O setor de laticínios da África está atraindo investimentos milionários, à medida que o potencial de crescimento da região continua chamando a atenção dos investidores.
Investimentos internacionais e locais estão fluindo para a indústria de laticínios africana, enquanto instituições financeiras e laticínios se comprometem a desenvolver ainda mais o setor, em meio ao aumento das atividades de fusões e aquisições nos mercados maduros do continente.
Segundo Paul Makube, economista agrícola sênior da divisão comercial do banco sul-africano FNB, a produção e o consumo de leite na África ainda estão muito abaixo da média global — cerca de 5% e 35 litros per capita por ano.
Mas, considerando o crescimento demográfico da África, a urbanização crescente e as mudanças nas preferências alimentares, a região tem “potencial significativo de investimento” para expandir a indústria, que pode atingir um valor estimado de US$ 14,36 bilhões até 2028.
“A infraestrutura de processamento e distribuição em cadeia fria também é pouco desenvolvida, exigindo investimentos enormes que, na maioria dos casos, só podem vir de fontes externas”, disse Makube em entrevista.
Quais mercados africanos estão atraindo investimentos?
O setor de laticínios africano atraiu investimentos nos últimos meses, com mercados como Quênia, Egito, Nigéria e África do Sul sendo vistos como líderes.
Em outubro, o grupo egípcio de laticínios Beyti anunciou um investimento de cerca de US$ 123 milhões em uma unidade de produção de queijo com capacidade de 100.000 toneladas por ano. Antes disso, o grande grupo multinacional Lactalis Halawa adquiriu o Greenland Group em 2019.
Na África do Sul, os negócios de investimento no setor de laticínios incluíram a aquisição da Clover Industries pela Milco SA. A Schreiber Foods também investiu em uma joint venture com a Sundale Dair, enquanto a EXEO Capital investiu na Fairview Cheese Company.
Os investimentos têm fluído para a indústria de laticínios da África não apenas por meio de fusões, aquisições e parcerias, mas também na modernização das operações existentes, através da importação de equipamentos de fornecedores estrangeiros.
Nesse sentido, o governo do Quênia investiu cerca de US$ 5,16 milhões em uma nova planta de processamento de leite.
Como os gigantes da alimentação e laticínios estão investindo na África?
A gigante do setor alimentício Nestlé afirmou que continua “investindo nas operações da África do Sul”. “Isso inclui modernizações nas fábricas de Estcourt e Mossel Bay, bem como iniciativas de transformação digital que fazem parte dos nossos esforços mais amplos para modernizar as operações e melhorar o acesso para consumidores e comunidades”, disse um porta-voz da empresa.
Alexandra Pecoux, gerente global de comunicação externa da Danone, disse por e-mail que a processadora global de laticínios está “investindo em capacidades locais de produção de leite e na cadeia de suprimentos em Ibadan, Nigéria”, o que está permitindo à empresa “reduzir o consumo de leite em pó importado, utilizando leite fresco local”.
“Ao longo da próxima década, prevemos um crescimento exponencial da demanda por proteína na África. Os laticínios estão em uma posição única para atender a essa necessidade nutricional de forma saudável, econômica e sustentável, e estamos nos preparando para aproveitar essa oportunidade.”
A Danone vê ainda amplas oportunidades de investimento na fabricação de iogurtes. Atualmente, o consumo per capita de laticínios e iogurtes chega a 16 quilos por pessoa por ano em países do Norte da África, como Marrocos e Argélia.
No entanto, existem oportunidades para expandir a produção e o consumo em outros mercados da região, como Nigéria e Gana, onde a categoria de iogurtes ainda é incipiente.
Desbloqueando o potencial da África
Com mercados africanos enfrentando desafios como infraestrutura deficiente e redes logísticas precárias, destravar novos investimentos locais, regionais e internacionais também pode gerar mais valor comercial, seja por meio de injeção direta de recursos ou operações conjuntas, disse Paul Makube, do FNB.
Outro banco continental, o Standard Bank, afirmou que a cadeia fria do setor de laticínios africano também é “uma área que vemos como prioritária para investimento”, além da “descentralização das redes de energia para apoiar o resfriamento nos centros de coleta”.
“O financiamento de equipamentos para laticínios é padrão dentro da nossa proposta de Financiamento Comercial/Veicular e de Ativos”, disse o Standard Bank. “O lado do processamento é, em sua maioria, financiado por soluções de capital de giro de curto prazo e financiamento de ativos, já que o braço logístico geralmente está incorporado ao negócio dos laticínios”
As informações são do Dairy Reporter, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint