Os dois Brasis do leite

As 23 mini-bacias leiteiras brasileiras ganham destaque pelo crescimento e produtividade, mostrando grande potencial para impulsionar o setor lácteo nacional.

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O texto discute a disparidade no desenvolvimento do Brasil, destacando que áreas mais desenvolvidas atraem pessoas em busca de melhores oportunidades. Na produção de leite, a concentração favorece grandes produtores, enquanto pequenos enfrentam dificuldades. Estudo da Embrapa Gado de Leite aponta que 15 bacias responsáveis por 58,9% da produção ocupam apenas 5,1% do território. Além disso, 23 mini-bacias emergentes, com produção crescente e potencial, merecem atenção para políticas que promovam desenvolvimento regional e geração de empregos.

O título dessa publicação foi retirado do livro “Os dois Brasis” de Jaques Lambert, escrito no início da década 70. Nele é mostrado que no Brasil existiam áreas com desenvolvimento relativamente acentuado, enquanto em outras ainda persistia a baixa renda, a baixa qualidade de vida e baixa oportunidade de empregos. Segundo Lamber, essa situação gerava forças de expulsão das áreas menos desenvolvidas para as mais desenvolvidas, notadamente de pessoas em busca de melhores oportunidades, agravando a disparidade entre regiões.

A dinâmica da produção de leite no Brasil tem estabelecido a exclusão de produtores, notadamente os de menores eficiência e escala. Quem não tem conseguido acompanhar o rápido processo de profissionalização, concentração e de rápido aumento da produtividade total dos fatores, tem achado dificuldades de se manter na atividade.

Estudos da Embrapa Gado de Leite (2025) mostrou que 15 bacias produtoras de leite, ocupam somente 5,1% do território nacional, mas respondeu, em 2023, por 58,9% da produção. Estas 15 bacias também são campeãs em produtividade com 3.574 litros/vaca/ano em 2023 contra 2.259 litros/vaca/ano na média do Brasil. A maior produtividade média é encontrada na bacia do Leste Paranaense 6.285 litros/vaca/ano em 2023 e o maior crescimento da produção a bacia do Nordeste. Esse público tem demandas específicas, muitas delas relacionadas à sistema de produção de precisão.

 

Mas e o restante do país que tem leite em quase todos os municípios?

Bem nos outros 94,9%, conforme estudo recente da Embrapa Gado de Leite (2025), de nome mini-bacias brasileiras (acima de 50 l/dia/km² em 2023 e área contígua municipal com produção entre 50 mil e menos de 200 mil litros/dia), mostrou a existência de 23 mini-bacias que crescem rapidamente e, por conseguinte, deveriam receber alguma atenção. A tabela 1 traz um conjunto de variáveis que qualificam essas 23 minis bacias leiteiras e a comparação com as 15 maiores do país.

Tabela 1. As 23 mini-bacias leiteiras brasileiras.
Fonte: Embrapa Gado de Leite

Analista e pesquisador da Embrapa Gado de Leite
Bacias caracterizadas com 50 litros de leite/dia por quilômetro quadrado de área territorial e áreas municipais contíguas com produção de pelo menos 200 mil litros/dia.
Sistema de produção de precisão, congrega a agricultura de precisão; a zootecnia de precisão e a gestão da precisão, todas utilizando as modernas ferramentas da IA; robotização; mecanização; IoT e tomada de decisão em tempo real.

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Destacamos a seguir algumas características dessas minis bacias que mostram o potencial que elas oferecem. Considerando que o período estudado foi de 10 anos, selecionamos as bacias com mais de 10% de crescimento no período. Com essa característica temos:

  • Ipirapuã (BA) com produção em 2023 de 67.178 l/dia;
  • Sul Baiano (BA) com 190.641 l/dia;
  • Mogiana (SP) com 54.521 l/dia;
  • Mogi Mirim (SP) com 61.315 l/dia.

Em seguida selecionamos as mini-bacias que tiveram igual ou maior produtividade que a média nacional de 2.259 l/vaca/ano. Destaca-se que a média das 23 minis bacias (2.274 l/vaca/ano) é maior do que a do Brasil e próxima das 15 maiores bacias do país (3.574 l/vaca/ano).

Nesse item destacou:

  • Araras (SP) 11.947 l/vaca/ano;
  • Descalvado (SP) 6.941 l/vaca/ano;
  • Tapiratiba (SP) 6.167 l/vaca/ano;
  • Mogi Mirim (SP) 6.090 l/vaca/ano
  • Sul Gaúcho (RS) 5.431 l/vaca/ano;
  • Mogiana (SP) 3.925 l/vaca/ano;
  • Alvinópolis (MG) 3.084 l/vaca/ano;
  • Garinhatã (MG) 2.951 l/vaca/ano;
  • Ibirapuã (BA) 2.568 l/vaca/ano;
  • Paraíba com 2.228 l/vaca/ano.

Merecem ainda destaque no item produtividade animal as mini-bacias com produtividade acima dos 6.000 l/vaca/ano. Entre elas Araras e Mogi Mirim tiveram expansão do número de vacas ordenhadas, enquanto Descalvado e Tapiratiba reduziram. Essas 23 mini-bacias mostram grande vitalidade e devem ser alvo de estudos mais aprofundados.

Em síntese, considerando que a concentração da produção de leite também promove a concentração da renda e do emprego, seria interessante que essas mini-bacias fossem alvo de políticas públicas e privadas que lhes proporcionassem maiores avanços. Vale considerar que desenvolvimento dessas minis bacias poderiam ser caracterizadas como desenvolvimento de territórios, fortalecendo a logística de abastecimento local e regional, valorização produtos característicos, além aspectos culturais, de folclórico, reprodução do modo de vida das comunidades, com geração de emprego, renda e impostos, além de ocupação estratégica do território nacional. A figura 1, traz o mapa com as mini-bacias leiteiras do Brasil, conforme foram caracterizadas.

Figura 1 – As 23 mini-bacias leiteiras brasileiras.

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Material escrito por:

Jose Luiz Bellini Leite

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Samuel Jose de Magalhaes Oliveira

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Maximiliano Scopel Ardenghi
MAXIMILIANO SCOPEL ARDENGHI

JACIARA - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/08/2025

faltou o mato grosso ai . região sul do mato grosso produz 80 mil dia , com redução de produtores e aumento da media , região norte tambem
Qual a sua dúvida hoje?