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Uso racional de antibióticos reduz risco de resistência

POR MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 20/06/2014

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Mastite bovina e uso de antibióticos
A mastite bovina é a causa mais frequente de uso de antibióticos em vacas leiteiras. Em muitos casos, devido ao uso não racional dos antibióticos, o tratamento da mastite também é apontado como a principal causa de ocorrência de resíduos de antibióticos no leite. Especula-se, adicionalmente, que o uso indiscriminado e sem fundamentação técnica de antibióticos para o tratamento de doenças bacterianas seja uma possível causa de desenvolvimento de resistência microbiana. Desta forma, mesmo considerando a grande importância do uso dos antibióticos para a manutenção da saúde, do bem estar animal e da produtividade, diversas preocupações surgem quando os antibióticos são usados de forma irresponsável ou imprudente, o que reduz o potencial de utilização de uma droga, quando se considera o longo prazo.

Conceitualmente, os agentes antimicrobianos são substâncias de origem natural, semissintética ou sintética que eliminam ou inibem o crescimento de um microrganismo. Os termos “antimicrobiano” e "antibacteriano" englobam todos os antibióticos, bem como compostos sintetizados ou modificados, que tem o mesmo efeito. As primeiras substâncias antimicrobianas foram introduzidas ainda na década de 1930 e nas décadas subsequentes surgiu a maioria dos antimicrobianos disponíveis até hoje.

Dentre as principais formas que os antimicrobianos são utilizados em animais destacam-se: 1) terapêutica: uso específico para tratamento e eliminação de uma infecção bacteriana existente; 2) metafilática: uso do antimicrobiano para fins de tratamento de um grupo de animais, após surgimento de sinais clínicos da doença; 3) profilática: administração do antimicrobiano de forma individual para prevenção da doença antes da sua ocorrência (exemplo: uso profilático e terapêutico do tratamento de vacas seca no final da lactação); e 4) promotor de crescimento em animais de produção: antimicrobianos são usados em doses sub-terapêuticas, como aditivo alimentar, para melhorar ganho de peso e conversão alimentar.

Para tratamento da mastite bovina, os agentes antimicrobianos foram inicialmente empregados a partir da década de 1940. O uso dos antimicrobianos tem como funções principais auxiliar a defesa do hospedeiro, eliminar os agentes patogênicos e reduzir as consequências negativas da infecção. Além de ser uma medida fundamental para a cura dos casos de mastite clínica, os antimicrobianos são usados em vacas leiteiras para o controle, a prevenção e a diminuição da disseminação da mastite contagiosa entre as vacas do rebanhos.

Quando usado na forma de tratamento, o objetivo da terapia antimicrobiana consiste em atingir e manter concentrações adequadas do princípio ativo no local da infecção por um período de tempo suficiente para eliminar o agente causador. Os antimicrobianos podem ser administrados via intramamária ou sistêmica para tratamento de infecções do úbere. Os principais usos de tratamento com antimicrobianos são os casos de mastite clínica durante a lactação e de mastite subclínica no final da lactação (tratamento de vaca seca). Entre os principais antimicrobianos utilizados em vacas leiteiras, destacam-se sete grupos: a) β-lactâmicos (ampicilina, amoxicilina, cloxacilina, cefalotina, cefoperazona, ceftiofur e penicilina G); b) tetraciclinas (oxitetraciclina, tetraciclina e clortetraciclina); c) aminoglicosídeos (estreptomicina, neomicina e gentamicina); d) fluoroquinolonas (enrofloxacina, danofloxacina); e) macrolídeos (eritromicina); f) lincosamidas; g) sulfonamidas (sulfametazina). Na maioria dos países, as classes de beta-lactâmicos e aminoglicosídeos são os medicamentos mais utilizados para o tratamento de mastite.

