A pecuária de leite merece respeito
Todo ano vemos, do alto de nossas porteiras, a gangorra do preço do leite balançar alucinadamente, impulsionada por diversos fatores que, em sua maioria, não têm a explicação necessariamente cristalina para seu fomento. O que nós precisamos é de, antes de tudo, exigir respeito não só dos governantes, mas, também, da sociedade que se esqueceu que tudo o que vem a sua mesa, de uma forma ou de outra, teve a intervenção de um produtor rural e que, se cerrarmos nossas porteiras, o mundo perecerá de fome.
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A maior de todas as balelas é a responsabilidade do produto pelo aumento dos índices de inflação, já que, é de meridiana sabença, o preço praticado no mercado é infinitamente menor do que deveria ser, para desespero de toda uma classe de abnegados que, ainda assim, insistem em manter seus negócios em curso.
O Governo Federal, por sua monta, alucinado com o ideal de mantença de suas políticas sociais, esteio das votações que o levaram ao poder por duas vezes e única condição de continuar com este status quo, incentiva a queda do preço do leite no mercado, para que as populações mais desassistidas pela fortuna possam obter condições financeiras de ter o produto em suas mesas, esqueceu-se do fato de que, assim agindo, empobrece a já tão pálida alimentação do brasileiro.
Destarte, direta ou indiretamente, fomenta o surgimento da exploração do homem pelo homem, ideal já tão sepultado e esquecido pela sociedade, em todo o mundo civilizado, e que se contrapõe abusivamente ao Estado democrático de Direito em que, teoricamente, vivemos.
O fato de não se manter uma política de preço mínimo para o produto faz com que pessoas, que não o produtor, aufiram lucros sem causa com o comércio de seus derivados e, mesmo, de seu estado in natura.
Muito se ouve falar na falta de organização do setor, de união entre a classe produtora, em necessidade de propaganda e outros implementos ao consumo de leite no Brasil, para justificar o preço recebido pela matéria prima encaminhada ao mercado.
Todavia, esquecemos nós que dois fatores são determinantes deste estado de coisas: um, o baixo nível cultural do homem do campo, esquecido que foi, durante anos (e ainda o é) das políticas de alfabetização e de ensino, o que impede, em grande parte, a tecnificação do setor, e, outro, o fato de que o leite é um produto perecível, de conservação muito difícil e que não permite estoques primários, o que faz com que o pecuarista o entregue pelo preço que for, para não ter o total prejuízo. Não é como, por exemplo, no caso do gado de corte que pode ser mantido no pasto à espera de um preço melhor.
Assim, algum elo da cadeia tem sido beneficiado em detrimento dos outros, mas, a verdade que salta aos olhos é que, se recebemos, apenas e tão somente, R$ 0,75 (setenta e cinco centavos) por um litro de leite produzido, como pode o mesmo leite chegar às gôndolas dos supermercados por R$ 2,50 (dois reais e cinquenta centavos), numa majoração de mais de trezentos por cento?
E, o mais estranho, como é que pode haver promoção de determinadas marcas de leite, a preços quase tão baixos como o que recebemos na fonte, sem que haja a adulteração do produto? E, se ela existe, onde a fiscalização sanitária devida que nada faz?
Estes são questionamentos que não recebem resposta direta de nenhum organismo responsável pela cadeia e, nós, os produtores, ficamos sempre com a pior parte: produzir sem condições para tal.
Alie-se a tudo isso, a falta de uma política internacional séria, que coíba os métodos de dumping e impeça que o produto estrangeiro chegue ao mercado interno com preços mais convidativos que o nacional, que não sirva, apenas, de trampolim para que nosso governante maior seja bem visto na América Latina e no resto do mundo, como se fosse o "maior estadista de todos os tempos", enquanto nós pagamos por estas omissões premeditadas.
A conclusão a que chegamos é que falta respeito com a cadeia produtiva, para que se impeça que um litro de leite seja comercializado por preço inferior a meio litro de água mineral, que a matéria prima utilizada para alimentação dos animais suba, sem motivo, sempre que - e, porque - a estação da seca tenha início ou que o comprador ofereça o preço mais módico possível pelo produto adquirido.
A par do que, parafraseando ao Boris Casoi, "isto é uma vergonha", o que nós precisamos é de, antes de tudo, exigir respeito não só dos governantes, mas, também, da sociedade que se esqueceu que tudo o que vem a sua mesa, de uma forma ou de outra, teve a intervenção de um produtor rural e que, se cerrarmos nossas porteiras, o mundo perecerá de fome.
Material escrito por:
Guilherme Alves de Mello Franco
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JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 11/11/2009
Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

