O efeito do número de partos, tipo do piso da instalação, dias em lactação e época do ano sobre a ocorrência de cascos com sola fina

A ocorrência de solas finas tem sido, cada vez mais, um motivo de preocupação em rebanhos confinados. O presente artigo irá relatar os dados obtidos em um estudo com 3221 vacas em lactação, confinadas em <i>Free-stall</i> com piso de concreto ranhurado.

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A ocorrência de solas finas tem sido, cada vez mais, um motivo de preocupação em rebanhos confinados. O presente artigo irá relatar os dados obtidos em um estudo com 3221 vacas em lactação, confinadas em Free-stall com piso de concreto ranhurado.

Nos últimos anos, muitos estudos sobre afecções podais têm enfatizado a importância das solas finas em rebanhos confinados. A sola fina, não é propriamente uma lesão podal, mas sem dúvida é uma característica que reduz significativamente o conforto animal e favorece a ocorrência de lesões podais.

Uma sola normal possui certa de 7mm de espessura na região próxima à pinça do casco, esta espessura, geralmente, é suficiente para resistir às ações mecânicas e químicas do meio externo. A espessura da sola é resultante da taxa de crescimento versus a taxa de desgaste da sola. A taxa de crescimento da sola é influenciada pela idade, pela dieta e pelo o período de luminosidade no dia (fotoperíodo). Enquanto que a taxa de desgaste da sola está associada com o tipo de piso, baixo conforto animal, baixa qualidade do tecido córneo e a taxa de umidade do tecido córneo.

Dados de pesquisa evidenciaram que vacas com solas finas apresentam maior umidade no casco (37% de umidade nos anteriores e 40% nos posteriores) do que as vacas com solas de espessura normal (31% de umidade nos anteriores e 33% nos posteriores).

As características da sola fina são: muralha curta (comprimento inferior à 7,5 cm), sola macia e flexível à pressão dos dedos. As 3221 vacas foram avaliadas durante um ano, e as lesões podais observadas neste período foram também anotadas, sendo possível a realização de um levantamento da incidência das afecções, conforme apresentado na Tabela 1.

Tabela 1. Lesões diagnosticadas em 3221 vacas leiteiras durante o período de doze meses.

Figura 1

A incidência de sola fina foi alta (32,8%), sendo maior que quase todas as lesões podais, exceto a dermatite digital. As vacas de segunda lactação apresentaram uma incidência de sola fina mais alta que as vacas de primeira e de terceira lactação. A incidência de sola fina foi similar nos períodos de lactação 61-200 e 201-365 (DEL) sendo significativamente mais alta que a incidência nos períodos de lactação 0-61 e mais de 350 dias em lactação (DEL).

Em relação à época do ano, no período de agosto à dezembro ocorreram um maior número de casos. O efeito do tipo de piso foi também significativo sobre a ocorrência de solas finas, 21,8% de incidência nas vacas de primeira cria confinadas em Free-stall com concreto ranhurado, versus 4% após a instalação de borracha nos corredores da instalação (durante 9 meses de observação, antes e após, a instalação da borracha).

Tabela 2. Número de partos e ocorrência de sola fina.

Figura 2

Tabela 3. Estágio da lactação (DEL) e a ocorrência de sola fina.

Figura 3

Concluindo, os dados encontrados evidenciam a alta incidência de cascos com sola fina em rebanhos confinados, e enfatizam a importância desta característica do casco. O grande fator envolvido com esta questão é o conforto animal e outros trabalhos de pesquisa serão realizados para identificar os principais fatores predisponentes e orientar sobre as medidas de controle específicas para este problema.

Fonte:

van Amstel, R.S.; Shearer, J.K.; Palin, F.L.; Cooper, J.; Rogers, G. The effect of parity, days in milk, season and walking surfaces on thin soles in dairy cattle. In: International Symposium and Conference on Lameness in Ruminants, 14., 2006, Colonia del Sacramento. Proceedings. Colonia del Sacramento: {s.n.}, 2006.
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Material escrito por:

Renata de Oliveira Souza Dias

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PAULO GUIMARAES
PAULO GUIMARAES

DATAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 01/06/2012

Vc deve sempre jogar cal para desinfetar e matar toda e qualquer bacteria inclusive carrapatos e outras pragas,que por muito tempo estão no solo ,e quando molha vem na lama,tambem a quantidade de ração não pode ser superior 1k por 3lt leite acima de 10 litros .

Outra coisa tambem é o piso no local da ordenha vc deve por borracha onde as vacas estão sendo ordenhadas ,porque pelo visto são vacas pesadas e ficam muito tempo em pé até tirar todo leite.

talvez possa te  ajudar.

Paulo Guimaraes
wells martins
WELLS MARTINS

SÃO JOÃO BATISTA DO GLÓRIA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/01/2012

Estou p/ construir um free stall , gostaria de conhecer algum que teria piso de borracha na cama na região de Passos MG
Rafael Pedral Sampaio Cunha
RAFAEL PEDRAL SAMPAIO CUNHA

CURITIBA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/06/2011

Temos gado jersey, 270 no total, 74 na ordenha; free stall, cama de borracha e piso de concreto; 16 patologias de casco (laminite?), 14 estão na ordenha; alimentação do free stall é silagem, ração (determinada pelo veterinário) e verde (aveia ou capim) quando disponível. Reprodução apenas com inseminação; onde tem uma propriedade a cerca de 40 km de Curitiba que tenha piso de boracha para conhecer?


