Estresse térmico durante a gestação: efeitos na saúde e produtividade da bezerra

Os efeitos do estresse térmico durante a gestação vão além da redução na produção de leite da vaca. Vão ocorrer consequências na saúde e na produção de leite da bezerra, que ainda nem nasceu! Saiba mais!

Publicado por: e

Publicado em: - 3 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 5

São sempre discutidos os efeitos do estresse térmico em vacas leiteiras no fim do período de gestação. Esta é uma discussão muito importante, pois diversas pesquisas destacam as consequências negativas do estresse térmico, impactando na redução da ingestão de matéria seca e na lactação seguinte, e ocasionando em redução na produção de leite. 

Esses efeitos resultam em um período de transição (pré e pós-parto) mais difícil, com maior risco da vaca apresentar doenças que vão comprometer sua saúde e desempenho. 

Porém, esses efeitos não são restritos as vacas adultas do rebanho. As novilhas (nulíparas) prenhas que são submetidas ao estresse térmico também sofrem prejuízos durante a primeira lactação. 

Continua depois da publicidade

Além do mais, um ponto de extrema relevância é que o estresse térmico das vacas e novilhas durante a gestação, vai resultar em efeitos intrauterinos, ou seja, vai afetar a longo prazo a bezerra que ainda vai nascer. Trabalhos atuais mostram o impacto desse estresse térmico intrauterino em diversas características de saúde e desempenho das bezerras, como: crescimento, função imunológica, termotolerância, entre outros.

 

E como saber se a vaca ou novilha está sofrendo por estresse térmico? 

O estresse térmico ocorre quando a vaca sai de sua zona de conforto térmico. Ou seja, quando a taxa de ganho de calor ultrapassa a taxa de perda de calor do animal. Isso causa diversas alterações fisiológicas e comportamentais. Além de perdas produtivas, como redução na ingestão de alimento e produção de leite e impacto no desempenho reprodutivo das vacas.

 

Quais os impactos para a bezerra?

Estudos realizados pelo professor Geoffrey Dahl na Universidade da Flórida, demonstram diversas consequências do estresse térmico pré-natal, ou seja, antes do nascimento, no estabelecimento da saúde da bezerra.

Uma das principais consequências do estresse térmico no final da gestação para a bezerra em desenvolvimento, é a redução do peso ao nascimento. Esse impacto no crescimento intrauterino da bezerra, pode ser relacionado a redução do fluxo sanguíneo uterino e menor oferta de nutrientes para a placenta. 

Continua depois da publicidade

Além dessa redução do peso ao nascimento, o estresse térmico influencia de forma direta a transferência de imunidade passiva para a bezerra, pela colostragem.

Bezerras recém-nascidas, provenientes de vacas submetidas ao estresse térmico e que receberam colostro das próprias progenitoras, apresentam comprometimento da absorção de IgG do colostro. Quando comparadas as bezerras nascidas de vacas que foram mantidas em ambientes resfriados durante a gestação.

Outro ponto destacado, é que essa redução no peso ao nascimento das bezerras expostas ao estresse térmico intrauterino, foi acompanhada por uma diminuição no tamanho dos órgãos imunológicos, como o timo e o baço. E em casos severos, também pode afetar o tamanho do fígado, considerado um órgão metabólico.

Isso significa que a resposta imunológica dessas bezerras vai estar comprometida. Com isso, vai aumentar o risco desses animais apresentarem doenças comuns da fase de criação inicial, e aumenta os custos com tratamento de doenças. Além do crescimento e desenvolvimento da bezerra ficar comprometido pela redução na ingestão de concentrado, e impactando diretamente na produtividade e sucesso da fazenda. 

E por fim, outra característica cada vez mais estudada, são efeitos do estresse térmico intrauterino a longo prazo, neste caso, na produção de leite futura dessa bezerra. Estes pesquisadores destacaram que quando essas bezerras que passam por estresse térmico durante a vida fetal, se tornam adultas, há uma redução na produção de leite.

Após o parto, essas vacas podem ter redução de aproximadamente 5kg leite/dia durante as primeiras 35 semanas de lactação. Isso ocorre mesmo que no momento do parto, essas novilhas estejam em condições de saúde e escore de condição corporal semelhante as novilhas que não passaram pelo estresse térmico intrauterino.

Destacando a importância do resfriamento adequado das vacas durante todo o período gestacional, e as perdas produtivas e econômicas que podem ocorrer devido as alterações de manejo da fazenda. Como por exemplo, o desafio de superlotação nas instalações das vacas em lactação e necessidade de manter o lote de vacas secas, e as vezes, até as vacas próximas ao parto, do lado de fora das instalações com resfriamento. 

Destacando a importância do planejamento e gestão da propriedade leiteira!

Referências bibliográficas

Dahl, G. E.; Tao, S.; Monteiro, A. P. A. Effects of late-gestation heat stress on immunity and performance of calves. Journal of Dairy Science, 99(4), 3193–3198 2016. https://doi.org/10.3168/jds.2015-9990

Dahl, G. E.; Tao, S.; Laporta, J. Heat Stress Impacts Immune Status in Cows Across the Life Cycle. Frontiers in Veterinary Science, 7, 116. 2020. https://doi.org/10.3389/fvets.2020.00116

QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 5

Material escrito por:

José da Páscoa Nascimento Neto

José da Páscoa Nascimento Neto

Acessar todos os materiais
Ricarda Maria dos Santos

Ricarda Maria dos Santos

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia. Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

Acessar todos os materiais

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?