PRESIDENTE VENCESLAU - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 07/11/2009
Uma tremenda falta de respeito com o produtor e principalmento com o povo que precisa do alimento para ter seu desenvovimento fisico e ajudar a previnir doenças.
Até agora, nenhum representante das Empresas que coletam leite da região prontificaram a dar uma explicação seja ela qual for. Mas que justifique e principalmente fundamente tal desrespeito a consumidor/produtor.
Por favor madem a " TODOS QUE POSSA NOS AJUDAR DIRETA OU INDIRETAMENTE"
Estou enviando ao PRESIDENTE DA REPUBLICA.
MINISTRO DA AGRICULTURA, RECEITA FEDERAL.
Quem sabe alguem de satisfação pelo menos aos consumidores.
JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 27/10/2009
Quanto ao incentivo do Governo, meu avô já o esperava e morreu sem o ter recebido. Portanto, não devemos contar com ele. Se você for mudar de sistema, adotando o confinamento, entendo que a raça holandêsa pura seria o ideal, porque não haveria a barreira climática (calor muito acentuado) que impediria a produção nas quantidades que a raça pode fornecer.
Se insistir no sistema que, atualmente você se utiliza, melhor permanecer com as mestiças, que aguentam melhor este tipo de clima, embora produzam bem menos. Se assim for, recomendo a adoção de duas ordenhas por dia, o que já melhoria muito a sua produção.
Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

OURO PRETO DO OESTE - RONDÔNIA - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 23/10/2009
Tenho projetos de parar de engordar boi e passar so para o leite, estou fazendo isso devagar, pretendo melhorar mais a genetica de meu rebanho e gostaria de uma opinião sua, qual o caminho devo seguir: tenho vacas mestiças girolando, com medias de 8 a 10 litros com uma ordenha a pasto, qual raça devo usar para melhorar o leite (um holandes PO seria a solução)? Abraços!
Sitio Alegria
luciano botelho dias
JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 22/10/2009
Meu sonho, embora beire à Utopia, do Thomas Morus, é que possamos dar a resposta nas urnas. Mas, bolsa-escola, vale-gás, bolsa-família, vale-farmácia, vale-pizza, vale-castelo, vale-tudo...
Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 22/10/2009
Não sou contra o protesto, somente não aceito o desperdício de alimento num mundo faminto. Esta questão de preço mínimo, não deve ser considerada a nível regional, mas, sim, particular, posto que minhas condições de produção são diferentes das de meu vizinho, e as dele, diversas das de outros e, assim, sucessivamente. Mas, acredito que algo em torno de R$ 0,70 (setenta centavos) poderia ser suficiente para que todos tenhamos condições de trabalhar. Conheço seu Estado e sei que a reserva de pastagem na época mais seca é complicada. Como vocês fazem para sobreviver neste período? Sugiro que leia meu outro artigo sobre o confinamento de gado de leite, que pode ser muito mais vantajoso para vocês do que o leite a pasto.
Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 22/10/2009
Sinto-me realizado em ter podido dar o mote para a mudança que se nos avizinha. Podemos estar mudando a história da pecuária leiteira nacional: basta que todos queiramos.
Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 21/10/2009
Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 21/10/2009
Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

OURO PRETO DO OESTE - RONDÔNIA - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 21/10/2009
Sou contra protesto, greves, jogar leite fora e etc.. no final o prejuizo e nosso. Admito que a desunião dos produtores em nosso pais é muito grande, so sabe reclamar e cruzar os braços na grande maioria; a minoria luta briga para obter melhoras.
Sr guilherme, na sua região qual seria o preço mínimo que daria para vcs trabalharem tranquilos sem terem prejuizos? Aqui em ouro preto do oeste como a grande maioria tira leite 100% a pasto o leite a 60 cent, dava para mexer, abaixo disso é complicado!
LUCIANO BOTELHO DIAS
SITIO ALEGRIA- OPO RO.

