Fotoperíodo: efeitos na lactação e no período seco
Você sabia que a manipulação do fotoperíodo é uma ferramenta de manejo utilizada para aumentar a produtividade de vacas leiteiras? Acesse e confira mais sobre o assunto!
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O fotoperíodo tem sido muito estudado e os dados de pesquisa apontam que, nos períodos de dias longos, a produção leiteira aumenta 8 a 10% em relação aos dias mais curtos, sendo que na maioria dos casos, as vacas aumentam também a ingestão de matéria seca. O leite produzido por animais manejados com maior exposição à luz não apresenta alterações de proteína ou sólidos totais, mas pode apresentar uma leve redução no conteúdo de gordura. Todavia, o aumento na produção de leite é superior aos custos decorrentes do aumento da ingestão de matéria seca e da leve redução de gordura.
A luminosidade está associada a uma série de mecanismos fisiológicos. Quando a luz incide sobre os olhos, inicia-se uma cascata de eventos hormonais, que leva à redução do hormônio melatonina. Por outro lado, durante a escuridão, ocorre aumento da secreção de melatonina. Em bovinos leiteiros já foi comprovado que a melatonina tem efeito negativo sobre a ingestão de matéria seca e sobre a produção de leite. Entretanto, vale a pena ressaltar que a melatonina é apenas um dos primeiros hormônios afetados pelo fotoperíodo. Pesquisas já demonstraram que a manipulação do fotoperíodo durante a lactação afeta significativamente as concentrações de prolactina e IGF-1.
Em termos gerais, a manipulação artificial do fotoperíodo consiste na manutenção de dias longos com 16 horas de luz e 8 horas sem luz. Já os dias curtos são caracterizados por 8 horas de luz e 16 horas sem luz. É importante destacar que os pesquisadores já avaliaram os efeitos da exposição à luz durante 24 horas e publicaram que tal prática não é recomendada e não causa acréscimo à produção de leite.
O impacto dos dias longos na produção de leite foi observado inicialmente em 1978 por pesquisadores da Universidade de Michigan (USA). Nesta ocasião, as vacas expostas à luminosidade durante 16 horas (16 horas de luz / 8 horas no escuro) produziram 2,0 litros/dia a mais que o grupo controle, durante os primeiros 100 dias da lactação. Após esta pesquisa, vários outros estudos foram realizados para avaliar os efeitos do fotoperíodo e esta técnica tem sido usada para estimular a produção de leite em várias regiões do mundo.
Além das vacas em lactação, o fotoperíodo também foi estudado nas vacas secas. Mas neste caso, ao contrário das vacas em lactação, foi observado que a menor exposição à luminosidade leva a um aumento da produção na próxima lactação. Pesquisadores da Universidade de Maryland (USA) avaliaram a manipulação do fotoperíodo durante o período seco e seus efeitos na próxima lactação. Foi observado que as vacas previamente expostas a dias curtos produziram 3,2 Kg/dia a mais de leite que as vacas expostas a dias longos no período seco, a avaliação foi conduzida durante 16 semanas após o parto.
Pesquisadores observaram que durante o período seco a exposição a dias mais curtos deprime a secreção de prolactina e aumenta os níveis de receptores de prolactina na glândula mamária. Com isso, há maior diferenciação celular e desenvolvimento de células secretoras de leite na glândula mamária. Há também estudos demonstrando que a redução da luminosidade durante o período seco estaria associada com a melhora da atividade imunológica (redução da mastite e da retenção de placenta).
A maioria dos trabalhos sobre o fotoperíodo foi realizada nos Estados Unidos, Canadá e Europa, regiões que nesta época do ano (outubro à abril) há significativa redução da luminosidade. Na Suécia, por exemplo, nesta época do ano o dia fica mais claro por volta das 10:00 horas da manhã e já é noite por volta das 3:00 horas da tarde. Além disso, após o mês de dezembro, por causa da neve, os animais ficam alojados em instalações fechadas. Sob estas características climáticas é simples entender a importância do manejo do fotoperíodo. Mas, e no Brasil? Em nossas condições tropicais o manejo do fotoperíodo ainda merece maiores estudos para se determinar os efeitos na produção de leite. Todavia o conhecimento dos efeitos da luz e do manejo do fotoperíodo é importante.
Existe um número razoável de rebanhos no Brasil alojados em instalações escuras, sem iluminação artificial. Isso ocorre principalmente no Sul do país, mas também pode-se encontrar instalações escuras no Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Muitos até tem iluminação, mas não há ênfase na reposição de lâmpadas queimadas ou na simples limpeza das lâmpadas, que devido às sujidades do ambiente, quase não iluminam mais. Enfim, detalhes como estes, podem ser facilmente contornados e monitorados após a compreensão da importância da luminosidade e poderão determinar efeitos positivos no resultado econômico da atividade.
Fonte:
Dahl, G.E.; Buchanan, B.A.; Tucker, H.A. Photoperiod effects on dairy cattle: A review. J. Dairy Sci., v.83, p.885-893, 2000.
Auchtung, T.L.; Rius, A.G.; Kendall, P.E. McFadden, T.B. Dahl, G.E. Effects of photoperiod during the dry period on prolactin, prolactin receptor, and milk production of dairy cows. J. Dairy Sci., v.88, p.121-127, 2005.
Material escrito por:
Renata de Oliveira Souza Dias
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PELOTAS - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO
EM 02/09/2020
O assunto merece seguir sendo discutido aqui na revista Milkpoint. Contribuindo com o tema. Ao ler o material citado, de 1978, publicado na revista Science (n. 199, p. 911-912 => https://science.sciencemag.org/content/199/4331/911), os autores concluem que: "Dezesseis horas de luz por dia (114 a 207 lux) aumentaram o ganho de peso e a produção de leite de 10 a 15% em bovinos da raça Holandesa em comparação com bovinos expostos a fotoperíodos de comprimento natural (39 a 93 lux) de 9 a 12 horas. O ganho de peso foi obtido sem aumento do consumo de ração. A manipulação da luz suplementar pode, portanto, causar aumentos dramáticos no fornecimento de alimentos dos animais".
No trabalho de Dahl et al. (2000) os autores concluem que fotoperíodo "curto" (<12h de luz/dia) é recomendado para vacas no período seco e novilhas nos 2 meses finais de prenhez, afim de tornar os animais mais responsivos/sensíveis ao manejo do fotoperíodo longo. Para os animais em ciclo de lactação, o tratamento com fotoperíodo "longo" (16h de luz) promoveu aumento na produtividade, em média, 2,5kg/vaca/dia.
Como escrevi, caberia seguir-se abordando o assunto, pois no Brasil é crescente o número de criações em sistemas Free-stall e Compost barn, onde manipulamos a ambiência como um todo.

