As afecções de casco no sistema de produção da Nova Zelândia (parte 1)

O sistema de produção da Nova Zelândia desperta a curiosidade de todo o mundo. O presente artigo apresenta uma visão muito interessante do sistema de produção, detalhando o manejo dos animais e associando com a ocorrência dos problemas de casco.

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O sistema de produção da Nova Zelândia desperta a curiosidade de todo o mundo. O presente artigo apresenta uma visão muito interessante do sistema de produção, detalhando o manejo dos animais e associando com a ocorrência dos problemas de casco.

À medida que os rebanhos na Nova Zelândia têm aumentado de tamanho, um efeito direto é o acréscimo da incidência de afecções podais. Assim como os produtores de outras regiões do mundo, o produtor da Nova Zelândia considera que os três maiores problemas de saúde dos rebanhos são a infertilidade, a mastite e os problemas de casco.

Com a utilização do sistema de produção a pasto, onde os animais caminham bastante ao longo do dia, o sistema de manejo e o ambiente parecem ser os fatores predisponentes predominantes. De acordo com um levantamento realizado de 1998 à 2004, a distribuição das afecções podais na Nova Zelândia apresenta uma clara associação com o desgaste da sola e trauma, desta forma, foi instituída uma nova denominação para este tipo de lesão, traduzido aqui como "injúria na sola".

Tabela 1. Distribuição das lesões em rebanhos da Nova Zelândia de 1998 à 2004*.

Figura 1

* Índices compilados por North Taranaki

Geralmente, a incidência de afecções podais em rebanhos chamados de "menores" no artigo (rebanhos com menos de 500 vacas) é baixa. Alguns rebanhos apresentam incidência de 15 a 25%, considerando um período de avaliação de 12 meses. Em média, a incidência de lesões traumáticas é de cerca de 10%.

Em rebanhos maiores, a incidência de afecções podais é ainda um dado complexo para ser mensurado, devido à baixa acurácia e ao sistema extensivo de manejo. Porém, é comum encontrar uma prevalência de 5% a 10% de claudicação em períodos chuvosos. Alguns grandes rebanhos têm anotações da realização de tratamento em cerca de 50% dos animais durante a estação chuvosa.

É importante destacar o diferente significado entre incidência e prevalência. A incidência relata a ocorrência de novos casos durante um certo período de tempo, caracterizando uma medida do risco do aparecimento da doença. Já a prevalência relata o número de casos existentes em um dado momento. Neste caso, são incluídos casos novos e velhos e não é possível medir a taxa de risco da ocorrência.

Um estudo realizado em 1989 na Nova Zelândia já havia determinado que os dois principais fatores predisponentes das claudicações eram a pouca manutenção dos corredores de circulação dos animais e a maneira impaciente com a qual os animais eram conduzidos quando se dirigiam à ordenha. Um estudo realizado posteriormente, em 2004, confirmou a importância da forma com a qual os animais são conduzidos para a ordenha. Vacas que são conduzidas com paciência podem escolher o local onde irão pisar, já as vacas conduzidas com pressa irão pisar em qualquer local.

A distância que as vacas percorrem na rotina diária foi também identificada como um fator de risco. A distância do pasto para a ordenha pode variar de 600 metros (nas fazendas bem projetadas) até mais de 2 quilômetros quando a ordenha não tem uma localização central. À medida que os rebanhos ficam maiores, as distâncias percorridas tendem também a aumentar.

As vacas podem percorrer longas distâncias no pasto sem sofrerem um desgaste significativo na sola, entretanto quando percorrem corredores com superfícies duras, na rotina diária para a ordenha, ocorre um significativo desgaste da sola. Solas mais finas estão mais predispostas a lesões e injúrias, principalmente quando não há uma boa manutenção dos corredores.

Além da distância percorrida pelas vacas diariamente, o desgaste da sola é acentuado quando há umidade nas áreas de deslocamento para a ordenha. O casco em contato com umidade absorve água ficando menos resistente ao desgaste e mais predisposto às injurias que ocorrem normalmente durante a locomoção. A largura das áreas de deslocamento também influencia a ocorrência de lesões, rebanhos maiores devem ser manejados em corredores mais largos.

Um corredor bem projetado facilita o fluxo dos animais, minimiza a competição entre as vacas e possibilita um deslocamento mais tranqüilo, no qual a vaca poderá escolher o local onde irá colocar os cascos durante a locomoção. Observe na Tabela 2 as recomendações sobre a largura das áreas de deslocamento realizadas pela Universidade de Massey, Nova Zelândia.

Tabela 2. Largura mínima das áreas de deslocamento.

Figura 2

Estudos na Nova Zelândia oferecem orientação da forma como construir corredores de acesso com boa drenagem, que será abordada no próximo artigo. Além disso, no próximo artigo, serão discutidos o manejo das áreas de ordenha e os principais aspectos associados ao comportamento animal e ocorrência de claudicação.

Fonte:

Chesterton, N. Lameness under grazing conditions. In: International Symposium and Conference on Lameness in Ruminants, 14., 2006, Colonia del Sacramento. Proceedings. Colonia del Sacramento: {s.n.}, 2006.

Tranter, W.P.; Morris, R.S. Hoof growth and wear in pasture-fed dairy cattle. New Zealand Veterinary Journal 40, 89-96, 1992.
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Material escrito por:

Renata de Oliveira Souza Dias

Renata de Oliveira Souza Dias

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Alan Issa Rahman
ALAN ISSA RAHMAN

CARAZINHO - RIO GRANDE DO SUL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 23/05/2007

Ótimo artigo, certamente para nós aqui do sul, ao menos em minha região, a mioria dos descartes involuntários acontece por: infertilidade, casco e úbere (mastite ou úbere caído).

Aguardo a próxima parte do artigo dando mais detalhes sobre o manejo, pois tratar casco muitas vezes inviabiliza a propriedade quando a incidência se torna alta.

Alan Issa Rahman
Médico Veterinário
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