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Cães como ferramenta de diagnóstico da mastite bovina: como é possível?

VÁRIOS AUTORES

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/05/2021

4 MIN DE LEITURA

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Dispositivos olfativos estão se tornando possíveis ferramentas no diagnóstico de mastite causada por Staphylococcus aureus em vacas leiteiras.

Para aprimorar o uso desses dispositivos diversos estudos vêm sendo realizados, com animais que possuem a habilidade de identificar determinados agentes infecciosos através do odor (como cachorros e ratos), percebendo a presença de compostos orgânicos voláteis específicos e que podem ser associados também a agentes causadores de mastite – como o próprio Staph. aureus.

Como supracitado, a mastite pode ser causada pela bactéria Staphylococcus aureus e por ser uma doença altamente prejudicial aos rebanhos leiteiros, muitos estudos sobre essa enfermidade são feitos, e programas de manejo tentam melhorar a saúde da glândula mamária. Esse microrganismo tem sido isolado com frequência em quartos mamários investigados (WAAGE et al., 1999; GODDEN et al., 2002; FAGUNDES e OLIVEIRA, 2004).

Uma desvantagem de tratar vacas sem saber o patógeno exato envolvido é que o tratamento escolhido pode não ser específico para o agente causador, resultando em leite descartado devido ao tratamento, custos incorridos devido ao manejo incorreto, recuperação retardada da vaca e a possibilidade de aumento da resistência bacteriana devido ao uso excessivo de antimicrobianos inespecíficos (CHA et al., 2016.)

O S. aureus é capaz de causar infecções de longa duração, com tendência a se tornarem crônicas, com baixa taxa de cura e grande perda na produção de leite (SABOUR et al., 2004). Vários fatores podem interferir na cura bacteriológica quando se utiliza a terapia com antibióticos, seja devido ao estágio da ocorrência da infecção ou à presença de bactérias em abscessos, além da incapacidade de defesa das células (DINIZ et al., 1998).

Para comprovar a hipótese de dispositivos que detectam mastite, um estudo realizado em 2018 na Alemanha teve como objetivo treinar cães para que pudessem identificar Staph. aureus de amostras de leite. Além disso, os animais também foram treinados para diferenciar outros patógenos causadores de mastite em vacas leiteiras.

Podemos destacar que os objetivos do estudo foram demonstrar que cachorros podem:

Para realizar o estudo, foram selecionados nove cães de raças aleatórias, como Poodle, Labrador, Border Colie, entre outros. Esses animais e seus donos foram recrutados de forma totalmente voluntária por um centro de treinamento canino alemão.

Dos nove participantes, cinco cães já possuíam alguma experiência prévia com farejamento, enquanto os demais receberam um treinamento avançado de um instrutor com pós-graduação em comportamento animal. O treinamento avançado, por sua vez, foi realizado com base em 10 etapas com reforço positivo com um clicker e alimento como recompensa para o reforço secundário do animal.

O protocolo de treinamento dos cachorros para diferenciar S. aureus de outros agentes infecciosos comuns envolveu diversas etapas para que o animal reconhecesse esse patógeno. Essas etapas envolveram a apresentação de um cotonete com S. aureus para os cães e diversas situações de repetição para que o treinamento e o reconhecimento fossem possíveis.

Apesar de ser um estudo extremamente trabalhoso e extenso (contendo inclusive 4 etapas diferentes para realização do experimento), pode-se afirmar que foi essencial para os criadores de bovinos leiteiros e pesquisadores da área, pois demonstrou-se que a bactéria Staphylococcus aureus emite um odor específico quando cultivada em placas de ágar, inoculada em amostras de leite ou obtida de vacas com mastite clínica, direcionando assim para futuras pesquisas.

O treino e o uso de cães farejadores para detecção de odor em laboratórios são difíceis devido às críticas condições de higiene e pela relativamente complicada operacionalização desta forma de diagnóstico.

Os resultados desses experimentos enfatizam o potencial da detecção de odores pelos cães como uma ferramenta para o diagnóstico de patógenos da mastite bovina.

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Referências
CHA, Elva et al. The value of pathogen information in treating clinical mastitis. The Journal of dairy research, v. 83, n. 4, p. 456, 2016.

DINIZ, M.A.P.R.; BRANDÃO, S.C.C.; FARIA, E. et al. Tratamento de mastite subclínica e clínica, em vacas lactantes, com ácido acetilsalicílico, mastenzin e associação mastenzin com ácido acetilsalicílico. Hora Vet., n.18, p.27-33, 1998.

FAGUNDES, H.; OLIVEIRA, C.A.F. Infecções intramamárias causadas por Staphylococcus aureus e suas implicações em saúde pública. Ciên. Rural, v.34, p.1315-1320, 2004.

FISCHER-TENHAGEN, C. et al. Detecting Staphylococcus aureus in milk from dairy cows using sniffer dogs. Journal of dairy science, v. 101, n. 5, p. 4317-4324, 2018.

GODDEN, S.M.; JANSEN, J.T.; LESLIE, K.E. et al. The effect of sampling time and sample handling on the detection of Staphylococcus aureus in milk from quarters with subclinical mastitis. Can. Vet. J., v.43, p.38-42, 2002.

SABOUR, P.M.; GILL, J.J.; LEPP, D. et al. Molecular Typing and Distribution of Staphylococcus aureus Isolates in Eastern Canadian Dairy Herds. J. Clin. Microbiol., v.42, p.3449-3455, 2004.

WAAGE, S.T.; MORK, A.; ROROS, D. et al. Bacteria associated with clinical mastitis in dairy heifers. J. Dairy Sci., v.82, p.712–719, 1999.

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LUCIANO MARTINS REDU

ENCANTADO - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 10/05/2021

Acredito q o cão, poderia ser muito útil na detecção de vacas em cio,já há algum trabalho a respeito?
LÍVIA COSTA DE AZEVEDO

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO - ESTUDANTE

EM 05/05/2021

Muito maravilhoso e gratificante fazer parte dessa revista ! Obrigada pela confiança em nosso trabalho.
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