LAGES - SANTA CATARINA - ESTUDANTE
EM 13/12/2007

CAPIM GROSSO - BAHIA
EM 07/12/2007
São perguntas que merecem respostas para se utilizar a tecnologia com maior eficácia e eficiência pois pode servir também à criação semiconfinada.

MARECHAL CÂNDIDO RONDON - PARANÁ - ESTUDANTE
EM 06/12/2007
Nesse caso o estudo da luminosidade é muito importante, como o presente estudo comprovou.
<b>Resposta da autora:</b>
Prezado Alexandre
Obrigada por participar enviando seu comentario sobre o tema.
Apesar de não ser um assunto de extrema utilidade em nosso país, concordo que é importante entender sobre o tema e buscar pesquisas que possam avaliar o manejo da luminosidade em nossas condicoes e com animais de diferentes graus de sangue.
Atenciosamente,
Renata Souza Dias

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 06/12/2007
<b>Resposta da autora:</b>
Prezado Thiago,
Obrigada por enviar sua pergunta. Desconheço estudos sobre esse tema com gado mestiço.
Caso alguem tenha alguma informação, seria interessante conhecer os dados.
Atenciosamente,
Renata Souza Dias

SÃO LUÍS - MARANHÃO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 04/12/2007
Qual tipo de luz mais indicado, e que quantidade é necessário para se atingir esse manejo?
<b>Resposta da autora:</b>
Prezado Francisco,
Obrigada por enviar sua pergunta sobre o tema.
Estou enviando o endereco de um pequeno site onde vc encontrara estas informacoes e cálculos considerando a area da instalacao.
http://www.livestocktrail.uiuc.edu/photoperiod/
Atenciosamente,
Renata Souza Dias

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 04/12/2007
No apagão de 2001, quando todos tivemos que reduzir o consumo de eletricidade, eu apaguei as luzes do free stall e a produção caiu em média 2,5litros/vaca.dia.
Passou a sobrar no cocho 50% da dieta colocada no fim da tarde. Troquei todas as lâmpadas que eram do tipo misto por outras de alto rendimento e o consumo da dieta e a produção de leite retornaram aos patamares anteriores.
É uma técnica que recomendo a todos que mantêm gado no free stall.
<b>Resposta da autora:</b>
Prezado Arthur,
Obrigada por enviar sua opinião e vivência sobre o tema. Muito interessante ter informacao sobre o sucesso da técnica no estado de São Paulo.
Atenciosamente,
Renata Souza Dias