Como ocorre o desenvolvimento da resistência
No entanto, a eficiência dos antimicrobianos pode ficar comprometida pela resistência dos microrganismos aos antimicrobianos. Um dos instrumentos recomendados para a redução do impacto da disseminação da resistência antimicrobiana é a utilização da cultura microbiológica e dos testes de susceptibilidade in vitro. Para uma escolha adequada do agente antimicrobiano, recomenda-se a prévia identificação laboratorial do agente patogênico e em situações específicas, a avaliação da susceptibilidade antimicrobiana in vitro. Um dos principais métodos utilizados é o teste de disco difusão em ágar que oferece resultados dos padrões de resistência ou susceptibilidade, de uma bactéria específica a determinados antimicrobianos. Esses testes auxiliam na tomada de decisão, na utilização do antimicrobiano correto e combate aos agentes causadores de mastite. Entretanto, a definição da droga a ser usada, assim como o esquema de tratamento dos casos de mastite é uma decisão que muitas vezes deve ser tomada de forma imediata, uma vez que o tratamento precoce, principalmente dos casos clínicos, aumenta muito a possibilidade de cura.

O aparecimento de microrganismos resistentes é influenciado por uma série de fatores como: a) exposição prolongada do patógeno ao agente antimicrobiano, que causa seleção das cepas resistentes dentro da população; b) mutações e transferências genéticas entre bactérias; c) tipo de antimicrobiano administrado. A ocorrência da resistência bacteriana pode ser considerada uma resposta evolutiva destes microrganismos à presença de agentes antimicrobianos no ambiente.

Dentro deste contexto, um dos patógenos mais estudados quanto à resistência antimicrobiana é Staphylococcus aureus, pois este é um dos principais como agentes causadores da mastite e pela dificuldade de controle. S. aureus destaca-se como um dos microrganismos causadores de mastite mais frequentemente isolados em todos os continentes e o agente que isoladamente determina as maiores perdas na pecuária leiteira.

Vários estudos sobre os padrões de susceptibilidade de patógenos causadores de mastite têm sido relatados em outros países e os resultados tem sido conflitantes. Alguns estudos têm demonstrado uma crescente frequência de resistência entre os patógenos causadores de mastite ou um aumento na susceptibilidade, enquanto outros relataram nenhuma mudança nos padrões de resistência.. No Brasil, apesar da existência de estudos sobre susceptibilidade antimicrobiana de agentes causadores de mastite ainda não foram avaliadas a associação entre as práticas relacionadas ao tratamento e a susceptibilidade antimicrobiana de patógenos causadores de mastite, bem como os possíveis fatores de risco.

Situação atual da resistência aos antimicrobianos

O aparecimento de resistência bacteriana entre patógenos causadores de doenças nos animais sempre gerou grande preocupação na medicina veterinária. Neste cenário, os microrganismos resistentes aos antimicrobianos de origem dos animais são frequentemente incriminados como um potencial risco para a saúde humana. Particularmente preocupante tem sido o uso em muitos casos de esquemas de tratamentos em doses sub-terapêuticas em animais de produção. Tanto que a mastite é considerada como a doença que isoladamente tem sido mais objeto de resistência bacteriana. Além disso, os tratamentos recomendados para mastite apresentam diversas características que aumentam o seu potencial de desenvolvimento de resistência:

a) Normalmente os esquemas de tratamentos para mastite são de curta duração,
b) Com exceção da cefapirina e ceftiofur, a maioria dos beta-lactâmicos (que são os mais usados para tratamentos de mastite) apresenta pouca atividade contra os microrganismos Gram-negativos),
c) A terapia da vaca seca é uma estratégia largamente usada que aumenta a exposição entre bactéria e antibiótico,
d) A eficácia geral dos antibióticos usados no tratamento de mastite para as infecções crônicas é geralmente menor que 50%.

Desta forma, uma importante questão é saber se o uso de antibióticos como medida para tratamento e controle de mastite tem resultado em aumento da resistência bacteriana ao longo do tempo. Para identificar se uma cepa bacteriana é resistente ou não a um determinado antibiótico são usados os chamados testes de sensibilidade in vitro (também conhecidos como antibiograma), os quais ainda que com limitações da metodologia, podem fornecer um indicativo sobre a sensibilidade dos agentes testados. Para avaliar a emergência da resistência dos patógenos causadores de mastite aos antimicrobianos, um grupo de especialistas da Federação Internacional de Laticínios (IDF-Internacional Dairy Federation) fez recentemente uma extensa revisão sobre estudos científicos realizados nos últimos 30 anos. Foi identificado que o fenômeno de resistência deste grupo de bactérias ocorre há mais de quatro décadas, no entanto os resultados de estudos indicaram que não ocorreu aumento da resistência ao longo do período de tempo avaliado. Ainda que com pequenas variações em relação a espécie do microrganismo e ao antibiótico analisado, os resultados gerais apontam que não houve indicação do aumento da resistência microbiana dos agentes causadores de mastite em relação aos principais antibióticos usados em fazendas leiteiras.

