Confinamento: saída ou o gargalo da produção de cordeiros de corte?
A atenção que se dá a alimentação do cordeiro do seu nascimento até o desmame é, sem dúvida, a forma mais barata e rentável de otimizar o seu ciclo de produção com reflexos até mesmo para a sua terminação. Mas, para que isso aconteça, é preciso se conhecer os propósitos da alimentação, basicamente a alimentação intensiva feita a base de concentrados.
Publicado em: - 3 minutos de leitura
A intensificação de um sistema de produção deve ser contínuo e crescente. Quanto mais harmoniosa esta relação, menos tempo levará o cordeiro para o abate. Portanto, entende-se que um cordeiro mal criado até o seu desmame tão pouco reagirá ao confinamento.
O confinamento deve ser associado a palavra terminação, somente a ela, sendo, desta forma, a última etapa da produção de carne.
Como primeira etapa, tem-se a fase do nascimento até a desmama. A característica desta é pela produção de músculo no animal. A musculatura desenvolvida nesse início de crescimento é, via de regra, a fase mais barata do desenvolvimento do cordeiro, mesmo porque o cordeiro ingere quantidades importantes de leite materno, extremamente rico e gratuito. Com a idade, a velocidade de crescimento muscular diminui e os alimentos ingeridos são convertidos em gordura. A deposição de gordura é a fase subseqüente do crescimento e se caracteriza pela formação de um tecido de cobertura, mais energético do que o tecido muscular. Isso faz com que o crescimento diminua, demandando, portanto, de uma alimentação mais calórica para a manutenção da conversão de alimentos em ganho de peso. Desta forma, a gordura deve ser vista como coadjuvante do processo de terminação, mantida sob um mínimo necessário para a conservação da carne durante o seu processamento. A obtenção de peso alto a desmama permite que se suprima a fase de recria, fazendo com que cordeiros desmamados possam entrar racionalmente no confinamento. A supressão da recria torna o modelo de produção mais dinâmico uma vez que ao entrar no confinamento o animal precise de pouco peso e da camada de gordura, futura proteção da carcaça, para que possa ser manipulada mesmo sob alimentação intensiva.
O uso do sistema de creep-feeding na produção de carne é capaz de diminuir os custos do animal confinado. Primeiramente por promover um grande crescimento muscular sem formação de gordura, mesmo consumindo altas doses diárias de concentrado. Em segundo lugar por desmamar animais mais pesados que sairão mais rapidamente do confinamento.
Além dos fatores de desmama citados acima, um cordeiro desmamado com peso baixo diminui a sua capacidade de ingestão, uma vez que esta é calculada a partir de seu peso vivo. Essa ingestão baixa não permite que a alimentação supra de forma completa (carboidratos e proteínas) as necessidades do cordeiro em terminação. Observe-se que após a desmama o cordeiro dependerá preferencialmente da alimentação em cocho e não mais da combinação cocho e leite materno. O resultado é um crescimento lento em confinamento que custará ao criador de 50-150g menos ganho de peso diário.
As contas ficam mais claras quando exemplificadas. Observa-se cordeiros com dois pesos ao desmame: 17 Kg e 23Kg. O primeiro ganhando 250g e o segundo 300g/dia.
O cordeiro de 17Kg terá que se desenvolver até alcançar o peso do outro animal, portanto, serão 24 dias de confinamento:
(23Kg-17Kg) / 0,250g= 24 dias de confinamento
A partir daí, o ganho converte para 300g diários. O animal que agora está com 23Kg deve alcançar os 35 Kg exigidos pelo frigorífico, para tanto, serão necessários mais 12Kg que, com um ganho diário de 300g, levará mais 40 dias de confinamento:
(35Kg-23Kg) / 0,300g = 40 dias de confinamento
Na mesma linha de raciocínio, o cordeiro desmamado aos 23Kg ficará somente 40 dias em confinamento. Se ponderados os custos da fase de terminação de ambos (40 dias/64 dias) tem-se um cordeiro 62,5% mais caro do que outro em seu custo final.
Pode-se inferir com isto que o confinamento deve ser visto como necessário exclusivamente para terminação de cordeiros de corte e não usado para recria de cordeiros desmamados com baixo peso. Se usado corretamente o confinamento é capaz de promover altos ganhos de peso, diminuição do tempo de terminação, melhoria na qualidade da carne, uniformidade da produção e lucro.
Agora cabe a nós produtores pensarmos: o confinamento é o gargalo ou a saída para a terminação de cordeiros de corte?
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Material escrito por:
Ana Carolina Prado Zara
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Antonio Sérgio Villas Bôas
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EM 12/02/2019
PONTA GROSSA - PARANÁ - ZOOTECNISTA
EM 15/03/2009
É de grande importância para toda a comunidade acadêmica e profissional discutirmos assuntos como esse.

PIRACAIA - SÃO PAULO
EM 20/02/2009
meus parábens e apreços .

PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 16/02/2009
Fica evidente a necessidade de esclarecimento sobre a real função do confinamento na ovinocultura de corte uma vez que este, na maioria das vezes, torna-se fator de correção para o manejo deficitário durante a fase de cria.
O impacto financeiro oriundo do sub aproveitamento do potencial de crescimento do cordeiro bem como da ausência de fatores pré-seletivos por desconhecimento ou negligência é um dos principais motivos para que a ovinocultura ainda entre pela "porta de trás" dentre os principais ramos agropecuários.
Meus parabéns novamente aos autores pelo importante artigo.

CAMPINA GRANDE - PARAIBA
EM 12/02/2009

CACHOEIRA PAULISTA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 11/02/2009
É por esse motivo que destacamos que a evolução do cordeiro, desde o nascimento até o confinamento deve ser a mais harmoniosa possível com relação ao crescimento.
Como o senhor já reparou, a fase de creep feeding é sem dúvida a que mais compensa, e para que essa harmonia continue, dois pontos são importantes: o trabalho de manejo e a ração fornecida.
Não se esqueça de que o leite materno é a via preferencial de alimento do cordeiro até a desmama e, portanto, deve ser mantido como tal. A ração de creep feeding, quando corretamente balanceada, deve ser utilizada como complementar ao leite materno, e nunca substitutiva. Desta forma, haverá um bom desenvolvimento do cordeiro até o desmame e consequentemente em confinamento.
Costumamos dizer que notadamente, se o cordeiro se alimenta bem no creep feeding, sua conversão é tão boa que ele chega a ganhar até 400g/dia. Essa é uma característica de animal em crescimento.
Ao ser colocado em confinamento, além de não contar mais com o leite materno (melhor alimento em balanço de nutrientes) o animal começa a engordar. E essa gordura tem um preço mais alto que na fase anterior, não só por ser adquirida pela alimentação no cocho (o que onera preço) mas também por exigir mais energia para a sua formação, ou seja, mais ração para a sua produção.
Esse é um dos trabalhos técnicos importantes para que o sistema de produção corra bem.

BAURU - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS
EM 10/02/2009
obrigado

SANTA MARIA - RIO GRANDE DO SUL
EM 09/02/2009
Felicito a Ana Carolina e ao Dr. Sergio pela excelente matéria.
Penso que o mercado como um todo ainda não despertou para a importância e a demanda que deveria ter a CARNE DE CORDEIRO tanto no Brasil como no mercado internacional.
Estou seguro que um dos fatores fundamentais para esse DESPERTAR é a correta orientação à cadeia produtiva e a matéria de vocês é adequada, prática e elucidativa.
Haveria de ter através das associações de criadores e da imprensa em geral, uma ênfase maior e ampla divulgação de trabalhos como o apresentado por vocês.
Sucesso.

ITAPETININGA - SÃO PAULO - ESTUDANTE
EM 09/02/2009
De forma clara e exata coseguiu em poucas palavras, esclarecer o objetivo do confinamento e a visão que os produtores devem ter do sistema.
É muito comum os produtores acharem que o confinamento serve para o animal aumentar sua massa muscular o que não é verdade, como visto no artigo!!!
Parabens aos autores!!!

LAGOA DA PRATA - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO
EM 06/02/2009
Em sistemas de produção localizados em regiões de preço de terra elevados e facilidade de compra de insumos, o confinamento é realmente um ferramente importante. Contudo, em locais que não apresentam estas caracteristicas, demorar mais para terminar um cordeiro pode ser economicamente mais interessante.

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE
EM 06/02/2009
Abraço

BARRA - BAHIA - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS
EM 05/02/2009
TANGARÁ DA SERRA - MATO GROSSO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 05/02/2009
1 - O produtor se convença de que ovino NÃO é bovino e, portanto, necessita de ambiente, instalações e manejo específicos.
2 - O produtor reconheça que, como qualquer agronegócio moderno, a produção de CARNE DE CORDEIRO necessita ser baseda e norteada por CONHECIMENTOS CIENTÍFICOS ESPECÍFICOS e não por PAIXÕES, VAIDADES e PRESUNÇÕES de quem tenta provar que já nasceu sabendo.
3 - O produtor visualize o MERCADO CONSUMIDOR e não fique mendigando o interesse de empresas frigoríficas, pois elas não produzem o produto, apenas o processam.
4 - O produtor esqueça o individualismo e organize empresas para a produção coletiva, NÃO de carneiros, mas SIM, de CARNE DE CORDEIRO, pois este é o PRODUTO. Mas, como vale para qualquer tipo de produto, o MERCADO só vai aceita-lo se forem satisfeitas as suas exigências de qualidade, quantidade, regularidade de fornecimento, pontualidade de entrega e preço.

JOINVILLE - SANTA CATARINA
EM 05/02/2009
É com essas simples explicações que nós produtores poderemos alcançar os nossos objetivos sem gastos extras e desnecessários

BOTUCATU - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS
EM 05/02/2009