Cadê meu pagamento?
Cadê meu pagamento? "Caixa postal lotada. Por favor, ligue mais tarde." Assim começou a manhã de quarta-feira, 7 de janeiro, para mim. Provavelmente para muitos outros, também, todos eles produtores de leite e fornecedores de um grande laticínio paulista, como eu.
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"Caixa postal lotada. Por favor, ligue mais tarde."
Assim começou a manhã de quarta-feira, 7 de janeiro, para mim. Provavelmente para muitos outros, também, todos eles produtores de leite e fornecedores de um grande laticínio paulista, como eu. Todos, como eu, devem ter ligado logo cedo para o seu interlocutor na empresa, a pessoa que compra nosso leite e passa orientações e informações diversas. Venho ligando para ele, o comprador, há vários dias, desde antes do Natal. Nas duas primeiras ligações fui atendido, ambas antes do Natal. Depois disso, não mais. Já estou sabendo que isso não é privilégio meu, pelo contrário, pois um vizinho que também entrega seu leite para eles não tem sido atendido.
E por que cargas-d'água estou eu ligando para o pobre homem logo às sete horas da manhã, insistentemente?
Porque nesse horário eu fico sabendo que minha conta bancária continua sem o depósito do dinheiro que me é devido pela indústria, simples assim. Vamos ver, então, que dinheiro é esse.
Durante o mês de novembro, que começou há 68 dias e terminou há 38, com chuva ou com frio (tivemos chuva, felizmente, e tivemos até frio nesse novembro último, tal como ocorreu em dezembro), as atividades no Sítio das Macaúbas não mudaram, nem mesmo aos domingos ou no dia de Finados. Por volta de seis horas da manhã, as vacas, já à espera na porteira do pasto, foram para o curral e pouco depois começou a ordenha.
Para fazer a ordenha há uma pessoa trabalhando, que recebe um salário por isso, e mais os encargos sociais de lei. A ordenhadeira é mecânica, logo, precisa de energia elétrica para funcionar, energia que é cobrada religiosamente todo mês. O leite é guardado num resfriador, ele também movido a energia elétrica. As vacas comem um pouco de ração, ingerem alguns medicamentos homeopáticos, foram vacinadas nesse novembro contra a aftosa, comeram cana misturada com uréia, enfim, geraram inúmeras despesas para que, ao final, jorrasse o leite saudável, nutritivo, riquíssimo e com um toque de amarelo, típico das vacas Jersey e suas mestiças, o melhor leite do mundo por sua riqueza em proteínas, minerais e gordura.
Vale dizer que o mestre-cuca inglês e astro de TV Jamie Oliver, só usa creme de leite de vacas Jersey em suas receitas que deixam a boca cheia d'água.
O preço pago por esse produto em outubro, e repetido em novembro, foi de 53 centavos o litro. Isso aí: cinqüenta e três centavos de real por litro de leite, no meu caso um leite riquíssimo, de alto desempenho industrial, fazendo mais queijos, mais manteiga, mais iogurtes, com menos leite que o de outras raças bovinas.
Não bastasse esse preço miserável, o leite produzido durante o mês de novembro ainda não foi pago. Até hoje, dia 7 de janeiro.
O certo, na minha visão e de todos os produtores que conheço, teria sido receber o pagamento no começo de dezembro, lá pelo dia 5. Só que a indústria, do alto de sua fortaleza empresarial, achou melhor pagar no dia 12 de cada mês. Em outubro, sem mais nem menos, mudaram a data de pagamento para o dia 20, uma tragédia. Como em novembro esse dia foi feriado - mais um - só recebemos no dia 21 de novembro pelo leite de outubro.
Em dezembro, o dia 20 fez o favor de cair num sábado, logo, ingênua e esperançosamente, acessei minha conta no dia 22 e...
Nada.
Nisso, chega um papelzinho, um papelucho, do laticínio, dizendo que o pagamento seria feito até o dia 24 de dezembro.
Bom, engoli a raiva e pensei que, dos males o menor, os caraminguás chegariam antes do Natal. Isso tudo passou por minha cabeça numa fração de segundo, pois a leitura da frase seguinte revelou algo ainda pior: o papelucho dizia que seriam pagos somente 70% do irrisório valor devido.
Os outros 30% seriam pagos em janeiro, fevereiro e março, 10% de cada vez, no dia 20 de cada mês.
