Segundo COEDEIRO & CORDEIRO (2008), no Brasil, até o ano de 1988 não havia nenhuma comercialização legalizada de leite caprino, e todo o comércio, era feito de maneira clandestina, quanto aos aspectos sanitários e fiscais. Atualmente, a oferta cada vez mais diversificada de produtos derivados de leite caprino tem exigido eficiência dos profissionais que, participam da cadeia produtiva da caprinocultura leiteira. É de extrema importância que profissionais envolvidos nesta cadeia produtiva, priorizem pela qualidade, atentando-se para: higiene, composição, volume, sazonalidade, nível tecnológico e saúde do rebanho; e pela produtividade, uma vez que, a redução das margens de lucro exige redução de custos de produção, fato que pode ser conseguido com o aumento da produtividade, diminuindo o capital investido por quilo de leite produzido, de acordo com BORGES & BRESSLAU (2002). Desta forma, a indústria de leite e derivados surge como uma necessidade para a maioria dos produtores no Brasil, pela falta de opção para comercialização do produto "in natura" e pela possibilidade de aumento no lucro, por agregar um valor maior ao leite produzido.
A ausência de um mercado consumidor aliada a problemas de aceitação dos produtos derivados do leite caprino na região Nordeste levaram os produtores nordestinos à buscar novos mercados, localizados basicamente na região Sudeste do país.
Segundo COEDEIRO & CORDEIRO (2008), é possível verificar no quadro que segue, as indústrias brasileiras compradoras do leite caprino a granel.

Atualmente, o estado de São Paulo é o principal centro consumidor dos produtos lácteos de origem caprina. Tal fato se deve ao elevado poder de compra e a busca por alimentos mais saudáveis por parte dos consumidores daquele Estado quando comparados aos de outras regiões do país. Também, outros mercados potenciais vêm se desenvolvendo nos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Brasília.
Os produtores de caprinos leiteiros motivados pela boa aceitação em alguns centros e fácil comercialização do leite e de seus derivados, em algumas regiões do país, vêm destacando uma importância relativa destes animais em seus rebanhos. Por isso, estão se adequando da melhor forma possível ao crescimento da cadeia produtiva da caprinocultura leiteira, com o intuito de garantir sua sobrevivência na atividade. E, por conseguinte, demandando dos profissionais da pesquisa maior dedicação aos estudos com essa categoria animal.
Para VILELA (2002), a especialização da produção leiteira envolve a utilização de animais de bom potencial genético associada à adoção de técnicas de manejo mais apurada, o que implicará em maiores investimentos quando comparados aos sistemas tradicionais de produção. No entanto, essa especialização objetiva tornar essa atividade mais eficiente e econômica.
Para que haja um maior crescimento da produção e comercialização do leite caprino no Brasil, notadamente, é necessário uma avaliação regional de casos, observando-se principalmente o verdadeiro potencial de cada realidade regional ou local aliado ao estudo do perfil do consumidor. A capacidade de organização social de uma região é o fator endógeno por excelência para transformar o crescimento em desenvolvimento, através de uma complexa malha de instituições e de agentes de desenvolvimento, articulados por uma cultura regional e por um projeto político regional.
Referências bibliográficas
BORGES, C. H. O.; BRESSLAU, S. Produção de leite de cabra em confinamento - In: VI Seminário Nordestino de Pecuária, 2002. Fortaleza-CE. Anais do seminário. Editado por Ronaldo de Oliveira Sales Fortaleza: FAEC, v. 1. 2002. P. 174-186.
CORDEIRO , P. R. C.; CORDEIRO, A. G. P. C.; Estruturação da cadeia produtiva do leite caprino. XII Seminário Nordestino de Pecuária, 2008.
VILELA, D. Pespectiva para a produção de leite no Brasil. In: Simpósio Internacional de produção de leite SINLEITE, 3, Lavras, 2002. Anais ... Lavras: Editora UFLA, 2002, p. 225-266.