Fotoperíodo artificial para indução da ciclicidade em pequenos ruminantes
No artigo anterior, "Influência da sazonalidade na reprodução de ovelhas e cabras", vimos que a atividade reprodutiva destes animais segue o padrão de ciclicidade restrito a determinados períodos por influência do fotoperíodo. De acordo com a região em que os animais são criados, a eficiência reprodutiva e produtiva é comprometida pelo padrão sazonal de produção de crias e elevado intervalo entre partos, resultado de grandes períodos improdutivos. Uma das alternativas para induzir a manifestação de estro e a ovulação fora da estação reprodutiva é o fotoperíodo artificial.
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Baseado no princípio que regula a atividade reprodutiva dos animais sazonais - número de horas de luz por dia - o tratamento consiste em introduzir luz artificial e manipular a mudança de dias longos para dias curtos. A manobra tem sido realizada com sucesso para machos e fêmeas de caprinos e ovinos.
Os animais são submetidos a tratamentos de dias longos (16 horas de luz e 8 horas de escuro) por 60 ou 75 dias. A iluminação artificial pode ser realizada em recintos abertos ou galpões equipados com lâmpadas fluorescentes. Estas devem ser ativadas diariamente por meio de um sistema "timer" cerca de 3 horas antes do alvorecer e automaticamente desligadas 3 horas após o entardecer, alongando o fotoperíodo natural. A intensidade luminosa a nível dos olhos dos animais deve ser de 200 a 300 lux.
Com estes "flashes" luminosos, os animais percebem os dias como tendo 16 horas de luz e 8 de escuridão. Neste período de dias mais longos, a atividade reprodutiva é bloqueada. Com a remoção do tratamento fotoluminoso artificial os animais passam a interpretar a luminosidade natural como de "dias curtos", desencadeando o retorno à atividade sexual. As manifestações de estro tem início cerca de 60 dias após a reintrodução da iluminação natural, mas não há sincronia entre as fêmeas. A associação de outros métodos de sincronização de estro podem ser utilizados garantindo maior eficiência, como o efeito macho e/ou protocolos hormonais.
Diante das características apresentadas, pode-se atribuir ao fotoperíodo artificial algumas vantagens como: possibilidade de tornar machos e fêmeas sexualmente ativos durante a contra-estação, prolificidade normal, ausência de sequelas e efeitos colaterais, garantindo seu uso repetidas vezes no mesmo rebanho. Os custos de execução estão restritos apenas a adequação das instalações ao tratamento de luz, fato que pode limitar seu emprego em planteis criados em regime extensivo.
Referências bibliográficas:
Fonseca, J.F.; Cruz, R.C.; Pinto, P.H.N.; Facó, O. Manual de sincornização e indução do estro e ovulação em ovinos e caprinos. Documento 103 - Embrapa Caprinos e Ovinos, 59p., 2011.
Simplício, A.A.; Freitas, V.J.F.; Santos, D.O. Biotécnicas da reprodução em caprinos. Revista de Ciências Agrárias, Belém, n. 43, jun./jul. 2005. Suplemento. 20 f. Seção Palestras. Edição de anais do 3 Congresso Norte Nordeste de Reprodução Animal, Belém, PA, 2006.
Traldi, A.S.; Loureiro, M.F.P.; Capezzuto, A.; Mazorra, A.L. Métodos de controle da atividade reprodutiva em caprinos. Rev Bras Reprod Anim, Belo Horizonte, v.31, n.2, p.254-260, abr./jun. 2007.
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