Assim, sem mais nem menos. Como nos tempos da colônia, como se fosse um édito real, com o carimbo "Cumpra-se", não importando o quão absurda ou injusta fosse tal medida, tomada além-mar por El Rei.
Pois bem, o dia 24 chegou e se foi, assim como o 25, o 26 e até mesmo o dia 28, e nada do dinheirinho na conta. Nessa altura do campeonato, já tinha ligado para o digno representante, coitado, que é apenas um funcionário, que, constrangido, disse-me o dia 30 seria o limite para todos os depósitos, que eu ficasse despreocupado. Ansioso por agradar-me, disse mais: os 30% restantes seriam pagos de uma só vez em janeiro mesmo. Pelo menos a ligação serviu para desejar ao homem, ele próprio um produtor de leite, um feliz ano novo.
Quando pensava que isso era o pior, descobri que não era bem assim: estamos, repito mais uma vez, em 7 de janeiro e nem os miseráveis 70% entraram na minha conta, assim como não entraram nas contas de muitos outros. Dezembro já é passado e o ano de 2009 já entra em sua segunda semana. Eu, tolamente, não perguntei de que ano era o 30 de dezembro a que ele se referiu. Ingênuo e crente, acreditei que ele referia-se a dezembro de 2008.
Felizmente, não dependo do leite para viver, mas preciso do dinheiro do leite para pagar contas. As pessoas e empresas para quem devo nada têm a ver com a poderosa indústria e com o preço do leite. Mas eu tenho tudo a ver e a haver.
Que fazer?
Não quero ser chato, demagogo ou revolucionário de araque, mas enquanto isto o dono do laticínio certamente não teve problemas para abastecer com gasolina Premium sua Mercedes. Seus familiares tiveram Natal do mais alto nível e qualidade, em termos de presentes, luxo e produtos à mesa, além de locais paradisíacos onde comemorar essa e outras festas.
Tampouco teve problemas para pagar a conta da eletricidade, os salários de seu pessoal doméstico, o valor das compras no supermercado fino, repleto de iguarias d'Europa e Ásia, a começar, creio eu, por bons vinhos e melhores ainda espumantes, certamente merecedores oficiais do nome "champagne".
Agora pergunto: e eu, e nós todos, como ficamos?
Post scriptum em 9 de janeiro
Finalizando: liguei outras vezes para o representante, igualmente sem sucesso, até que atendeu, finalmente. Garantiu-me que o depósito (dos 70%) seria feito ontem, quinta-feira, 8 de janeiro. Ou melhor, como se diz no moderno e destroçado português tupiniquim, "estará sendo depositado".
Não foi.
Quem sabe hoje?
Quem sabe quando?
Mais dez dias e estará na hora de receber pelo leite de dezembro.
Enquanto isso vou pagando as contas.
Vou pagando para produzir leite e entregá-lo à indústria, cujos produtos - eu sou fiel - compro no mercado aqui perto, mas sem choro nem vela: sou obrigado a pagar à vista.
Somando as ligações feitas para o representante, todas em horário comercial, pois entendo que deve-se respeitar horários para tratar de negócios, gastei algo como sete a oito reais, no mínimo. Além do problema do leite estar a esse preço de miserê - R$ 0,53 por litro - tem o ganho real por litro, que nessa época de pasto abundante e despesa mais baixa gira ao redor de oito a dez centavos por litro.
Digamos dez centavos por litro: gastei,portanto, o "lucro" de 70 litros de leite, no mínimo, para cobrar uma posição sobre meu pagamento.
É leite pra burro.
Como já me disseram ene vezes, leite é pra burro.
Mas eu continuo sendo teimoso e crente, sigo acreditando que, se não é bom pra burro produzir leite, ainda é bom demais produzir leite. Sei lá porque, mas eu gosto e voltarei a aumentar a produção brevemente.
Para completar, um pequeno detalhe: como precisei vender várias vacas no início de 2008, estou com somente 7 animais no leite. Com o preço praticado, desisti das duas ordenhas e deixo a bezerrada mamar até o meio da tarde.
Tão pouco leite e nem assim recebo o que me é devido.
Em seu blog no portal Globo.com (http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/), Emerson se intitula "Pequeno produtor de vídeo na cidade grande, produtor de leite ainda menor na cidade pequena. Produtor de escritos diversos, também, não se pode esquecer. No blog, fala do marketing ligado ao mundo da bola, do futebol como business nos dias de hoje, mas também das paixões infinitas que o futebol gera e por elas é gerado."