Rafael Pedral Sampaio Cunha
RAFAEL PEDRAL SAMPAIO CUNHA

CURITIBA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/06/2011

Temos gado de leite Jersey; atualmente 74 vacas na ordenha e 178 vacas no total; As vacas de ordenha ficam em free stall, com camas de borracha e o piso é de concreto; a sala de ordenha fica a 10 metros; piso de concreto a passagem; tem lava pés e pedilúvio; temos 16 vacas com problema de casco (laminite?), 14 delas na ordenha; A alimentação é silagem e ração (determinada pelo veterinário) e verde (aveia ou capim); Só se usa inseminação com touros registrados na Ass. de criadores de gado Jersey, Estamos querendo fazer alguma alteração no piso; o piso é lavado 2 vezes por dia com água que vem do bio digestor, e o material vai todo para o bio gás; nossa propriedade fica na região de Toledo-Pr; gostaríamos de conhecer instalações que tenha piso de borracha numa área de 200 km de Curitiba, ou de Toledo e gostaríamos de sua indicação.
Guilherme Alves de Mello Franco
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/05/2007

Prezada Dra. Renata,

Meu rebanho é composto de animais puros, da raça holandêsa (PO e PC), criados em regime de confinamento total, indo à pasto somente à noite, após a terceira ordenha. Ocorre que meu sistema é "tie stall", onde cada vaca tem a sua baia, não entrando em contato com as outras, a não ser o visual. As baias são compostas de piso de areia. O restante do estábulo é piso de concreto, mas as vacas somente passam por esta parte para dirigir-se à sala de ordenha, que fica a uns trinta metros.

Para chegar até ela, os animais passam por um curral que é calçado de pedras (como as ruas de algumas cidades), local em que elas também ficam, quando estamos limpando as camas e recolocando a alimentação (cinco vezes ao dia, por meia hora cada vez).

Apesar de tudo o que lhe relato, tenho alguns problemas de gaburro e de apodrecimento de cascos. Poderia ser fruto de algum distúrbio alimentar, mas, como as vacas são submetidas a uma dieta balanceada, competente para a sua produção individual (média de 46,5 litros/dia/animal), acho pouco provável que o motivo seja este.

Já me disseram que é o calçamento de pedra que anda provocando estes problemas, mas, como as vacas ficam pouco tempo em contato com a área calçada, também não entendo que seja este o motivo. Outros, que seria o concreto do curral de espera da ordenha, mas, as vacas ficam pouco tempo nele, só o espaço de serem ordenhadas. O interessante é que uma vaca, que esteve por dois meses seca, sem vir ao curral, ficando a pasto até parir, também apresentou o problema ainda quando estava no pasto. Qual será a causa? Você tem condições de me orientar em como resolver a questão?

Obrigado.

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

<b>Resposta da autora:</b>

Prezado Giulherme,

Obrigada por enviar sua pergunta.

Obrigada tambeém pela detalhada orientação sobre as condicoes do rebanho, isso ajuda muita minha resposta.

O primeiro ponto que precisa ser comentado é o diagnóstico: será que estas lesões são mesmo o gabarro e a podridao de casco? (digo isto, porque estas lesões não são características deste ambiente que você relatou). Mas podem ocorrer exceções e podemos estar frente a uma exceção (publiquei no Brasil em 2002 e em 2003 um Atlas sobre Afecções Podais e nele
você verá as fotos das lesões mencionadas acima, bem como o procedimento de
controle e tratamento. Na biblioteca da EV da UFMG tem exemplares).

O segundo ponto (considerando que as lesoes sao gabarro e podridao): o melhor controle para o gabarro é o pedilúvio de Sulfato de Cobre (5%), este
pedilúvio também será uma boa ajuda para a podridão.

Estas lesões têm associação com a contaminação do ambiente e uma boa faxina no curral é uma opção (limpar e caiar). Imagino, pelo que você relatou, que a
instalação é bem limpa, mas estas são as medidas de controle básicas destas lesões. Separe os animais com casos de podriadão avancado, elas contaminam o
ambiente, o que aumenta a propagação desta lesão.

O terceiro ponto é tratar rapidamente com antibiocoterapia os casos de podridão e descartar animais com o quadro clínico muito avancado (somente
com um exame de um veterinário é possivel determinar estes quadros). Não se
preocupe com o gabarro, e trate apenas os casos que tenham alguma ferida aberta; o pedilúvio vai amenizar os quadros e reduzir novos casos.

O quarto ponto é um palpite meu (mesmo estando tão longe do que anda acontecendo nas fazendas do Brasil). Procure confirmar se não existem casos
paralelos/oportunistas de verruga de casco! E um outro ponto que vale a pena ressaltar é que estas lesões podem não ter associação com a nutrição, mas
com uma média alta como você relatou em seu rebanho, os animais estão sempre
expostos a um certo grau de laminite.

Espero ter ajudado. Qualquer dúvida, volte a escrever. Fico satisfeita em poder colaborar de alguma forma com suas vacas.

Com atenção,

Renata Souza Dias
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