Integração entre piscicultura e bovinocultura leiteira

Você já pensou em unir na sua propriedade piscicultura com produção de leite? Descubra como essa integração pode transformar resíduos em lucro e tornar sua fazenda mais sustentável.

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A integração entre piscicultura e bovinocultura leiteira surge como uma alternativa sustentável para produtores que desejam diversificar e agregar renda. O uso de esterco bovino enriquece viveiros de peixes, aumentando a produtividade e reduzindo custos com ração. A água dos tanques pode ser reaproveitada para irrigar pastagens, transformando resíduos em fertilizantes naturais. Essa prática melhora a alimentação do rebanho e pode gerar lucro em períodos de baixa produção de leite, tudo com planejamento e gestão adequados.
Se a fazenda dispõe de muita água, e o produtor pretende diversificar a produção, adotando métodos mais sustentáveis e, quem sabe, agregando uma nova fonte de renda. Por que não integrar? 

Esta possibilidade vem ganhando espaço no mercado agropecuário: a integração entre piscicultura e bovinocultura leiteira. É algo novo e talvez nunca visto e pode parecer, à primeira vista, que peixe e vaca não dão certo, mas quando olhamos para os sistemas produtivos de forma estratégica, e enxergando o potencial individual de cada atividade e o quanto as duas juntas podem ser interessantes, começa a parecer mais real e não mais loucura.

 

Integração entre Piscicultura e Pecuária Leiteira: Uma Solução Sustentável

Insumos, alimentação, energia e mão de obra são fatores que apertam o bolso do produtor. Ao integrar sistemas, o produtor pode aproveitar melhor os recursos que já têm na fazenda. Exemplo disso é o uso do esterco bovino, que pode ser tratado e utilizado para enriquecer viveiros de peixes, especialmente em sistemas com espécies como tilápia ou tambaqui, que se beneficiam de ambientes ricos em matéria orgânica (Bom ribeiro; Marques; Albuquerque, 2023). 

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Em viveiros adubados promovem o desenvolvimento de plânctons tanto fitoplâncton quanto zooplâncton, servindo de alimento natural para os peixes, contribuindo para o aumento da produtividade e redução do custo com rações formuladas (Nyberg et al., 2024; FAO, 2025). Claro, tudo isso deve ser feito com acompanhamento técnico e dentro das normas ambientais, não é simplesmente jogar o esterco na água e pronto. O objetivo é criar ciclo fechado, produtivo e seguro.

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E se engana quem acha que só os peixes saem ganhando nessa história. A água dos tanques, abundante em nutrientes naturais, podem ser reaproveitadas para irrigar pastagens e cultivos de milho, sorgo ou capineiras que alimentarão as vacas. Assim, aquilo que antes era eliminado, agora se converte em fertilizante natural, diminuindo a necessidade de adubos químicos e favorecendo para solos mais saudáveis (Palhares, 2021). É a natureza agindo em benefício nosso!

O mais interessante de tudo isso, é que possibilita diversificação ou até mesmo nova fonte de renda para o produtor. A aquicultura possibilita obter esse adicional no final do mês, especialmente em épocas de baixa produção de leite, como na estiagem. Normalmente o ciclo da tilápia bem gerido, por exemplo, pode assegurar lucratividade significativa em apenas 5 a 6 meses, utilizando espaços reduzidos e bem cuidados. É mais uma alternativa de receita com risco reduzido, pois a infraestrutura já faz parte da propriedade e os recursos muitas vezes já estão disponíveis, como a água de poço, córrego ou mesmo do rio em abundância.

E o bem-estar animal como é avaliado? Em vários pontos! A qualidade da alimentação do rebanho, com forragens mais nutritivas, influencia diretamente a saúde e a produtividade das vacas. Adicionalmente, ao empregar biodigestores (que utilizam tanto esterco quanto resíduos da piscicultura), é viável produzir energia para a ordenha, aquecer água ou até garantir ambiente mais agradável para os animais, especialmente em áreas quentes.

Portanto é errado pensar que peixe com vaca leiteira não combinam, esta integração é sim possível para propriedades pequenas, médias ou grandes. Não exige investimento inicial altíssimo, mas sim planejamento, orientação técnica e boa gestão. Mais do que isso, ela representa novos olhares para o sistema produtivo, olhar mais inteligente e sustentável.

Referências bibliográficas

Bom Ribeiro, Gabriela; Marques, Rita de Cassia Gonçalves; ALbuquerque, Daniele Menezes. Combination of sheep fertilizer and probiotic improves zootechnical performance of Nile tilapia. Research, Society and Development, v.?14, n.?5, p.?1–16, 2023.

Campeche, D. F. B.et al. (2019). Produção de peixes integrada à agricultura familiar. Embrapa Meio Norte – Documento Técnico.

Food and agriculture organization of the united nations (fao). The nutrition and feeding of farmed fish and shrimp: chemical fertilization of aquaculture ponds increases phytoplankton and consequently zooplankton, enhancing natural fish feed. Rome: fao, 2025.

Nyberg, Oskar; Novotny, Andreas; Sbaay, Ashraf S.; Nasr-allah, Ahmed M.; Al-kenawy, Diaa A. R.; Rossignoli, Cristiano M.; Henriksson, Patrik J. G. Aquaculture pond fertilization increases plankton and fish production with organic manures compared to inorganic fertilizers. Aquaculture Reviews, 2024.

Palhares, J. C. P. (2021). Aproveitamento de resíduos de produção como fertilizantes MilkPoint. Disponível em: www.milkpoint.com.br

Silva, V. S. et al. (2024). Uso de efluentes da piscicultura na fertirrigação de forrageiras. Revista observatório de la economia latinoamericana, 24(1), 1–8.

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Material escrito por:

Alessa Pereira Diniz Araújo

Alessa Pereira Diniz Araújo

Zootecnista, mestrando em Zootecnia (com ênfase em tecnologia, piscicultura, bem-estar), com atuação na área piscicultura e agronegócio.

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Adriano Carvalho Costa

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Julio Palhares
JULIO PALHARES

SÃO CARLOS - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 25/08/2025

A integração da piscicultura com outras espécies animais não é nova. No Brasil os casos de maior sucesso são a integração de peixes com suínos, utilizando os dejetos destes como fertilizantes nos viveiros. A Epagri de SC já fazia pesquisas com isso desde 1980, mas no início dos anos 2000 este tipo de integração já perdeu força. Entre os diversos motivos o processo de intensificação da piscicultura. Sistemas integrados tem produtividades bem menores que sistemas intensivos. Hoje um criador comercial de tilápia dificilmente optaria por um sistema integrado. Então este tipo de integração pode ser uma alternativa para pequenos e médios produtores de leite que dispõe de água em abundância e mercado consumidor local para compra dos peixes
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