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Okara: coproduto com grande potencial de inclusão em dietas de vacas leiteiras

POR THOMER DURMAN

E GERALDO TADEU DOS SANTOS

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/10/2015

4 MIN DE LEITURA

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*Autores do artigo:

Thomer Durman: Programa de Pós-Graduação em Zootecnia (PPZ) da Universidade Estadual de Maringá (UEM) – Doutorado.

Geraldo Tadeu dos Santos: Professor Titular do Departamento de Zootecnia e do PPZ/UEM.


Para que um sistema produtivo leiteiro seja eficiente se faz necessário aliar bons índices zootécnicos com máxima eficiência econômica. Para tal, buscam-se ferramentas e estratégias que visem uma produtividade com menor custo possível, sem deixar de atender a todas as exigências nutricionais, sanitárias, reprodutivas, unida a boas práticas de manejo, saúde e bem-estar animal. A utilização de coprodutos da agroindústria tem por objetivo atender a este desafio, bem como direcionar corretamente um resíduo industrial de relevante impacto ambiental caso descartado incorretamente. Porém, com representativa produção, mas com pouco explorado o okara, ou resíduo de polpa de soja, se apresenta como um produto com grande potencial de utilização em dietas de vacas leiteiras. O okara se destaca pelo baixo custo, bom valor. O coproduto de soja é resultado de moagem úmida do processo de obtenção do extrato aquoso de soja (leite de soja) ou queijo-tofu, e após ser desidratado, se apresenta como uma farinha que mantém a boa qualidade nutricional e pode ser adicionado como ingrediente nas dietas de vacas leiteiras.

O nutriente mais oneroso de uma dieta é a proteína, o qual está geralmente em deficiência nas pastagens e volumosos em geral, assim, para atender as exigências nutricionais de vacas em lactação, é preciso utilizar ingredientes que atendam a tal necessidade, geralmente se optando pelo farelo de soja, o qual possui uma alta concentração proteica (45% +- de proteína bruta), porém tem se tornado cada vez mais caro, fazendo com que o custo final da dieta se eleve. Em contra partida, o okara também apresenta boa porcentagem de proteína bruta (+- 31%) e óleo (+-8%) na composição, bem como sem ter um custo elevado, sendo em alguns lugares descartado ou utilizado para adubação.

Entretanto, o okara deve ser seco rapidamente, devido ao alto conteúdo de umidade (aproximadamente 80%), desta forma pode-se evitar deterioração e contaminação microbiana do produto e prolongar o período de utilização. Durante a secagem, um dos aspectos mais importantes a serem considerados é a preservação da qualidade da proteína, a qual pode ser afetada pelas condições de secagem.

Figura 1 - Okara em sua matéria natural (base úmida).


Desta forma, para ilustrar o potencial de utilização do okara para vacas leiteiras, o Núcleo Pluridisciplinar de Pesquisa e Estudo da Cadeia Produtiva do Leite do Departamento de Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) tem realizado experimentos com a utilização deste ingrediente tão pouco conhecido. Assim, para demonstrar um método de secagem acessível aos produtores rurais, o okara obtido numa agroindústria da cidade de Maringá, foi distribuído uniformemente numa superfície para secagem de forma natural. É importante que a camada de okara para secagem seja o mais fina possível e que seja revolvida ao menos 2 a 3 vezes ao dia, para que se evitem moscas e fungos. Ademais, deve ser escolhido um local na propriedade que tenha acesso a mais horas de sol ao dia possível. Após seco o okara deve ser moído e armazenado em local em local seco e protegido.

Para mistura no concentrado, o produtor pode incluir de 10 a 30% (base na matéria natural). Incluindo-se 30% de okara, por exemplo, para cada 100 kg de ração misturada, 30 kg serão de okara, sendo os 70 kg restantes de outros ingredientes como milho, farelo de soja, sal mineral, etc. Em quantidades suficientes para atenderem as exigências nutricionais das vacas.

Figura 2 - Okara em processo de secagem natural.


Em pesquisa na UEM, foram testados os níveis de 0% (sem okara na ração), 10%, 20% e 30% de inclusão de okara no concentrado. Foram avaliadas a produção de leite (corrigida para 4% de gordura) e a composição do leite (gordura, proteína, lactose, CCS e NUL). Os resultados (Figura 1) demonstraram uma produção e qualidade do leite semelhante entre os animais, independente de quanto havia de okara na dieta, demonstrando que é possível reduzir os custos da dieta, sem alterar a produtividade dos animais e a qualidade do leite produzido.

A produção de leite e a porcentagem de gordura no maior nível de inclusão de okara são inferiores comparadas à dieta sem okara na composição. Esta redução de 2 litros na produção de leite e da mudança de 3,2 para 2,8 no percentual de gordura ocorre devido à alta concentração de óleo e fibras no okara, fazendo com que se tenha redução na produção de gordura pela glândula. Entretanto, considerando que o custo da dieta é bem menor, mesmo com a redução na produção, a inclusão é economicamente viável.

