Leite orgânico: o desafio

Em 2007, o percentual de fazendas de leite orgânico nos USA foi de 1,7%. Apesar da pequena fatia de produtores, o interesse dos consumidores nos produtos lácteos de origem orgânica é crescente. Muitos produtores têm a curiosidade de entender o mecanismo da produção de leite orgânico e gostariam de saber quais são os requisitos.

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Em 2007, o percentual de fazendas de leite orgânico nos USA foi de 1,7%. Apesar da pequena fatia de produtores, o interesse dos consumidores nos produtos lácteos de origem orgânica é crescente.

Muitos produtores têm a curiosidade de entender o mecanismo da produção de leite orgânico e gostariam de saber quais são os requisitos. Uma importante informação é "aceitar o conceito de que uma menor produção de leite por animal irá ocasionar uma menor incidência de problemas de saúde no rebanho", ou seja, animais com menor desafio, produzem menos, mas terão mais saúde e longevidade.

Um produtor que deseja produzir leite orgânico deve considerar os seguintes pontos:

- O conforto animal é uma premissa básica para a produção;
- A prevenção é a chave mestre da atividade;
- Compreender que máxima produção não é o objetivo de uma fazenda orgânica;
- Fatores essenciais para o sistema: ar fresco, camas secas, pastos bem manejados, forragem de boa qualidade.

Ainda falta, em todo o mundo, um maior número de pesquisas voltadas para o aspecto econômico da produção de leite orgânico. Bem como, faltam profissionais de campo gabaritados para divulgar os dados obtidos nas fazendas e apresentar aspectos de manejo que mais se adaptaram a cada tipo de propriedade. Assim como foi feito durante anos com os profissionais de campo (no método de produção convencional), é também importante que os profissionais que trabalham com fazendas de leite orgânico troquem experiências e descubram o melhor manejo para cada tipo de fazenda. Notem que não estamos abordando ainda as questões de tratamento, é necessário, antes de qualquer coisa, adaptar o manejo da propriedade.

Em relação ao uso de medicamentos, ao contrário do que muitos pensam, é permitido e necessário algumas intervenções e o uso de alguns produtos. Nos Estados Unidos, por exemplo, não é permitido em fazendas orgânicas o uso de antibióticos e hormônios em sub-doses e como promotor de crescimento. Porém, há uma lista de produtos sintéticos que podem ser utilizados, tais como oxitocina (vacas pós-parto), ivermectina (seguindo critérios de descarte do leite), vacinas, xylazina, atropina, etc.

Todos os produtos, sua liberação ou restrição podem ser encontrados no "National Organic Standard". Além disso, o "Organic Material Review Institute" é sempre uma boa fonte de informação para o técnico/produtor que se interessa sobre os detalhes da produção orgânica.

Os problemas sanitários estão também presentes nas fazendas orgânicas, mas apresentam algumas diferenças. Observa-se uma menor incidência de acidose rumenal e enfermidades associadas a esta síndrome. Em relação aos problemas de casco, por exemplo, são observadas nas fazendas orgânicas lesões associadas ao Abscesso de Sola, Podridão de Casco e Verruga de Casco; já no sistema convencional as lesões estão associadas à laminite (úlceras de sola e pinça), Solas finas e Verrugas de Casco. As piometras são um desafio nas fazendas de leite orgânico, e merecem atenção especial na prevenção.
Alguns produtores imaginam que uma fazenda de leite orgânico não necessite da assistência de um veterinário, mas ao contrário disso, nas fazendas orgânicas é essencial a orientação de um técnico com experiência no sistema de produção orgânico e que possa ensinar os caminhos e os melhores atalhos para o sucesso no manejo, no tratamento e na prevenção.

A tendência é que o veterinário que saiba manejar e cuidar de animais em fazendas orgânicas seja extremamente procurado no futuro, por isso, é muito importante que as faculdades possam formar profissionais capacitados com ênfase para a exploração de leite orgânico.

Fonte:
Wren, G. Working with organic dairies. Dairy Herd Management, 01/Maio, 2008.
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Material escrito por:

Renata de Oliveira Souza Dias

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MARCIA DE AGUIAR FERREIRA
MARCIA DE AGUIAR FERREIRA

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PESQUISA/ENSINO

EM 13/11/2009

Acho que é importante esclarecer que os critérios estabelecidos para os padrões de qualidade do leite orgânico são os mesmos aplicados ao leite convencional e estão contidos na IN51/2002; que a única diferença, em termos de legislação, está relacionada aos sitemas de produção.
E a IN 51 estabelece "tolerância zero" para a presença de antibióticos e substâncias químicas no leite fluído (independentemente de ser orgânico ou convencional) e é claro que não poderia ser diferente! Portanto, a colocação do sr. Ricardo está correta!
Nutricionalmente, de acordo com a literatura, há uma maior concentração de alguns ácidos graxos no leite orgânico em relação ao convencional, mas nada que o torne um alimento com composição "diferente e/ou melhor" do que o leite obtido pelo sistema convencional. As mesmas proteínas estarão presentes, os mesmos carbohidratos, lípideos, sais minerais, vitaminas, etc...
Quanto à qualidade, relacionada à manutenção das suas características físico-químicas e microbiológicas, são necessárias pesquisas que avaliem esse leite em relação ao convencional, mas é fato que, quando as boas práticas são adotadas na ordenha, no beneficiamento/armazenamento e nos pontos de venda, as chances de o consumidor estar levando para casa um produto de excelente qualidade, são grandes e, mais uma vez, isso não depende de ser um leite do "tipo orgânico ou convencional".
Renata Souza Dias
RENATA SOUZA DIAS