NOVA FRIBURGO - RIO DE JANEIRO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 21/10/2009

MOCOCA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 21/10/2009
Observem a noticia abaixo:
Fraude/AR - Autoridades argentinas apreenderam em Buenos Aires, uma partida de leite em pó importado, que seria distribuída no interior do país, e reexportada a países vizinhos, por estar contaminada e inadequada ao consumo humano, conforme análise do Instituto Nacional de Alimentos do Ministério da Saúde. A carga havia sido interditada pela justiça no dia 2 de outubro para análise. (El Cronista - Tradução Livre: www.terraviva.com.br)
Falar o que?????
Abraços

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 20/10/2009
Precisamos encontrar uma forma de sensibilizar os politicos,esta chegando as novas eleiçoes,o momento é agora,pois sabemos que após não conseguiremos NADA
JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 20/10/2009
Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 20/10/2009
Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

SÃO LOURENÇO - MINAS GERAIS
EM 19/10/2009
É fato que os métodos dos sem-terra não nos agrada, mas depois de cada vandalismo eles tem suas reinvidicações atendidas, e logo em seguida pedem mais, e mais vandalismo, e mais beneficios... E o produtor até quando vai aguentar? Não sou a favor destes métodos, mas num pais onde o governante a pouco tempo atras era o chefe da bagunça talvez a solução seja executarmos ações do modo que ele julgava ser eficiente quando estava do outro lado. Nos revolta ver um programa como o MAIS ALIMENTOS ser tào dificil para um produtor ter acesso e para um sem-terra ou assentado ser quase que premiado com beneficios que muitas vezes não vão dar em nada e sequer vão ser quitados.

PATOS DE MINAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 19/10/2009
Talvez tenha sido o melhor texto que li no milkpoint até hoje. Continuo batendo na tecla da necessidade urgente da criação da Federação Nacional dos Produtores de Leite. Pensem nisto.
Eduardo Amorim
Fazenda Caatingueiro
Patos de Minas - MG

ARAXÁ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 17/10/2009
Gostei de sua resposta. O meu desabafo não foi em vão. Como o senhor sabe, temos despezas fixas e recebi mais uma carta do laticinio que entrego o leite, com os seguintes dizeres: "previsão do preço para outubro: recuo de R$ 0,02 a R$ 0,04."
É revoltante! Justo na época de plantio!
Porteira a fora está dificil!.
Um abraco,
Dalva
JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 16/10/2009
Cruzar os braços, por lado outro, nada adianta, ou melhor, adianta tanto quanto falar e não agir. Despejar leite no campo não adiciona nada à situação, apenas revolta àqueles que nada têm e que poderiam ter usufruído do alimento desperdiçado. Um absurdo num mundo faminto como o que vivemos. Não acho que algum de nós venha dizendo "amém" ao que tem ocorrido, há anos, no setor pecuário de leite, no Brasil. Pelo contrário, a grande afluência de debatedores que se apresentaram à discussão de meus dois outros artigos, prova justamente que nenhum de nós concorda com a situação em que vivemos.
A sua última questão é que merece maior ilação: somente nos reuniremos quando houver afloradas quatro vontades: a pessoal, a política, a associativa e a da sociedade. A primeira, todos nós a temos. A segunda, se nulifica nos altos salários e pelos gabinetes refrigerados e bem confortáveis, existentes na Câmara e no Senado Federais, que são bem diferentes da humildade financeira e da rusticidade que vivenciamos nas fazendas, que inibe a vontade daqueles que deveriam nos representar e defender, nos deixando ao desabrigo total. A terceira, esbarra na acomodação de muitos que, sequer, se aderem às sociedades de produtores de leite, fator que se estende por todos os setores, eis que os brasileiros não temos a cultura da reunião. E, finalmente, a quarta, falece ante a falta de preocupação da sociedade com o drama da produção, esquecida de que o alimento que consome vem das mãos dos abnegados produtores e que acha que o leite é muito caro, embora custe, em média, menos que meio litro de água mineral e muito menos que uma lata de cerveja.
Portanto, não basta ter a bandeira, mas, também, necessário se faz obter condições de empunhá-la.
Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA -MG

ARAXÁ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 16/10/2009
Como os "sem terra", conseguem as coisas?
Não derrubamos um presidente outrora?
Vamos ficar de braços cruzados e deixar que continue assim?
Vamos jogar o leite fora e fazer manifestações como os produtores da europa?Ou Ou vamos continuar a dizer "Amém"?
Onde e quando nos reuniremos?