Desafios para o futuro
Produzir leite foi, é e continuará sendo desafiador. Não só aqui no Brasil, onde os mecanismos de estabilidade da produção inexistem, mas também no resto do mundo aonde vimos como os custos subiram de forma generalizada nesses últimos três anos e tumultuaram, inclusive [...]
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É um negócio para poucos, mas surpreendentemente continua sendo grande empregador de mão de obra, especialmente familiar, e importante solução de ‘meio de vida’ para parcela expressiva da população mundial. Difícil entender o porquê, já que é atividade reconhecidamente laboriosa e desgastante. Talvez o fato de que o produtor vende um subproduto de seus animais (nem sempre com lucro, é verdade), teoricamente sem afetar seu patrimônio, explique esse mistério do inconsciente da mente humana.
Mas também o imponderável clima tem feito mais vítimas nos últimos tempos e deixou profundas marcas em 2013/14, principalmente com a seca em São Paulo e Minas Gerais. Que nos sirva de alerta e de lição.
Por sua vez, os impactos ambientais da exploração leiteira e o mais recente “uso racional da água”, cada vez mais vão fazer parte das diversas demandas públicas e de responsabilidade social, exigidas do produtor de leite.
A exportação de lácteos, pequena e restrita a alguns países, continua extremamente dependente de poucos mercados; apenas o prenúncio da queda do crescimento Chinês já provocou alarmante revisão no valor do leite previsto para a safra 2015/16 na Nova Zelândia, um grande exportador.
2015 certamente será um ano difícil. Contra o setor temos a restrição de consumo originada pela crise e a possível restrição de crédito, prevista pelo Levy, para equilibrar a lambança do PT na economia.
A nosso favor temos a taxa de câmbio, que parece ter encontrado certa estabilidade na casa dos R$ 2,50 +. Isso ajuda a restringir importações e não atrapalha nossa competitividade nas exportações, situação que foi corriqueira e desmotivadora para todo o setor entre 2006 e 2012.
Como a flutuação da produção ainda é incerta, já que os estímulos e desestímulos via preço do leite ao produtor não estão claramente definidos pelo mercado até agora, podemos afirmar pelo histórico da última década que quanto maior a razão da queda ou aumento dos preços, maior o grau de ruptura ou crescimento repentino da produção primária. Ainda não aprendemos a trabalhar pelas medianas, portanto permanece o estado de atenção e a instabilidade da oferta.
Um setor sem mecanismos de financiamento de estoque, ferramentas de ajustes da oferta ou da exportação, certamente continuará a conviver com essa realidade. Por conta da demanda crescente, também não fomos capazes ou suficientemente motivados a criar um sistema de remuneração por qualidade, cotas ou fidelidade que, de fato, profissionalize e selecione o setor de forma mais firme, tanto no setor primário como secundário. Infelizmente continuam por aí as fraudes, que não me deixam mentir.
Ainda assim, o Brasil permanece como um dos mercados com maior potencial de crescimento de consumo, ao lado da Ásia, e está entre os poucos países que tem capacidade para crescer tanto em volume, produtividade como em qualidade. Temos muito por fazer e isso, afinal de contas, é extremamente positivo.
Temos espaço físico, potencial de consumo, de exportação e muita eficiência para ser conquistada.
A esperança é que o produtor vocacionado permaneça crescendo e apoiado pelas instituições publicas e privadas e possa, assim, cumprir seu papel de supridor de alimentos para a sociedade.
Material escrito por:
Roberto Jank Jr.
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DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 11/12/2014
Também concordo com o Craig no diagnostico da produtividade, mas em nenhum momento falei em crise do leite. Também não acredito que esse tema tenha origem nas industrias, que tem sofrido bastante.
A crise é econômica e afeta todos os setores. A lei da oferta e procura é implacável e toda vez que a demanda for inferior à oferta os preços cairão. Veja que o leite é um produto de baixa elasticidade de renda, o que significa que vendido por R$ 2,00 ou R$ 1,60 não haverá aumento nas vendas. Por que vender barato? Apenas porque o excedente de oferta motiva o mercado a reduzir os preços; não ha outra explicação ou vantagem.
Precisamos sim ser mais profissionais, melhorar e liderar um programa de qualidade e exigir uma maior segmentação do mercado de lácteos.
Enfim, aprender com quem já resolveu isso em outros mercados.
abraços,
DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 11/12/2014
Nosso mercado cresceu muito, porém de forma horizontal. Não acredito que a industria esteja satisfeita com seus resultados e com esse quadro. Estamos caminhando para melhores ganhos de forma vertical, com mais produtividade por área e profissionalismo, mas falta empenho de toda a classe, inclusive nosso e da industria.
abraços,.
DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 11/12/2014
Estou 100% de acordo com você e certamente o ganho na a produtividade é o maior reflexo do profissionalismo e o melhor retrato do debate em outro nível.
Nos falta o catalisador do processo; caminhamos muito devagar.
Forte abraço e saúde.
DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 11/12/2014
No setor privado precisamos pressionar a modernização das normas para vender leite entre 90 e 120ºC de tratamento térmico (os meia vida), hoje comuns na Europa e USA. existe um ganho de biosseguridade que não podemos exercer por falta de normas.
A própria retirada do citrato de sódio em longa vida de boa qualidade é um diferencial a ser perseguido. Temos varias frentes a atacar, mas infelizmente a mesmice tem imperado.
Em síntese, não acredito em reinvenção da roda, mas podemos reconhecer e reproduzir varias atitudes de outros países mais organizados e maduros que nós no segmento leite.
abraços e ótimo ano,
DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 11/12/2014
abraços
BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 10/12/2014
JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 08/12/2014

MURIAÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 08/12/2014

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 07/12/2014
Concordo com o quadro que você coloca para o produtor de leite nacional.
Gostaria de saber na sua opinião o que a indústria e as instituições públicas e privadas podem( e deveriam ) fazer para o produtor vocacionado permaneça na atividade, crescendo, para abastecer o mercado interno com leite de qualidade que o nosso consumidor merece e viabilizar o País se colocar efetivamente no mercado externo como exportado de leite e lácteos.
Abraço
Marcello de Moura Campos Filho

ARAPOTI - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 06/12/2014
Conhecedor e produtor de destaque ,que conhece e sabe o faz e colocou com muito profissinalismo do setor mas mostrou seu otimismo mesmo com a incerteza prevista.
Feliz Natal e um Bom 2015 a Você e sua família e todos os leitores.
SANTA JULIANA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 05/12/2014
O produtor de milho e soja "que também é nosso caso" se o preço está ruim tem como armazenar o produto e esperar uma reação dos preços , e se o preço do LEITE for lá em baixo o único jeito é vender ou abrir o registro do tanque e deixar o leite correr.