CAMPINAS - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 06/11/2008

Prezado Ricardo Soares Coelho,

Concordo e entendo sua preocupação da qualidade acima de tudo.
Mas, apesar dos problemas de qualidade do leite consumido no Brasil, o fato é que o leite certificado como orgânico é um leite produzido de forma diferente do leite convencional.
O MAPA determina as normas para a produção orgânica, mas também há necessidade de certificação desses produtos por meio de empresas específicas, que conferem um selo ao produto, atestando-o como sendo orgânico. A Instrução Normativa 007/1999, de 17/05/1999, dispõe detalhadamente sobre as normas de produção, tipificação, processamento, envase, distribuição, identificação e certificação da qualidade para os produtos orgânicos de origem vegetal e animal, na qual são detalhadas as etapas de conversão e transição das propriedades rurais que os produzem.

Com atenção,

Renata Souza Dias
Renata Souza Dias
RENATA SOUZA DIAS

CAMPINAS - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 06/11/2008

Prezada Elídia Zotelli dos Santos,
Obrigada por enviar sua pergunta.
A Embrapa possui pesquisadores envolvidos com o tema. Os pesquisadores Rubens Neiva (neiva@cnpgl.embrapa.br) , Jorge Macau (61) 3448-4590 são pessoas envolvidas nesta área.
Além da Embrapa, em Santa Catarina, há também pesquisadores da Udesc (Gilmar Gomes e Weber Robazzi) e, o Sebrae da região oeste de Santa Catarina está envolvido com um programa de certificação e seleção das propriedades que farão parte do programa de leite orgânico. Segundo o pesquisador Gilmar de Almeida Gomes: " esse projeto orgânico coloca a região na produção do que há de mais moderno no mundo, que são os produtos "fair trade", ou seja, produtos que resultam de ações e conceitos de responsabilidade social e ambiental". "É papel da ciência contribuir para uma produção limpa e sustentável".
Com atenção,
Renata Souza Dias

Renata Souza Dias
RENATA SOUZA DIAS

CAMPINAS - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 06/11/2008

Prezado Wesley Quintiliano Felix,

Obrigada por enviar sua pergunta.

A produção de leite orgânico no Brasil ainda é restrita, mas já existem nichos de mercado que pagam mais pelo produto e, conseqüentemente, já existem alguns produtores seguindo esta tendência mundial. O preço pago pelo litro de leite varia de 50 a 80 % maior que o pago pelo leite convencional, variando consideravelmente com a região do Brasil.

A região Sul do Brasil é a região com a maior produção, seguida da região sudeste, mas a produção diária é ainda pequena.

Estou enviando abaixo alguns produtores no Brasil, acredito que uma visita na unidade produtora mais próxima da sua região seja interessante para saber detalhes sobre a produção, a certificação e finalmente à comercialização do produto. Uma das unidades certificadoras é a IBD Certificações - Instituto Biodinâmico, localizada em Botucatu/ SP.

Com atenção,

Renata Souza Dias

ABIO - Núcleos produtores de laticínios no estado do Rio de Janeiro : Itaboraí / Cachoeiras
/abio.htm


Capril DeVille (certificada pela ABIO) - queijo e leite de cabra
Rua J Carlos, 90/902 (End. p/ correspondência) - Jd. Botânico - Rio de Janeiro /RJ - CEP 22.461-130

Cooperativa Sítio Pé na Terra (certificada pela Coolméia)
Estrada Geral Morro dos Bois, 2085 - Lomba Grande - Novo Hamburgo / Rio Grande do Sul - CEP 92420-050

Fazenda Acauã Ltda (certificada pelo IBD)
Pov. Tanque de Pedra, Zona Rural S/N -Nossa Senhora da Glória / SE

Fazenda Malunga (certificada pela AAO)
Colônia Agrícola Lamarão, Ch. 16, PAD-DF
www.malunga.com.br

Fazenda Timbauba Alimentos Organicos Ltda (certificada pelo IBD)
Rod. AL120 Km 02 Zona Rural - Cacimbinhas / Alagoas - CEP 57570-000

Fazenda Vale das Palmeiras (certificada pelo IBD)
Venda Nova Teresópolis - Sebastiana - Teresópolis / Rio de Janeiro
www.valedaspalmeiras.com.br