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Material escrito por:
Emerson Gonçalves
Produtor de leite em Santa Rita do Passa Quatro em tempo integral, principalmente nos finais de semana. Colunista do portal GloboEsporte, autor do Olhar Crônico Esportivo.
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PASSA QUATRO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 24/03/2009
Nosso leite era enviado diariamente para Carvalhos, para o Laticínio Mimoso com sede em Juiz de Fora. Deveríamos receber R$ 0,90 por litro de leite. Atrasaram pagamentos e chegaram a nos pagar R$ 0,35 o litro. Passamos para o Laticínio Natalac Ltda., com sede em Cristina e este fez o mesmo e ao invés de nos pagar os R$ 0,90 derrubou o preço para R$ 0,48 o litro. Tudo isso sem nenhuma explicação ou satisfação.
Em novembro de 2008 começamos a mandar nosso leite para Itamonte, para o Laticínio Montelac, também de nome Nilza Alimentos, com sede em Ribeirão Preto, que nos ofereceram R$ 0,70 por litro com pagamento para todo o dia 20 de cada mês. Recebemos o leite enviado no mês de novembro, com pagamento esperado para o dia 20/12/2008 na data de 12/01/2009, portanto com 23 dias de atraso da data prevista. Além do atraso, recebemos somente 68% do leite enviado. Disseram que isso não se repetiria, mas o pagamento do dia 20/01/2009, referente ao mês dezembro, mais 10% do leite enviado em novembro, ocorreu dia 10/02/2009, portanto, mais uma vez com considerável atraso. Isso para os fornecedores que receberam porque outros ainda não receberam até a presente data.
O leite enviado no mês de janeiro com pagamento esperado para o dia 20/02 ainda não ocorreu e, em reunião convocada por parte do mesmo laticínio, realizada no Sindicato Rural de Passa Quatro, na data de 19/02, o representante da empresa não só não compareceu, como também ligou e passou por telefone os seguintes avisos:
- O pagamento mais uma vez atrasaria sendo realizado a partir do dia 05/03 para os fornecedores que continuassem enviando o leite;
- Os fornecedores que parassem de enviar o leite não receberiam de forma nenhuma o leite já enviado;
- Os fornecedores que pararam de enviar o leite e que optassem por voltar, seriam "perdoados" e receberiam dentro de 60 dias.
Não podemos nos esquecer que o nível de exigência para com o produtor tem aumentado muito. Hoje são necessários investimentos em ordenhadeira e tanques de refrigeração, além de controle sanitário de doenças do gado e aumento do número de mão de obra especializada. Sabemos que tudo isso é necessário para a saúde e bem estar do consumidor, mas não haverá como realizar todo esse investimento ou manter esses cuidados com a produção diante da inconstância e instabilidade vinda dos laticínios. A situação está se tornando caótica. Já são muitos os produtores afetados no Sul de Minas e acredito que o mesmo esteja se repetindo em outras partes do país. Existem empresas saindo de cidades e se instalando em outras, deixando um rastro de falência e descontentamento.
Por outro lado, acredito que nem todos os laticínios possam se enquadrar neste estereotipo de empresas que crescem às custas da exploração de seus fornecedores. Existem algumas que oferecem incentivos ao produtor, estimulando a qualidade do leite e consequentemente a saúde do rebanho e também programas de apoio e gerenciamento para a modernização da produção leiteira.
Sinceramente fico indignado com a situação onde trabalhadores honestos têm que mendigar pelo recebimento de seu serviço e de sua mercadoria. Logicamente gostaríamos que o nosso produto fosse valorizado e que todas as fraudes dos laticínios não nos afetassem, mas acima de tudo, gostaríamos que os acordos entre laticínios e produtores fossem honrados e respeitados. Não estamos reivindicando nada que não seja de nosso direito, somente o nosso pagamento por nossos produtos há tanto tempo entregues.

