Porque ainda insistem em acabar com o leite tipo B?

Mostra que impedir a produção de leite tipo B prejudica a maioria dos produtores de leite que não tem condições de beneficiar o produto na propriedade, prejudica o consumidor e não contribui para melhorar a qualidade do leite. Mostra a posição da Leite São Paulo contra medidas no RIISPOA e IN 62 que possam impedir a produção do leite tipo B, justificando essa posição. E que é necessário ficar bem claro quem é contra a produção de leite tipo B e quais os motivos que justificam essa proibição.

Publicado por: MilkPoint

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Porque ainda insistem em matar o leite tipo B?

A extinção do leite tipo C teria que ser feita pois o padrão mínimo do leite pasteurizado é superior e o que está no mercado atinge esse padrão.

A extinção do leite tipo B não só teria sentido quando o padrão mínimo do leite pasteurizado superar o padrão do tipo B e no mercado, tanto o leite cru refrigerado e o produto final pasteurizado estiverem efetivamente dentro do padrão estabelecido.

Essa era a posição da leite São Paulo, encaminhada ao DIPOA/MAPA quando soubemos que a IN 67 excluía o leite tipo B. Outras entidades tiveram a mesma posição e foi convocada uma reunião em Brasília no dia 17 de janeiro passado para discutir essa questão, onde infelizmente não me foi possível estar presentes por compromissos anteriormente assumidos, mas enviamos nossa posição ao DIPOA.

Em função dessa reunião o leite  tipo B será reintroduzido na IN 62, mas ainda com o equívoco do regulamento valer por 2 anos.

A Leite São Paulo entende que a imposição de um prazo limite curto produção de leite tipo B, alegando que em termos da IN 62 o regulamento do pasteurizado equivale ao do leite tipo B, é um erro pois isso acontece  só no papel.

Com relação à matéria prima hoje muitos produtores não conseguem produzir nem com 750.000 para CCS e CBT, e a própria IN 62 só prevê atingir 400.000 para CCS e 100.000 para CBT a partir de 2016. Será que isso acontecerá? A realidade é que hoje os produtores credenciados para produzir leite cru para tipo B tem menos de 100.000 para CBT e se não estão dentro do limite de 400.000 para CCS estão muito próximo disso!

Por isso a Leite São Paulo solicitou à Coordenação das Câmaras Setoriais, que na reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados que essa questão fosse incluída na pauta da reunião que seria realizada no dia 02 de fevereiro.

Nessa reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de leite Derivados, Mayara Souza, do DILEI/DIPOA/MAPA explicou que os motivos do MAPA pretender acabar com o leite B é que era necessário acabar com o "abecdário", ficando apenas o leite tipo A e o leite pasteurizado, e que nas propostas de modificações do RIISPOA constava a eliminação do leite tipo B, que essa era a opinião dos técnicos do MAPA e que isso foi discutido com a cadeia produtiva nas discussões sobre modificações do RIISPOA. Mas que em função de negociações na reunião  dia 17 de janeiro, o DIPOA  consentiu que a IN 62 será republicada, com inclusão do leite tipo B até 2014 para as regiões Sul e Sudeste e até 2015 para as regiões Centro-Oeste e Sudeste.

Ora, a colocação da Mayara de Souza dá a entender  que a exclusão do leite tipo B é uma decisão já tomada pelo DIPOA, apenas retardada em função de pleito de algumas entidades representativas de produtores  e da indústria.

Mas a realidade parece não ser essa, pois Francisco Sergio Ferreira Jardim, Secretário da Defesa Agropecuária., ao qual o DIPOA e DILEI são subordinados, nos assegurou que o Luiz Carlos de Oliveira , Diretor do DIPOA, colocou que a mudança do RIISPOA é uma proposta que está ainda em discussão, e que apesar de já ter sido debatida em alguns fóruns, é ainda passível de alterações. Jardim disse ainda que o Ministro é altamente sensível aos problemas do setor produtivo, e o que o MAPA não é contra a produção do leite tipo B, e o que quer é uma política que favoreça a melhoria da qualidade do leite, a competitividade da indústria  e a melhoria da renda do produtor.