Laticínios Taigor´s Ltda (certificado pelo IBD)
Rua Joaquim Tomaz da Silva, 30 - Jd. Maracanã - Uberaba / Minas Gerais - CEP 38042-010

Laticínio Valle D´oro Ltda (certificado pelo IBD) - mozzarella de búfala orgânica
Av. Cecy Almada, 175 - Jardim Hatori - Registro / São Paulo - CEP 11900-000
www.mozzarellaeos.com.br / atendimento@mozzarellaeos.com.br


Mocó Agropecuária Ltda (certificada pelo IBD) - Leite e queijos (Saint Paulin, Reblochon e Coalho)
Fazenda Tamanduá - s/n CP.65 - Patos / Paraíba - CEP 58.700-970
info@fazendatamandua.com.br


Oto Bernardo Britz (certificado pelo IBD) - queijos minas, padrão e parmesão
Linha Mathias Lenz - Interior - Quatro Pontes / Paraná - CEP 85940-000

Sítio Bahia/Demétria (certificado pelo IBD)
Caixa Postal 102 - Botucatu / São Paulo - CEP 18603-970

Sítio Caipirinha (certificado pelo IBD)
Estrada Vicinal Pradinho Botucatu - Bairro Rural - Botucatu / São Paulo - CEP 18600-000

Sítio Jatobá (certificado pela AAO)
Jatobá Produtos Agroecológicos - Caixa Postal 2027 - Ouro Fino / Minas Gerais - CEP 37570-000

Sonia & Lília (certificada pela ABIO) - leite de cabra
Rua Saquarema, 1308 - Cascata - Santo Aleixo - Magé / Rio de Janeiro - CEP 25920-000



Altair José de Medeiros
ALTAIR JOSÉ DE MEDEIROS

GRAMADO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/10/2008

Parabéns pela abordagem!
Muitos produtores ainda acham que orgânico é o leite puro, somente com pasto e água!
Sucesso!
Ricardo Soares Coelho
RICARDO SOARES COELHO

CASCAVEL - PARANÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 19/10/2008

Existe leite inorgânico? Não me entendam mal, sou extremamente preocupado com qualidade dos produtos vendidos e consumidos. Mas existe a necessidade de se diferenciar leite como produto orgânico? No caso dos lácteos não existe um sistema de inspeção, que deva avaliar a presença de antibióticos, sendo assim qual a diferença entre uma propriedade que use antibióticos (e respeite o período de descarte) e as produtoras de leite orgânico com homeopatia e fitoterápicos.

Quais os padrões de qualidade que são observados nas "propriedades orgânicas"? Será que teremos um padrão de Células somáticas e unidades formadoras de colônias melhores que nas demais propriedades?
Fatores reais para determinação de qualidade devem ser observados.

E a normativa 51? Quando será realmente implementada e limitada coleta de leite com níveis elevados de CCS e UFC?

Devemos lutar para aumentar o consumo de leite e garantir sua qualidade, livre de aditivos (água oxigenada e soda, como já foi utilizado).
Elídia Zotelli Dos Santos
ELÍDIA ZOTELLI DOS SANTOS

SÃO PAULO - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 16/10/2008

Olá Renata,

Parabéns pelo artigo,
Gostaria de saber se há Universidades ou centros de Pesquisa aderindo a pesquisas relacionadas a produção de leite orgânico.

Aguardo resposta,
Obrigada
WESLEY QUINTILIANO FELIX
WESLEY QUINTILIANO FELIX

CRUZÁLIA - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 08/10/2008

Gostaria de saber o preço pago por este leite que, sem duvidas, é de maior qualidade e onde posso entregá-lo, já que sou do interior de São Paulo e desconheço laticínios aptos para receberem este produto de maior qualificação, já que o publico alvo consumidor é um pouco mais reduzido.
Sou filho de pecuarista leiteiro e tenho interesse em implantar este sistema de produção em nossa propriedade. Obrigado e aguardo resposta.
ANGELA P ESCOSTEGUY
ANGELA P ESCOSTEGUY

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 26/09/2008

Caro José Moura

Em Brasília existe a Fazenda Malunga que é produtora de laticínios orgânicos. Vale a pena visitar e conhecer o processo.
Você pode pedir mais detalhes para a Coordenação de Agroeoclogia do Ministério da Agricultura, em Brasília, fone: 61. 32182453. Eles também poderão te indicar profissionais da região que trabalham com produção orgânica.
Um abraço e boa sorte
Angela Escosteguy
Coordenadora da CPORG/RS e do
Programa Pró-Orgânicos no RS/MAPA
José Manoel de Oliveira Moura
JOSÉ MANOEL DE OLIVEIRA MOURA

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/09/2008

Tenho uma pequena propriedade em Goiania, estou interessado em produzir leite organico, existe algum profissional aqui para me auxiliar?
Qual a sua dúvida hoje?