Quando voltamos, os animais já estavam lá, quase prontos. Mais uma vez montei o Infinito, um cavalo castanho que tem a altura de um Campolina, o porte de um Mangalarga e anda como um Quarto de Milha, ou seja, um puro pangaré. Desta vez Vitor ficou impressionado com o Fogo da Vida, eu creio que mais pelo nome do que pelo cavalo em si, e logo o escolheu. Pedro montou seu velho conhecido Lampião, um cavalo tordilho bem manso. Para Mathews, que da primeira vez preferiu não andar, já estava pronto o Simbad: um pouco desproporcional, pois era o menor de todos.
A tropa saiu para um passeio de uma hora. O clima estava realmente nos ajudando, principalmente quando passávamos debaixo das árvores na beira da estrada. Um cheiro tão bom! Impressionante como meninos de cinco anos aprendem rápido. Pedro e Vitor quiseram ir sozinhos, já controlando os cavalos. Ficamos, eu e Gian, que trabalha no Rancho Country, apenas montando a guarda, um a frente e o outro na retarguada, de olhos no movimento dos carros e motos que por ventura passassem. Vitor queria mais era correr com o cavalo, mas eles são bem condicionados e fazem apenas o que querem.
Já na volta, eu, do alto no Infinito, escuto Pedro dizer – “Pai, quero ser fazendeiro!” Naquele momento senti uma sensação bem bacana, um misto de emoção e orgulho. Já que o Brasil é o primeiro do mundo em carne, tanto bovina quanto de frango; líder mundial de exportação de açúcar, café, suco de laranja e soja, mesmo carecendo de infra-estrutura e políticas relacionadas a impostos mais justas, por que não estimular os meninos a entrarem nesta engrenagem? Sei que eles vão fazer o que quiserem, o que eles gostarem... Contudo, acredito que a gente só pode gostar do que conhece. Aliás, a única coisa que explica o fato de eu estar hoje trabalhando dentro do agronegócio é essa paixão, que por sinal foi estimulada por meu avô Amynthas, que vez ou outra me levava para passear no Parque da Água Branca, em São Paulo.
Na volta, descendo a serra no sentido a Taubaté, pensando nos momentos que havíamos acabado de passar e ainda ouvindo Emmerson Nogueira (Pedro pediu para repetir uma música que ele havia gostado), senti que talvez a semente já possa ter sido plantada, e em solo fértil. Basta agora cuidar com carinho que, certamente, os frutos virão.