Figura 3 - Produção de leite (corrigida para 4% de gordura) e qualidade do leite de vacas alimentadas com diferentes níveis de okara na dieta.


A decisão do produtor quanto a utilização deste coproduto na alimentação deve ser tomada a partir de análise de viabilidade de utilização e comparando ao custo de mercado do farelo de soja. Em adição, deve-se ter conhecimento da proximidade com a agroindústria, para que o frete não encareça muito o coproduto. A cotação de setembro de 2015 para comercialização de farelo de soja foi de R$1,30/kg, já o okara seco custou R$ 0,26, fazendo com que as formulações que possuam mais okara em sua composição apresentem custo inferior. Para formulação dos concentrados utilizados no experimento teve-se o custo da menor para a maior inclusão de okara (0, 10, 20 e 30%) de R$ 0,75; R$ 0,71; R$ 0,67; R$ 0,62. Portanto, podemos economizar até 10,7% quando se faz a inclusão de 20% de okara na formulação de concentrado, sem que haja diminuição na produção de leite e de seus componentes, demonstrando grande potencial de otimização dos lucros da propriedade leiteira com a inclusão de okara como ingrediente de formulações de ração para vacas em lactação.
 

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ELTON PEREIRA DA SILVA

AREIA - PARAIBA - ESTUDANTE

EM 22/02/2016

Parabéns, ótimo artigo. Se trata de um assunto a ser bastante explorado quando se fala em nutrição de ruminantes, no intuito de baratear os custos.



Muito, Thomer Durman.
THOMER DURMAN

MARINGÁ - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 09/11/2015

Olá ,

Existem poucos trabalhos que tenham ilustrado o uso deste produto na dieta de ruminantes. Para animais de corte encontrei este trabalho com animais em crescimento. Também se pode observar o valor nutricional do produto por eles utilizado.

http://old.eaap.org/Previous_Annual_Meetings/2011Stavanger/Papers/Published/S56_Villalba.pdf
CARLOS FRANCISCO GEESDORF

CAMPINA GRANDE DO SUL - PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE CORTE

EM 28/10/2015

Bom dia.

Parabéns pelo estudo e pela matéria, é importante que tenhamos a pesquisa também voltada para a redução de custos de produção em todas as áreas da pecuária.

Gostaria de receber a informação de alguma indústria ou outro segmento que comercializa este produto e também, se possível dos pesquisadores se existe algum trabalho ou pesquisa sobre este produto para adição em arraçoamento de bovinos ou caprinos de corte.

Obrigado.

Carlos
VICTOR JOSE RODRIGUEZ VILLEGAS

PIRACICABA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 27/10/2015

Ele tem informações do valor nutricional de Okara, obrigado.
SÉRGIO BUSTAMANTE ABREU

CRISTINA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/10/2015

Na nossa região, Sul de Minas, chamamos de massa de soja e chegamos a usa-la na sua forma natural. Porém tem que ser consumida em uma semana. O processo de secagem é muito interessante, mas se a industria for seca-lo, o custo já eleva muito e seca-lo na fazenda acumulará custo de mão de obra e área adequada. Muito interessante para pequenos produtores.
JOÃO ALEXANDRE RIBEIRO

MORRINHOS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/10/2015

É muito importante saber que pessoas estão preocupadas em buscar alternativas de custo benefício para atividade leiteira. Parabéns pela pesquisa.
ALCIDES JORGE MONTAGNA

JAGUARIÚNA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/10/2015

Parabéns aos pesquisadores da UEM ajudando nosso Brasil. Barateando os custos e aumentando a produção. Tudo de bom e tchau AJMontagna
ALEXANDRE BERNARDI

CHAPECÓ - SANTA CATARINA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 25/10/2015

Olá;

Alguma empresa já demonstrou interesse em processar o Okara e comercializar já seca e moída, pronta pra utilização numa fábrica de rações?
NELSON FREITAS

CURITIBA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/10/2015

Parabéns, muito boa materia
GUILHERME FERNANDO MATTOS LEÃO

CASTRO - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 23/10/2015

Parabéns pelo trabalho. Muito informativo!

Abraços
COMERCIAL ENTRE IJUIS

PALMEIRA DAS MISSÕES - RIO GRANDE DO SUL

EM 23/10/2015

Estou começando no ramo de atividade gado de corte preciso saber qual raça e qual pastagem também seriam melhor para o ramo
THOMER DURMAN

MARINGÁ - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 23/10/2015

Olá Gustavo,

O okara deste projeto foi fornecido pela COCAMAR. Procure por Industrias locais que processam soja a fim de obter leite de soja.
GUSTAVO FRANCISCO CARVALHO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 23/10/2015

Bom dia . Alguém sabe informar onde comprar okara??
MilkPoint AgriPoint