Beef-on-dairy ganha força e vira aposta global

A integração entre leite e carne avança no mundo e cria novas oportunidades econômicas e ambientais, segundo relatório do Rabobank.

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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A carne de rebanhos leiteiros, conhecida como beef on dairy, tornou-se uma oportunidade estratégica para agregar valor e expandir as cadeias de fornecimento de carne bovina, segundo relatório do Rabobank. Integrar genética de corte em sistemas leiteiros pode gerar novas receitas e melhorar o bem-estar animal. A Austrália, com sua predominância em gado de corte, enfrenta desafios na aceitação do dairy-beef, mas a expansão do confinamento oferece oportunidades. A desconexão entre fazendas leiteiras e engorda é um obstáculo a ser superado.

A carne proveniente de rebanhos leiteiros — o chamado beef on dairy — deixou de ser um nicho e passou a representar uma oportunidade estratégica para agregar valor, reduzir desperdícios e expandir as cadeias globais de fornecimento de carne bovina e a Austrália tem a oportunidade de fazer parte dessa trajetória de crescimento, afirma o Rabobank

No relatório intitulado Beefing up global dairy with dairy-beef, a divisão RaboResearch explica que, ao integrar genética de corte em sistemas leiteiros, os produtores podem abrir novas fontes de receita, melhorar o bem-estar animal e atender às crescentes exigências de mercado e sustentabilidade.

O dairy-beef, ou beef-on-dairy, refere-se a bezerros (geralmente gerados com sêmen de touros de corte) que entram na cadeia de valor da carne, mas têm origem em vacas leiteiras, segundo o estudo.

“Dairy-beef não é uma ideia nova — vacas leiteiras descartadas e bezerros de origem leiteira há muito tempo fazem parte das cadeias de fornecimento de carne bovina em todo o mundo”, afirma o relatório.

A coautora do estudo, Emma Higgins, analista sênior de agricultura do RaboResearch, destacou que a integração estratégica da genética de corte nos rebanhos leiteiros vem ganhando força globalmente, impulsionada por fatores econômicos, ambientais e éticos.

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“O dairy-beef está surgindo como uma solução oportuna para a demanda global por proteína, para o escrutínio ético e para as pressões climáticas — tornando essa integração estratégica não apenas benéfica, mas potencialmente essencial”, disse Higgins.

 

Uma oportunidade para a Austrália 

Higgins explicou que a pecuária australiana é predominantemente voltada à carne, com mais de 90% do rebanho nacional composto por gado de corte e apenas 10% por gado leiteiro. “Isso influencia tudo — da infraestrutura de processamento às expectativas de mercado —, com o setor voltado a animais tradicionais de corte que priorizam rendimento de carcaça e cortes musculares”, afirmou.

Nos estados com forte presença da pecuária leiteira — como Victoria e Tasmânia —, o gado de corte ainda representa entre 60% e 70% do rebanho total, segundo Higgins.

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O relatório aponta que, para maior aceitação de mercado, a carne de origem leiteira precisa se assemelhar às carcaças de animais de corte convencionais, e não às vacas leiteiras descartadas.

Nesse contexto, Higgins afirmou que o setor leiteiro australiano vive um momento decisivo.

“Com mais de um milhão de bezerros nascendo anualmente e uma expansão limitada do rebanho, o número de animais de reposição necessários a cada ano é restrito. Cerca de 40% dos bezerros são mantidos como novilhas de reposição, deixando um excedente significativo. Muitos desses bezerros subutilizados ainda entram no mercado de animais de quatro a cinco dias de idade, destinados ao abate”, explicou.

Para enfrentar esse cenário, Higgins disse que o setor vem apostando no uso de sêmen sexado e genética de corte para reduzir o número de bezerros subutilizados e melhorar o manejo dos rebanhos.

“Estima-se que cerca de 20% dos bezerros atualmente estejam entrando na cadeia adulta de carne bovina — um sinal claro de que a integração entre leite e carne está ganhando força. Uma pequena parcela é exportada para reprodução, mas a maioria ainda precisa de caminhos alternativos e escaláveis”, destacou.

Segundo Higgins, a expansão do setor de confinamento na Austrália representa uma oportunidade promissora para o dairy-beef.

“Na última década, o número de bovinos em confinamento aumentou de 900 mil para mais de 1,5 milhão de cabeças. O gado alimentado com grãos já responde por 38% dos abates, contra 32% anteriormente”, afirmou.

Embora a maior parte da capacidade de confinamento não esteja localizada em estados leiteiros, a disponibilidade de infraestrutura, conhecimento técnico e grãos representa uma vantagem que países como a Nova Zelândia — com baixa capacidade de confinamento — não possuem.”

Ainda assim, Higgins apontou que o principal gargalo continua sendo a recria de bezerros.

“Apesar da flexibilidade da genética de corte para se adaptar a sistemas de pasto ou de grãos, há uma desconexão clara entre as fazendas leiteiras e as operações de engorda. A infraestrutura para recria é limitada, e a sazonalidade do parto das vacas leiteiras adiciona complexidade. A adoção de partos ao longo do ano ou em ciclos divididos pode ajudar, mas, em última instância, é preciso desenvolver um novo segmento da cadeia de suprimentos — um que consiga competir com os sistemas tradicionais de carne bovina sem depender de prêmios ou incentivos”, concluiu.

As informações são do PerishableNews.com.

 

 

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