Essa fobia para acabar com o leite tipo B por parte de técnicos do MAPA é estranha, jogando todo leite pasteurizado pela indústria, a partir do leite cru refrigerado coletado nas granjas, numa vala comum, pois compara uma realidade do presente ( leite tipo B) com uma hipótese que pode ou não ser atingida a partir de 2016 ( leite pasteurizado no mercado ), sem considerar que o próprio regulamento do leite tipo B possa evoluir e se manter acima do padrão previsto para o leite pasteurizado! Isso não contribui em nada para a melhoria da qualidade do leite no Brasil, e o que o RIISPOA e a IN 62 tem que estabelecer são padrões mínimos de identidade para o leite pasteurizado beneficiado na granja e para o leite pasteurizado beneficiado nas indústrias a partir do leite coletado nas granjas.


Ora se tiver que ficar apenas dois tipos de leite, deveriam ficar apenas o tipo A que caracterizaria o leite beneficiado na granja e o tipo B beneficiado nos lacticínios com matéria prima fornecida pelos produtores. E justifico isso, pois o leite tipo B é produzido a mais de 40 anos e o consumidor, que o identifica como um produto de qualidade superior ao mínimo exigido para o leite pasteurizado, asociará facilmente que todo o leite pasteurizado produzido pela indústria teve um "up-grade". Subistituir o tipo B por um produto simplesmente pasteurizado poderá ser entendido que ficou no mercado apenas o leite pasteurizado de baixa qualidade, e reduzir o já restrido mercado para leite pasteurizado, uma vez que no Brasil o leite longa vida representa 70% do mercado de leite fluído, o que acontece em bem poucos países, até mesmo por ter uma embalagem que encarece o produto.

Argumentos como a necessidade de extinguir o "abecedário" só podem ser fruto de ingenuidade ou má fé.

Aliás, é estranho a pressão para extinção do leite tipo B, que já havia quando foi emitida a IN 51 em 2002, a ponto da Associação dos Produtores de Leite Tipo B ser extinta e minguar o mercado, não só do leite tipo B como do pasteurizado enquanto o leite longa vida, mais caro, absorvia fatia cada vez maior do leite fluído.

A Leite São Paulo na reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados se posicionou firmemente contra a extinção do leite tipo B na IN 62 e contra qualquer alteração no RIISPOA que possa ser contra a existência de um Regulamento de Identidade e Qualidade de Leite Pasteurizado que impeça a produção de leite cru refrigerado e leite cru pasteurizado em padrão superior ao padrão mínimo e ao nome que esse padrão possa ter, pois julgamos que um nome já consagrado como o tipo B e associado a mais de 40 anos como um produto de qualidade não pode ser eliminado sob alegação de que é preciso acabar com o "abecedário" ou outra alegação qualquer que não seja incontestável.

Contamos que a ABILP. que vem assistindo a redução do mercado do leite pasteurizado, se posicionará firmemente contra a extinção do leite tipo B e a melhora do padrão desse produto no que for factível para que  os padrões desse esse produto seja superior ao padrão mínimo para o pasteurizado.

Esperamos  que o MAPA através do RIISPOA e da IN 62,  definam os padrões mínimos para leite pasteurizado na granja e pasteurizado na indústria e não impeça a produção pela indústria de  leite pasteurizado com padrão acima do mínimo. Esperamos que na reedição da IN 62 seja  o prazo de vida que deu para produção do leite tipo B, mas se no futuro, em função da evolução real da qualidade dos produtos,  ficarem apenas dois  tipos de  leite pasteurizado no mercado, que fiquem o tipo A, beneficiado na granja e o tipo B, beneficiado nos lacticínios.

No nosso  entender insistir em eliminar o leite tipo B não contribui em nada para a melhoria da qualidade do elite e prejudica a maioria dos produtores de leite do Brasil que não tem condições de beneficiar o leite na sua propriedade, e, principalmente, o consumidor brasileiro. 

 Pelos motivos expostos a posição da Leite São Paulo é clara: somos contra qualquer alteração no RIISPOA que possa impedir a produção de leite pasteurizado tipo B e a imposição de prazo para produção do leite tipo B na reedição da IN 62.

É preciso que fique bem claro quem  insiste em proibir a produção de leite tipo B e quais suas razões para isso.

Marcello de Moura Campos Filho
  Presidente da Leite São Paulo
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