÃO PAULO
EM 20/10/2008
- Sei de experiência, que na criação de ovinos de modo técnico, consegue-se maior rentabilidade do que engordar bois, e quase na proporção de 5 parfa 1. Gostaria de que um bom entendedor, fizesse este estudo. Obrigado, Élcio