Dancei, agora pra valer
Espaço aberto: Com a decretação da segunda falência do Nilza, tenho certeza que não mais verei meus pobres, sofridos, esforçados e necessários caraminguás que o "seu" Adhemar de Barros e seu sócio me devem. Por Emerson Gonçalves (produtor de leite e colunista do portal GloboEsporte)
Publicado em: - 4 minutos de leitura
Adhemar de Barros era o dono do Nilza. Pelo que sei, sujeito endinheirado de longa data. Vendeu a Lacta para a Kraft e estufou os bolsos e cofres com muitos milhões de reais, quiçá dólares ou euros. Aqui, de minha parte, continuarei chamando de caraminguás o pouco que me é devido. Coisa de pobre, mas espero que compreendam. Não sei da vida do "seu" Adhemar, mas duvido que esteja pior que eu.
Quem vai bem, obrigado, é o sócio do "seu" Adhemar, o BNDES. Há alguns anos, em entrevista à Isto É Dinheiro, assim pronunciou-se seu presidente à época e ainda hoje, o Professor Luciano Coutinho:
"DINHEIRO - E quando os negócios dão errado?
COUTINHO - A taxa de inadimplência e operações mal-sucedidas no BNDES é de apenas 0,15% dos seus ativos. Muito mais baixa do que a do sistema bancário privado. O BNDES é um banco extremamente bem gerenciado, tem resultados e objetivos que mostram a excelência técnica da sua perfomance como banco de investimento e um banco de crédito. Esse é um problema ausente, tão sem fundamento..."
Sempre tive esse banco em alta conta, apesar de servir muito mais a intuitos políticos dos mandatários de plantão do que propriamente, pura e simplesmente, ao desenvolvimento e outras coisas bonitas em seus princípios ou missão ou sei lá o que.
Desculpem, mas com o correr do tempo meu estômago, tão acostumado a receber de tudo um pouco por sertões e sertões dessa Terra de Vera Cruz, agora recusa-se, terminantemente, a receber papagaiada bem escrita de empresas e pessoas desse tipo.
O que sei é que o tal banco tem dinheiro pra burro, ou melhor, tem dinheiro de monte para espertos e dinheiro zero para burros na acepção popular, gente assim como eu. Mas, como deixou claro seu didático presidente, é coisa sem fundamento o grão de poeira que não dá certo nos "investimentos" do banco. Logo, nada mais sem fundamento, sem razão de ser, exceto chateação, do que a minha reclamação. De fato, coisa de pobre.
O Nilza quebrou.
O "seu" Adhemar eu não sei se também quebrou, mas a experiência tem me mostrado que os povos das altas rodas raramente se dão mal, mesmo. Sempre sobra uma "Mercedinha", um cartãozinho mágico, uma cobertura maneira para receber, essas pequenas coisas que tornam a vida digna das páginas de Caras.
O BNDES não quebrou, imaginem! Era só o que faltava. Afinal, como quebrar se o dinheiro do FGTS e as burras do Tesouro estão aí, disponíveis? Ou, como se diz na moderna língua portuguesa, todo o montante que for necessário será sempre devidamente disponibilizado, ainda mais com as eleições se sucedendo (ainda bem, sem ironia) de dois em dois anos.
Com tanta gente bem, de bem e de bem com a vida, fico aqui a fazer papel tolo e chato, reclamando meia dúzia de caraminguás, que, se entrassem em minha conta, ajudar-me-iam sobremaneira a comprar telhas para cobrir os dois galpões cujos telhados foram destruídos por ventos fortíssimos, a pagar o sacrossanto 13º e comprar parte das férias de meu retireiro, a trocar a ordenhadeira de carrinho para duas vacas, mas cuja pressão só funciona para uma, por outra mais nova, para três vacas. Como vêem, tudo coisa de pobre. Juro que nem penso em usar o dinheirinho devido para tentar aposentar minha Tempra 94, veteraníssima com mais de meio milhão de quilômetros e a caminho do milhão, fazendo o papel de pickup e de carro, apesar dos grãos de milho, do farelo de soja, dos pedacinhos de polpa e das infinitas palhas de feno que abundam em seu interior, tar i quar, provavelmente, a "Mercedinha" do "seu" Adhemar.
Apesar de muito dizer seu nome, estou me lixando pro "seu" Adhemar, verdade seja dita. Sei que de seu mato coelho nenhum sairá, ao menos para mim. Minha bronca é com o sócio dele, o "seu" Luciano, ops, desculpe, Professor-Doutor Luciano e seu banco. Que avalizaram o Nilza, fazendo com que pobres e crentes produtores acreditassem no laticínio - quem não acreditaria em alguém com sócio tão forte e que injetara mais de 100 milhões de reais na empresa? - e para ele entregassem o fruto de seu trabalho. E agora, bobos e inocentes que somos, ficamos a ver nossos caraminguás desaparecerem em algum insondável buraco negro, do qual jamais sairão. Como o banco é do "governo" (bobagem dizer que é da sociedade, do povo e outras milongas mais), bem que o todo poderoso podia, ao menos, creditar o valor devido por ele mesmo para o pagamento de impostos, não?
Ou - por que não? - fazer como o campo de futebol em construção em Itaquera, que já começou a receber do governo (é municipal, mas é governo e governo é tudo igual, é tudo a mesma coisa) 420 milhões de reais na forma de créditos para pagar impostos.
Que beleza, não?
Por fim, leio e fico condoído com as preocupações de muitos com os funcionários do Nilza.
Justas, muito justas, justíssimas preocupações, afinal, os operários dependem de seus salários para viver, não? A menos, é claro, que sejam "promovidos" a dirigentes sindicais, o que já é outra história. Só não vejo a mesma preocupação com os produtores que também dependem do leite para viver. Ah, mas os produtores podem matar suas vacas e vender a carne magra a preço de leite (não mais de banana) para o açougue mais próximo.
Bom, acho que o assunto Nilza já deu. Não vou mais aborrecer vocês com a minha raiva. Melhor falar do farelo de soja que consegui comprar dias atrás por apenas 69 reais, um preço ainda tão pornográfico quanto a popular posição sexual em verso e prosa cantada e recitada.
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Material escrito por:
Emerson Gonçalves
Produtor de leite em Santa Rita do Passa Quatro em tempo integral, principalmente nos finais de semana. Colunista do portal GloboEsporte, autor do Olhar Crônico Esportivo.
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MOCOCA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 23/11/2012
Triste ver produtores, (pequenos médios e grandes), funcionários e fornecedores amargando vultuosos prejuízos, enquanto nosso GLORIOSO BNDES apresenta resultados fantásticos.
Quiçá nosso Adhemar esteja gozando de excelente saúde e cabeça fresca em alguma de nossas belas praias.
BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 21/11/2012