Entre os microrganismos causadores de mastite, Staphylococcus aureus é o mais estudado em relação à ocorrência de resistência. Algumas cepas deste patógeno são capazes de produzir uma enzima chamada de beta-lactamase, a qual degrada os antibióticos beta-lactâmicos (penicilina e ampicilina) e como consequencia aumenta a resistência de S. aureus aos beta-lactâmicos. Entretanto, de acordo com os estudos atuais, não existe evidência de que este tipo de adaptação ou resistência do S. aureus seja diferente do que era há 30 anos atrás. Da mesma forma, em humanos, uma grande preocupação é a ocorrência de cepas de S. aureus resistentes a meticilina e a vancomicina. Estes tipos de resistência não foram identificados em estudos com amostras de origem de vacas leiteiras, o que indica que não existe evidência da presença destas cepas como agentes causadores de mastite em vacas leiteiras.

Mesmo com estes resultados é recomendável sempre o emprego de antibióticos com racionalidade e responsabilidade, uma vez que o que hoje pode ser considerado uma ferramenta essencial para a saúde animal, pode passar a ter eficiência reduzida no futuro. Um caso exemplar, para não perder de vista a importância do uso racional de drogas veterinárias é o caso dos parasiticidas, em particular carrapaticidas e mosquicidas, dos quais atualmente, a grande maioria das bases não tem mais a mesma eficiência que tinha quando da sua introdução no mercado.

Fonte: SANTOS, M. V. Mastite bovina e o uso de antibióticos. Jun-Jul/13. Mundo do Leite. São Paulo-SP, v.61, p.18 - 20, 2013.
 

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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CLAUDEMIR DAS NEVES SOUZA

CONTAGEM - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/07/2014

Prezada;
Tem como informar datas, valores, período do curso??
MARIANA POMPEO DE CAMARGO GALLO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 28/07/2014

Gostaria de convidá-los a participar do Curso Online "Aumente o lucro pelo controle e prevenção da Mastite Bovina".

O curso que será ministrado pelo prof. Marcos Veiga trará informações sobre diagnóstico, controle, prevenção e tratamento de mastite.

Além do material completo com vídeo-aulas e apostila para download, no curso vocês terão a oportunidade de tirar dúvidas diretamente com o instrutor Marcos Veiga, através do fórum de perguntas e receberão um DVD com todo conteúdo, como cortesia, ao final do curso!

Para participar, acesse: http://www.agripoint.com.br/curso/mastite/
GUILHERME MARQUES BUSTAMANTE

SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/07/2014

Parabens pelo otimo artigo.
gostaria que o prof abordasse o tratamento da mastite en rebanhos que trabalham no regime de produçao organica.
Grato
guilherme
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 09/07/2014

Prezado Cristiano, pessoalmente, não recomendo o uso de homeopatia para tratamento de mastite bovina, pois não existem estudo científicos que indiquem que a homeopatia tenha resultados positivos.

Sendo assim, em razão de falta de embasamento técnico e científico, eu não recomendaria o uso, atenciosamente, Marcos Veiga
CRISTIANO DA SILVA ALBUQUERQUE

PAULISTA - PERNAMBUCO

EM 09/07/2014

Dr° Parabéns pela abordagem.
Levando em consideração essa resistência das bactérias aos antibióticos atualmente utilizados seria uma alternativa a utilização de medicamentos homeopáticos como prevenção?
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 30/06/2014

Prezado Claudemir,

O tratamento de mastite depende de 3 fatores principais: das características da vaca, do agente causador e do protocolo de tratamento da mastite. Sendo assim, sem a identificação da bactéria causadora e de uma avaliação do protocolo utilizado não se pode concluir que uma falha de tratamento (não ter cura de um caso de mastite) tem como causa a resistência ao antibiótico.

