MilkPoint Experts: quais as previsões para o mercado lácteo brasileiro diante do coronavírus?

O leite é uma atividade diária e extremamente dinâmica. Com isso, está sujeita a sofrer impactos grandes e repentinos, como a pandemia de coronavírus.

Publicado por: MilkPoint

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O leite é uma atividade diária e extremamente dinâmica. Com isso, está sujeita a sofrer impactos grandes e repentinos, como a pandemia de coronavírus. Para trazer um pouco de luz ao futuro deste mercado, a segunda palestra do MilkPoint Experts foi ministrada por Valter Galan, do MilkPoint Mercado.

Válter dividiu sua palestra em três etapas: mercado pré-coronavírus, momento atual e possíveis cenários de futuro. Este artigo será dividido da mesma forma.

Mercado pré-coronavírus

Como não se via desde 2016, a situação era promissora para o mercado lácteo.

O fim de 2019 e o início de 2020 foram marcados por uma desaceleração na produção de leite em todo o país, devido a fatores como seca em Goiás e Minas Gerais no ano passado, seca no Sul (que se mantém) e alta nos preços de milho e soja (veja bem, os preços de grãos já vinham altos antes da pandemia!).

Por outro lado, a demanda por produtos lácteos estava em alta: leite UHT e iogurtes fecharam o ano com recuperação, requeijão e leites em pó se mantiveram estáveis. Logo, com produção baixa e demanda alta, a disponibilidade de leite era baixa, refletindo melhores preços e um mercado firme.

Situação atual

Então veio a pandemia do coronavírus. Os serviços de food service foram praticamente reduzidos a zero. O mercado de queijos (que destina cerca de 50% da sua oferta a esse canal), sofreu grande impacto.

Grande parte do leite excedente foi absorvido pelo varejo e outros canais (como vimos no artigo anterior, a demanda por produtos lácteos no varejo teve alta) e parte foi direcionado para o mercado spot (comercialização entre indústrias). O comportamento de estocagem dos consumidores fez com que houvesse aumento nos preços da indústria para o varejo.

A permissão de comercialização de leite entre grandes, médias e pequenas indústrias pelo governo aliviou os pequenos laticínios (principalmente produtores de queijo), que não tinham mais como armazenar seus produtos. Na verdade, a comercialização de leite entre empresas já existia. O que foi permitido foi a comercialização por parte de empresas somente com inspeção municipal e estadual para as empresas com inspeção federal. Contudo, esse fator somado à desaceleração da demanda por parte dos consumidores, vem gerando dificuldades de escoamento da produção. Os preços do mercado spot, que antes haviam subido, caíram fortemente. O mercado de muçarela segue também em queda e os leites em pó se sustentam.

Na produção, deve-se observar daqui para frente uma diminuição na rentabilidade dos produtores e os custos de produção permanecem elevados. Este cenário leva à diminuição nos volumes de produção (mudanças na dieta, secagem e, até, descarte de animais).

Diante disso, o que nos espera?

Como mencionado anteriormente, os preços do milho e da soja já vinham em alta e a tendência é de permanecerem (apesar de leves quedas recentes). Logo, pelo restante do ano, os custos de produção devem se manter altos e a produção diminuída.

Devido à situação do mercado internacional e do valor das taxas de câmbio, as importações não são atrativas, com estimativa de queda de 42% no primeiro semestre de 2020, frente ao ano anterior. As exportações, por sua vez, são uma possibilidade.

Esses dois fatores (menor produção e menor importação) levarão a uma disponibilidade de leite per capita diminuída (cerca de menos 5% em relação a 2019). Ocorre que, neste trimestre, a queda de dois dígitos no PIB deve reduzir mais do que isso a demanda, o que acarreta em redução dos preços para a indústria e para o produtor. Por quanto mais tempo se estender a quarentena, maior será o impacto no PIB do país e na renda da população, o que impacta diretamente o consumo de lácteos (estima-se que, com uma queda de 5% no PIB, tenha-se uma queda de 3,3% no consumo de produtos lácteos).

Previsões para o segundo semestre

A tendência é que o consumo, em algum momento se recupere, mas a disponibilidade de leite reagirá mais lentamente, devido a problemas na rentabilidade dos produtores no primeiro semestre. Esse aumento de demanda provavelmente levará a um aumento no preço do leite mais no fim do ano.

Caso essa tendência se consolide, teremos uma “curva invertida de preços”, com valores baixos no meio do ano e mais altos no fim, devido à baixa disponibilidade de leite. Contudo, se a situação de pandemia demorar muito a se resolver, é provável que a curva se estenda até 2021.

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É importante levar em consideração que diversos outros fatores (como medidas governamentais, impactos no PIB, mercado externo, câmbio etc.) não podem ser precisamente previstos e podem causar impactos importantes, modificando as curvas propostas. A situação esperada para o fim de 2019 e início de 2020 é semelhante à ocorrida em 2015/2016, quando houve queda na renda da população, contudo a disponibilidade de leite per capita caiu ainda mais, levando à alta nos preços.

 

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Figura 2

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Carlos Humberto Mendes de Carvalho
CARLOS HUMBERTO MENDES DE CARVALHO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 24/04/2020

Foram boas as palestras do Milkpoint Point Express. Como o mercado ficará volátil sujeito principalmente a mudança das quarentenas Municipal e estadusal e medidas do Governo Federal a área de lacteos precisa de muita cautela afim de evitar excessos de produção frente a demanda reprimida.
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