CAMPANHA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 06/02/2009
Isto não passa de uma chantagem barata, ao sofrido produtor de leite deste país. Esta empresa não esta só me ofendendo, mas ofendendo toda uma classe, que trabalha honestamente pra produzir um alimento quase que sagrado. Classe esta que infelizmente não tem apoio nenhum neste país. Hoje estou fornecendo para outro laticinio, e dou graças a Deus de não ser mais parceiro desta ´´empresa".
Abraços a todos.

ESTRELA - RIO GRANDE DO SUL
EM 06/02/2009
Alguns desistiram, deixaram de atender estes clientes, nós continuamos, com a esperança de que até março a situação melhore, se não melhorar, seremos obrigados a decidir novos caminhos.

SÃO FRANCISCO DE PAULA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 30/01/2009
Fornecia meu leitinho (muito suado de tanto trabalho) ao laticinio Milênio, estava gostando e ia tudo certinho. Depois veio a venda deste para esta tão falada Nilza, cujos donos sao de Ribeirão Preto. Agora em plena época de platio e colheita, com meus compromissos atrasados, já não sei mais o que fazer, pois ligo na empresa e me dizem que o pagamento é a semana que vem (e assim é toda semana), e até quando vou suportar isto?
Um abraço a todos nós sofredores.
Harlen Diniz - São Francisco de Paula-MG

LINS - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 29/01/2009

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 21/01/2009
Respondendo ao Jose Antonio e ao Vicencio Lombar, continuo também entregando meu leite a Nilza, por um unico motivo: os outros laticinios não estão comprando leite.
Discordo do Everton, de Ibiá, pois ninguém no Brasil negocia preço do leite. Nós simplismente "entregamos" para a empresa que nos faz o favor de aceita-lo. E é esta a realidade do mercado de leite no Brasil. Voce não citou, mas se a empresa que voce trabalhou foi a Nestlé de IBIA, ela realmente nunca atrasou o pagamento, ela faz muito pior. A Nestlé é a empresa que melhor representa o imperialismo empresarial, e faz o que quer com seus fornecedores, reduzindo preços, descontando quando convem bonificações, não se compromete com a coleta do leite, sendo que conheço produtores que ficaram 8 dias sem entregar o leite, pois ela simplesmente não ia recolhe-lo. Quando voce decide mudar de empresa, ela simplesmente paga o mernor preço do mercado e alega que ela não tem interesse em te atender, pois voce ja nao faz mais parte do quadro de fornecedores.
Voce escreve sobre fidelização, mas como confiar em empresas que te exploram e te tratam com total falta de respeito? Entregar para cooperativas? Ainda não vi nenhuma cooperativa que funcionassem com eficiencia. Há alguma cooperativa aqui em Minas que seu presidente tenha formação administraiva com especialização na area? Normalmente são produtores fracassados que acham a teta do cooperativsmo para se darem bem.

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 21/01/2009
Resultado: tenho 32 anos, produzo 1.000l/dia e ontem fui parar no hospital, com crise nervosa, pois dei varios cheques. Meus queridos produtores, o que podemos fazer? Sabe, estou em desespero, a policia, as autoridades, nao estão nem ai, precisamos fazer algo. O que nao sei, todos se apoiam nessa crise financeira, e agora, como cumpro minhas obrigações, que ja sao tao dificieis?
Chamem a Globo, o presidente, o ministro da agricultura para nos defender, e ninguem vai aparecer, isso é problema nosso...
Pprodutores, cuidado com esses laticinios!
Um grande abraço,
Mirian Tassi -Nipoa-SP

PATROCÍNIO - MINAS GERAIS - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS
EM 20/01/2009

CAMPO BELO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 16/01/2009
Mas produzir leite é um "vício" difícil de largar. Nos sentimos bem no meio de nossas vacas. Gostamos de vê-las comendo no cocho, pastando, com saúde. Cada bezerro que nasce para nós é motivo de alegria. Até mesmo o seu berro faz bem aos nossos ouvidos. Está no sangue de cada produtor produzir leite. Não é para qualque um. Assim continuamos, com apertos financeiros, decepções, esperanças que não se concretizam. Lamentavelmente. Só esperamos que nossas autoridades responsáveis pelo setor leiteiro no Brasil acordem e percebam que o leite é essencial ao País, e dêem a ele seu devido valor. E que não demorem.
CÁSSIA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 16/01/2009
E nós apenas reclamos. Ainda bem que tem aqui para reclamar, precisamos pegar a rédea do nosso negócio!