Além disso, alguns microrganismos causadores não respondem aos antibióticos e desta forma, não se pode esperar a cura. Sendo assim, não seria correto comparar o caso específico desta vaca com outras, a não ser que seja identificada a causa da mastite.

Atenciosamente, Marcos
CLAUDEMIR DAS NEVES SOUZA

CONTAGEM - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/06/2014

Realmente o uso de antibióticos tem que ter um critério.
Tenho no meu rebanho uma vaca que adquiriu resistência aos antibióticos, como não fizemos o antibiograma para termos certeza de qual bactéria realmente está causando a mastite no animal, aplicamos medicamentos aleatoriamente, e o animal está com o úbere com 02 quartos totalmente pedrados e 02 normais.
Não sabemos o que mais vamos fazer, não conseguimos deter a bactéria!!!
Estamos, no caso de persistência, sacrificar a vaca.
Se alguém tiver ou teve um caso deste em seu rebanho / pesquisa
SERGIO CHAVEZ

INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 30/06/2014

Muy buen articulo. Desde el punto tecnologico de preservar la calidad de la leche, coincido con algunas opiniones, que no se deberia indicar un tratamiento con antibioticos, sin antes conocer por medio de un antibiograma, que bacterias hay presente en la infeccion, y tambien con que antibiotico especifico combatirla. Si conocemos que bacterias estan presente en la infeccion tambien podemos corregir los factores que producen esa infeccion (nivel de vacio, pezoneras, barro, ambiente, hechaderos). Si podemos coregir los factores que producen la mastitis, nos estaremos ahorrando mucha leche por los periodos de descarte y de costo en tratamientos.El profesional debe indicar no solo el tratamiento, sino tambien indicarle de acuerdo a los estudios de la infeccion y situacion, al productor de leche, los factores a corregir. Muchas veces los productores no valoran este servicio y solo pagan `por los medicamentos usados, pero es menester hacerle conocer que beneficios le traera este tipo de asesoramiento extra, en su explotacion.
CLAUDEMIR DAS NEVES SOUZA

CONTAGEM - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/06/2014

Se alguém tiver ou teve um caso deste em seu rebanho / pesquisa e que teve algum sucesso no tratamento, favor me auxiliar, pois não tenho mais saída para este caso.
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 28/06/2014

Prezado Marcos, este é um procedimento que seria uma decisão do veterinário responsável. Na minha opinião, depende muito do tipo de medicamento que está sendo usado e sendo assim, uma resposta única e geral é difícil.

De qualquer forma, quando um determinado protocolo não tem resultado satisfatório (não há cura clínica), pode ter duas opções: a) prolongar o tratamento inicial por mais alguns dias (2-3 dias) ou mudar de antibiótico. As duas opções podem ser adequadas, mas dependem do tipo de antibiótico que está sedo usado.

Atenciosamente, Marcos Veiga
MARCOS MELO JUNIOR

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS

EM 28/06/2014

No caso de um tratamento de mastite clínica sem identificação do patógeno, quando não temos evolução no tratamento, é recomendado a troca das bases dos antibióticos a cada 3 ou 5 dias? Podemos trocar as bases de imediato ou esperamos acabar o período de carência do medicamento anterior? Obrigado
ROCCO ANSANTE

VALINHOS - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 28/06/2014

Dr.Marcos,
Excelente e abrangente artigo sobre mastite bovina.Parabens.
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 28/06/2014

Prezado Petronio, conforme mencionado no artigo, até o momento, não existem evidências científicas de que o uso de tratamento de vaca seca seja uma forma de aumento de resistência microbiana, principalmente para as bactérias causadoras de mastite.

Sendo assim, eu entendo que o tratamento de vaca seca é sim uma medida importante e fundamental para o controle de mastite e até o momento não existem evidências de estudos que indiquem o aumento da resistência em razão do tratamento de vaca seca.

Atenciosamente, Marcos Veiga
PETRONIO

LIMA DUARTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/06/2014

Parabéns pelo excelente artigo.
Sempre ouvi médicos dizendo que utilização preventiva de antibióticos é um risco e temeridade, pois se está estimulando resistência das bactérias. Por isso sempre achei uma contradição a terapia de vaca seca. Continuei na dúvida. É uma boa prática a terapia da vaca seca ou estamos, no fim, contribuindo para o aumento da resistência nas bactérias?