Historicamente o mês de fevereiro não é um mês excelente para a agricultura cearense. Ao contrário, fevereiro é conhecido pela frequência observada de veranicos, situações essas que preocupam àqueles, que porventura, semearam seus campos após as chuvas de janeiro. É verdade que o semeio em janeiro ocorre normalmente quando do aparecimento das chuvas, sendo seu aparecimento relacionado diretamente com os anos de precipitação pluviométrica classificada de média a alta.
Esse ano, como previsto, não há grandes chances de precipitações significativas, notadamente para a recomposição das reservas hídricas. Todavia, há oportunidade de ser obtida produção de forrageiras e essas passíveis de compor reserva de alimentos. É verdade que fevereiro é marcado muito pela alegria do carnaval, sendo à base do planejamento de muitos, o que será feito durante esse período. Pensamos que os festejos deveriam ser programados para outro período, pois esses dias de fevereiro apresentam-se como a última oportunidade de obtenção de alimentos para os rebanhos.
Vivenciamos um momento decisivo para os sistemas de produção de leite da região. A condição conjuntural não se apresenta favorável. Não entraremos no debate dos maiores limitantes. Não que não devamos, mas dada o pequeno espaço de tempo para reação, devemos mobilizar as forças em prol do aspecto fundamental dos sistemas no momento: ter alimento volumoso em quantidade suficiente.
É verdade que a compra de volumosos apresenta-se como alternativa àqueles que por algum motivo não dispõem de volume suficiente para sua demanda. Essa prática foi utilizada por muitos, mas estrategicamente não apresenta viabilidade, seja por questões de preço ou pela indisponibilidade esperada para esse ano (não haverá água para irrigar).
E o que fazer? Eu faria o seguinte: Plantaria tudo que pudesse até o fim do mês (sorgo e milheto); Planejaria a oferta de água com foco no consumo dos animais, sem preocupação em irrigação (quem sabe abertura de poços com esse fim) e se possível, construção de barragem subterrânea; Plantaria palma forrageira, encarando até como cultura temporária se preciso (se escapar após o corte, é lucro); Roçaria minhas pastagens cultivadas e, se desse, em março/abril colheria, vedando as áreas posteriormente para uso em diferimento até setembro; Descartaria tudo, inclusive animais, que não necessitasse; por fim, Rezaria, pra dar tudo isso certo e conseguir fazer tudo isso ainda em fevereiro!
Ia esquecendo: Perderia o carnaval, pra não perder tudo que fiz ao longo dos últimos 15 anos e Planejaria meu sistema, pra que não passasse mais por isso. Pense em trinta dias que valem ouro!
Trinta dias que valem ouro!
Historicamente o mês de fevereiro não é um mês excelente para a agricultura cearense. Ao contrário, fevereiro é conhecido pela frequência observada de veranicos, situações essas que preocupam àqueles, que porventura, semearam seus campos após as chuvas de janeiro. É verdade que o semeio em janeiro ocorre normalmente quando do aparecimento das chuvas, sendo seu aparecimento relacionado diretamente com os anos de precipitação pluviométrica classificada de média a alta.[...]
Publicado por: Rodrigo Gregório da Silva
Publicado em: - 2 minutos de leitura
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Material escrito por:
Rodrigo Gregório da Silva
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PATRÍCIA GUIMARÃES PIMENTEL
FORTALEZA - CEARÁ - PESQUISA/ENSINO
EM 06/02/2015
Parabéns pelo artigo! Com certeza uma boa estratégia para enfrentamento dos meses vindouros. Espero que desperte a urgência e importância nos leitores e produtores. Momento difícil.