FRANCA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 16/01/2009
Wanderley - Franca/SP

ARAPOTI - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 15/01/2009
E ser produtor não é só reclamar quando o mercado esta gelado, mas olhar com os dois olhos da porteira para dentro. Desculpem minha colocação, mas ser produtor por hoby é totalmente diferente do que ser profissional e viver com a familia do que se faz todo santo dia.
JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 15/01/2009
Onde as campanhas por um preço mais justo, pelos deserdados da Parmalat, como o Sr. Emerson, pelo subsídio à produção, pelo aumento do consumo "per capita" no Brasil? Sou advogado de sindicatos e não costumo criticar os aglomerados que fazem alguma coisa em prol dos representados. Mas, os que só tem o título de representantes e nada fazem - ou quase nada - estes sim, são merecedores de críticas ácidas. E, infelizmente, até prova em contrário, a CNA está no meio destes e, não, daqueles.
Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

ALEGRETE - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 14/01/2009
Isto é apenas um desabafo, pois já criamos aqui na minha cidade uma Associação de Produtores de Leite e estamos lutando para que alguma coisa aconteça de diferente. Para que o produtor rural que já é a tanto tempo sacrificado não desista de lutar, não desista de seus sonhos, pois sei que as coisas vão melhorar, não quero desistir pois amo o que faço. Meu único medo e não conseguir manter meus compromissos e ter que vender meus animais para saldar minhas dívidas.
Obrigado pelo espaço e continuo torcendo para que tudo melhore.
Atenciosamente
Iara Ribeiro Costa Bueno
Produtora Rural- Alegrete/RS

IBIÁ - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 14/01/2009
1 -Considero o maior absurdo um produtor ficar mais de 60 dias vendendo (leite deve ser vendido, negociado e nao entregado) seu leite e continuar vendendo sem perspectiva de recebimento.
2 - Pelo que posso deduzir, a empresa compradora e de grande politico e magnata de Sao Paulo, que o missivista nao quis dar nome.
3- Os produtores precisam deixar de, por alguns centavos, em determinadas epocas deixar seus compradores para novidades. Sempre trabalhei que preços quem determina e mercado, o produtor determina são custos. Urubu e preto em todo lugar.
4- Normalmente os produtores que mais reclamam sao os que pulam de empresa em empresa sempre procurando vantagens, não estando nem ai para os problemas das empresas.
5- O Sr. Guilherme Alves de Mello Franco, produtor de Juiz de Fora deveria visitar e conhecer melhor o trabalho da FAEMG e CNA em prol dos produtores brasileiros, sendo que nao é bem como ele pensa e tambem diversos outros produtores. Elas fazem muito e se não fazem muito mais é por falta da união e participação dos produtores que só lembram de suas entidades quando estão enforcados e com a agua sufocando, digo isto porque tenho convivencia e conhecimento deste assunto.
Sou Engenheiro Agrônomo formado a mais de 38 anos, sempre trabalhei na extensão rural, hoje aposentado, trabalho de graça de 10 a 12 horas por dia como Presidente de Sindicato Rural, gastando do meu bolso para trabalhar, pensando que tinha uma divida de gratidão com os produtores rurais, faço tudo o que é possivel, mas o produtor não se interessa, e enquanto ele não se interessar, vamos constantemente escrever para o MilkPoint e outras entidades, mas sem soluções, pois estas dependem principalmente da união e participação da classe. O resto é um papo para boi dormir.
As entidades tem eleições de 3 em 3 anos, quem julga que elas não fazem nada tem o direito de se candidatar e ocupar suas diretorias, não podem e não devem é não participar e meter o pau nas mesmas.
Everton Gonçalves Borges
Presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Ibia - MG

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO
EM 14/01/2009
Ridícula é a situção em que o valor da embalagem é igual ou superior ao custo do que vai dentro. Há outra carta no espaço aberto onde um criador propõe um novo modelo de organização para os produtores. Parece utópico, mas merece toda a nossa atenção e reflexão.
Enquanto isso, sugiro ao Milkpoint a abertura de uma ´sala´ virtual de encontro dos produtores de leite, onde poderíamos tomar conhecimento do que anda acontecendo em nosso mundo real.

