O que são e como as certificações para o leite podem impactar o produto final?

As certificações das fazendas e produtos vão além de um simples cumprimento de normas, são ferramentas estratégicas que promovem a qualidade e sustentabilidade.

Publicado em: - 4 minutos de leitura

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O Brasil ocupa uma posição de destaque no cenário global como o terceiro maior produtor de leite do mundo, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária. Com uma produção anual de mais de 34 bilhões de litros e uma presença em 98% dos municípios brasileiros, o país possui um rebanho leiteiro expressivo e uma produção diversificada. 

Esse cenário dinâmico exige a busca por qualidade, uniformidade de produção e segurança alimentar, impulsionado a adoção de práticas mais eficientes e sustentáveis nas fazendas leiteiras. As certificações surgem nesse contexto como ferramentas para garantir a conformidade com padrões rigorosos de produção, atendendo às demandas de um mercado cada vez mais exigente.

O que são as certificações no leite?

As certificações são processos formais e sistemáticos pelos quais uma fazenda, empresa ou produto é avaliado por uma organização independente para verificar se cumpre determinados padrões de qualidade, segurança, sustentabilidade ou outros critérios específicos. Essas certificações geralmente resultam na emissão de um selo ou certificado que atesta a conformidade com esses padrões.

Para o que servem as certificações? 

O objetivo principal das certificações é assegurar que as práticas adotadas por uma empresa ou fazenda estejam em conformidade com normas reconhecidas nacional ou internacionalmente. Elas podem envolver uma variedade de aspectos e oferecem diversos benefícios, tanto para os produtores quanto para os consumidores, incluindo a garantia da qualidade do produto, a sustentabilidade ambiental, o bem-estar animal, a responsabilidade social e a segurança alimentar.

As certificações auxiliam também na diferenciação do produto final, que podem ser oferecidos a preços competitivos e diferenciados, devido à percepção de qualidade e segurança. Elas também auxiliam no acesso a novos mercados  e contribuem para a melhoria da imagem da fazenda, demonstrando um compromisso claro com práticas sustentáveis e o bem-estar animal.

Existem diversas certificações disponíveis para as fazendas leiteiras, cada uma com seus próprios requisitos e focos, algumas mais comuns são:

  • Certificação de Bem-estar Animal: assegura que os animais são criados em condições que respeitam suas necessidades biológicas, comportamentais e fisiológicas, priorizando a qualidade de vida dos animais.
     
  • Certificação de produção orgânica: garante que os produtos lácteos foram produzidos sem o uso de agrotóxicos, fertilizantes sintéticos e organismos geneticamente modificados.
     
  • Certificação de qualidade: garante que os produtos lácteos atendem a padrões de qualidade definidos, como por exemplo, a ausência de contaminantes e a conformidade com as legislações vigentes.
     
  • Certificação ambiental ou sustentável: avalia as práticas de gestão ambiental da fazenda, como o uso eficiente da água, a gestão de resíduos e a conservação do solo e da água.

Realidades diferentes: certificações para todos

Diana Jank, diretora de marketing da Letti A², marca de lácteos produzidos pela fazenda Agrindus, a quinta maior produtora de leite do Brasil segundo o Levantamento Top 100 2024 do MilkPoint, acredita que as certificações transformaram o mercado de alimentos. “No mercado de leite do Brasil, é muito interessante acompanhar como as certificações contribuíram para que pudéssemos acessar o consumidor com as informações que realmente desejamos passar.”

A marca possui 7 selos que certificam desde a produção sustentável e bem-estar animal até a logística reversa para o descarte correto da embalagem. Diana destaca a importância da imparcialidade conferida pelos selos e certificados, que reforçam a confiança do consumidor. “Não sou eu, como empresa, afirmando sobre mim mesma,e sim um terceiro chancelando uma prática que temos. Isso contribui para a veracidade e confiabilidade da narrativa que chega ao consumidor final. Fica muito mais evidente qual benefício ele está adquirindo junto com o alimento.

Embalagem Letti com selos de certificação
Leite Letti A² com os 7 selos de certificações. Imagem: Instagram @leiteletti

A realidade da Letti A², contudo, é a de uma operação verticalizada, onde o controle de todas as etapas da produção facilita a obtenção dessas certificações. O que muitas vezes parece distante para outras fazendas é, na verdade, possível de alcançar em diferentes contextos.

As certificações em fazendas leiteiras estão diretamente ligadas aos conceitos de sustentabilidade e rentabilidade. A Fazenda Figueiredo, a 11ª maior produtora de leite do Brasil pelo Levantamento TOP 100 2024 MilkPoint, é um exemplo desse impacto e de que a obtenção de certificações também é viável para propriedades não verticalizadas.  

Recentemente, a fazenda recebeu uma certificação em sustentabilidade, após cumprir 100% dos requisitos durante a auditoria, que inclui critérios como bem-estar animal, gestão, infraestrutura e qualidade do leite.

Com a certificação, além dos benefícios para o meio ambiente, a Fazenda Figueiredo conquistou um aumento da receita, devido à bonificação que passou a receber por litro de leite produzido. “Com essa certificação e aprovação com o título de fazenda sustentável, ganho 5 centavos por litro de leite a mais no preço.”, relata Reinaldo Figueiredo, Diretor Administrativo na Fazenda Figueiredo.

Fazenda Figueiredo recebendo certificação de sustentabilidade
Representantes de Fazenda Figueiredo recebendo a certificação. Foto: CCPR

Diana Jank também ressalta os benefícios organizacionais que as certificações trazem, auxiliando na gestão das atividades dentro da fazenda e na construção de protocolos que direcionam as operações diárias.  “Quando você adota um processo com o rigor das certificações, isso nos obriga a desenvolver parâmetros e comparações dentro da própria prática, o que é fundamental quando falamos de uma fazenda, especialmente de uma produção de leite.”

As certificações nas fazendas leiteiras vão além de um simples cumprimento de normas, elas são ferramentas estratégicas que promovem a qualidade, a sustentabilidade e a rentabilidade. Além de melhorar a gestão e os processos internos, fortalecem a imagem da fazenda junto aos consumidores, que cada vez mais valorizam produtos de origem responsável. Assim, a adoção de certificações pode ser vista como um investimento no futuro da produção leiteira, com retornos que vão além do financeiro, abrangendo também aspectos sociais e ambientais.

 

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Referência:

Mapa do leite: Políticas Públicas e privadas para o leite
Certified Humane Brasil

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Material escrito por:

Maria Luíza Terra

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