SANTA RITA DO PASSA QUATRO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 21/11/2012
Lamento por sermos companheiros de infortúnio.

MATEUS LEME - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 21/11/2012
Quais serão as garantias que CUBA deu para o BNDES, caso eles não consigam cumprir com os pagamentos, porque em nosso caso, temos que colocar nossas terras, propriedades e tudo mais para garantir, e se não pagar o bicho ( LEAO) pega. Fico muito triste com tudo isso sr. Emerson, mais não podemos deixar nos abater, não podemos perder a confiança em nosso pais, um terra maravilhosa, produtiva, abençoada, temos muita agua, terra e tudo mais, um povo maravilhoso, trabalhador e honesto - formado por pessoas como o Sr.
Precisamos ter fé que dias ou melhor! "POLÍTICOS" melhores viram, e que nosso pais vai sim ser a maior nação desse planeta. Esse dia chegara quando os verdadeiros brasileiros, pessoas de bem que carregam essa nação nas costas forem valorizados e protegidos pelo sistema. Não percamos a fé. Que Deus nos abençoe sempre... Sergio Braz

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS
EM 20/11/2012

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 20/11/2012

ALTINHO - PERNAMBUCO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 20/11/2012
É por isto que vemos muita gente crescendo de forma tão astronômica que fica difícil justificar para os nossos filhos por que ficamos de fora dessa boquinha.
O procedimento adotado pelo BNDES é o mesmo que foi adotado pela extinta SUDENE, aqui no nordeste e que deu no que deu. Agora a coisa tomou rumos internacionais e o BNDES financia também empreendimentos no exterior, aliás, não financia, torna-se sócio minoritário.
É o dinheiro da viúva, ou da muda, como dizem outros, que está sendo emprestado de forma generosa aos que têm prestígio junto às altas esferas governamentais. Quanto a nós, produtores rurais, alguém aí já tentou levantar um mísero financiamento para investimento na propriedade rural? Deve ter sofrido os diabos e não ter conseguido nada. Pobres de nós.
CAMPO BELO - MINAS GERAIS - INSTITUIÇÃO PÚBLICA
EM 20/11/2012

SANTOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 20/11/2012
isto antes da falencia decretada. quem ganha com esta falencia se estava acordado reabrir a fabrica.
DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 20/11/2012

FRANCA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 19/11/2012
Fiz um comentário na primeira falência da Nilza que ratifica sua opinião: entender a má gestão e o que levou a Nilza ao insucesso, é fácil; difícil é compreender os motivos que levaram o BNDES a investir tantos milhões.
Aproveito o tema para questionar os advogados que por ventura frequentam o milkpoint. Quem sabe possam esclarecer essa dúvida que me persegue:
"Se o BNDESpar é sócio legal da Nilza, não poderia ser executado individualmente pelos credores, na proporção de sua participação societária naquela empresa?"
Se respondessem juridicamente pela infeliz decisão que tomaram em depositar nosso dinheiro (FGTS) em uma empresa sem a mínima condição de gerir adequadamente seu negócio, ao menos teríamos a sensação de que o erro não seria repetido (como já foi) em outras empresas do setor.

BOTELHOS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 19/11/2012