FERNANDÓPOLIS - SÃO PAULO
EM 13/01/2009
Desde novembro, os laticinieos tem superavit, às custas do produtor, pois estão recuperando as perdas. A certeza de haver milhares de "Emersons" pelo Brasil é que lhes dá a segurança de permanecer trabalhando. Caros produtores, não perpetuem essa industria do "me paga quanto pode", lutem pelo "me paga quanto vale", pois como bem disse o Emerson, o leite de qualidade não tem sido valorizado pelos laticinios.
JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 13/01/2009
Bolsa escola, vale gás, bolsa família, isto interessa ao presidente, porque gera votos - mesmo que totalmente irresponsáveis - nas épocas necessárias. Por que não fazer o vale leite, já que o bom negócio é politicar? Por que não destinar um subsídio real ao produtor (não ao latícinio)? Por que não nos tratar com o respeito com que são tratados os banqueiros, os grandes exportadores, os industriais de renome? Afinal, somos responsáveis por grande parte do produto interno bruto e pela balança comercial ser superavitária. Será que é porque vivemos com roupas simples, sujas de esterco e de revolta? Ou porque não temos dinheiro, somos teimosos, humildes e marginalizados? Talvez, por tudo isso. Onde está a nossa Confederação Nacional da Agricultura e da Pecuária que assiste a tudo e nada faz, além de tomar nosso dinheiro todos os anos, através do famigerado imposto sindical? Será que não sabe deste quadro, mesmo ele sendo tão corriqueiro?
Parem de beber uísque e passem a beber leite, saíam de seus gabinetes com ar condicionado e venham para o campo, mesmo que o cheiro dos animais fira seus delicados olfatos. Deixem de lado as falácias e efetivem, de forma real, a defesa dos interesses do homem do campo, em especial, do produtor de leite, porque este já está cansado de sair em fotografias e filmes institucionais, feitos "para inglês ver".
GUILHERME ALVES DE MELO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

SANTA RITA DO PASSA QUATRO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 13/01/2009
Gostaria de ter escrito sobre outra coisa qualquer, e há muitas sobre o que escrever do leite e tudo que gira ao seu redor, mas calhou de ser justamente sobre o pior dos assuntos, pior até que preço baixo.
Ao José Antonio: sim, por enquanto continuo entregando o leite para o laticínio. Em parte, por falta de opção, uma vez que meu volume é pequeno e o mercado está pouco receptivo. Em parte, porque quero ver até onde isso vai. Em parte, ainda, porque esta é minha primeira experiência com uma indústria de grande porte e nome, minha primeira experiência como "profissional". Antes, durante alguns anos, forneci para um vizinho que montou um pequeno laticínio e nunca tive problema, pelo contrário, até, pois mais de uma vez ele me socorreu com um serviço de trator, uma bomba emprestada, essas gentilezas de bons vizinhos e boas pessoas.
Em parte, finalmente, e confesso com uma dose de vergonha, por algum comodismo. Como ainda resido em São Paulo, talvez por mais 30 a 40 dias, com sorte, fica difícil ir atrás de outro laticínio. Difícil e caro, diga-se, pois meu carro, já pedindo aposentadoria, é meio gastão de gasolina, que somada aos quase oitenta reais de pedágios resulta numa despesa de 200 reais para ir e voltar.
Já conversei com outro laticínio ainda em dezembro, que inclusive paga (ou pagava) pela qualidade do leite, mas meu volume de momento não se encaixa na política de coleta deles. Tudo correndo bem, em breve terei volume mínimo para a política de coleta deles.
Porque não vamos, minha esposa e eu, desistir do leite, simplesmente, até porque cana, no nosso sítio, é só para o consumo das vacas. E laranja só pra gente fazer suco ou chupar no pomar com canivete na mão.
Abraços a todos e obrigado, novamente.

SANTO ÂNGELO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 13/01/2009