As mudanças climáticas representam um desafio crescente para a pecuária leiteira mundial. Um novo estudo da Universidade Hebraica de Jerusalém trouxe novos dados sobre como o calor extremo impacta diretamente a produção de leite, revelando perdas que podem chegar a 10% em apenas um dia de temperatura elevada.
O Impacto do Calor na Produção Leiteira
A pesquisa, publicada na revista Science Advances, representa uma das avaliações mais abrangentes já realizadas sobre o tema. Os resultados mostram que um único dia de calor extremo pode reduzir drasticamente a produção de leite das vacas, com efeitos que se estendem por mais de 10 dias.
O estudo identificou que a produção de leite diminui significativamente quando as temperaturas de bulbo úmido ultrapassam 26°C. As temperaturas de bulbo úmido são especialmente importantes porque combinam informações sobre temperatura do ar e umidade, oferecendo uma medida mais precisa do estresse térmico real sentido pelos animais.
A pesquisa revelou que, mesmo com sistemas de resfriamento instalados, apenas metade das perdas de produção é compensada. A eficácia dessas tecnologias diminui conforme a temperatura aumenta: em dias com 20°C de temperatura de bulbo úmido, os equipamentos compensam cerca de 50% das perdas, mas em 24°C, essa compensação cai para apenas 40%. Ainda assim, os pesquisadores constatarem que vale a pena investir em sistema de resfriamento.
Metodologia do Estudo
A equipe de pesquisadores, liderada por Eyal Frank e composta por Claire Palandri, Ayal Kimhi, Yaniv Lavon, Ephraim Ezra e Ram Fishman, escolheu Israel como campo de estudos por razões estratégicas. O país oferece condições climáticas variadas que representam bem os principais países produtores de leite do mundo, além de contar com fazendas que já adotaram amplamente sistemas de resfriamento.
Durante 12 anos, os pesquisadores analisaram dados meteorológicos localizados e o comportamento de mais de 130.000 vacas leiteiras israelenses. Complementando essa análise quantitativa, entrevistaram mais de 300 produtores para verificar a eficácia real das tecnologias de resfriamento implementadas.
Projeções globais
Utilizando os dados coletados em Israel, os pesquisadores fizeram projeções para o cenário global até meados do século. Sem os sistemas de resfriamento, os 10 maiores países produtores de leite poderiam registrar uma queda média de 4% na produção diária.
Países como Índia, Paquistão e Brasil, que estão entre os cinco maiores produtores mundiais, enfrentariam perdas ainda maiores, entre 3,5% e 4% por vaca por dia. Esses também são os países que mais se beneficiam do resfriamento. Porém, mesmo com a implementação de tecnologias de resfriamento, esses países ainda registrariam perdas significativas, entre 1,5% e 2,7% por vaca diariamente.
Apesar das limitações, o estudo confirma que investir em equipamentos de resfriamento continua sendo economicamente viável. Os produtores conseguem recuperar os custos de instalação em aproximadamente 18 meses, tornando essa adaptação uma estratégia financeiramente sustentável a médio prazo.
A pesquisa sugere que reduzir outros fatores estressantes, como confinamento excessivo, pode tornar as vacas menos sensíveis ao calor e mais resilientes às variações climáticas. Esses fatores estressantes adicionais amplificam os efeitos negativos do calor, criando um ciclo que compromete ainda mais a produção, sugerindo que práticas que reduzem o estresse geral dos animais podem ser tão importantes quanto as tecnologias de controle térmico para manter a produtividade em um clima em transformação.
Agora, vamos testar seus conhecimentos sobre o estresse térmico nas vacas?
As informações são do Dairy Industries, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.