A ciência tem mostrado que vacas leiteiras não são todas iguais, e não estamos falando apenas de raça ou produtividade. Um estudo conduzido pela AgResearch e pela DairyNZ, na Nova Zelândia, investigou a relação entre traços de personalidade de vacas mantidas a pasto, seus padrões diários de comportamento e a produção de leite.
Os resultados confirmaram algo que muitos produtores já suspeitavam: cada vaca tem um “jeito próprio de ser”. Esse conjunto de características, que permanece relativamente constante ao longo do tempo para cada indivíduo, é chamado de personalidade. Já aspectos específicos, como reatividade, curiosidade ou calma, são denominados traços de personalidade.
O impacto da automação
No passado, com rebanhos de cerca de 60 vacas, o produtor conseguia conhecer o comportamento de cada animal individualmente. Hoje, com lotes maiores, mais automação e menos tempo por animal, essa proximidade diminuiu. Mas as legislações e códigos de bem-estar animal, que reconhecem os animais como seres sencientes, ou seja, capazes de sentir, reforçam a importância de compreender as necessidades individuais.
Segundo Jim Webster, especialista em ética animal da AgResearch, “rebanhos não têm sentimentos, indivíduos têm”. Assim, conhecer a personalidade de cada vaca pode ajudar a ajustar o manejo, reduzir frustrações e até aumentar a produtividade.
Como foi feito o estudo
A pesquisa acompanhou 87 vacas mestiças por 16 dias, observando tempo de pastejo, deitada e ruminando, além da produção de leite. Foram aplicados cinco testes padronizados para avaliar as reações das vacas em situações novas ou potencialmente estressantes. Entre eles:
- Teste do objeto novo: um item desconhecido colocado no caminho da vaca, para observar curiosidade ou cautela.
- Teste da pessoa desconhecida: uma mulher usando colete refletivo e calças de alta visibilidade ficava imóvel na passagem.
- Teste de contenção: a vaca era mantida por 15 segundos em um tronco de contenção e sua reação variava de calma a forte resistência.
Cada reação era registrada, e as vacas foram classificadas de acordo com seu nível de reatividade.
O que a pesquisa revelou
O estudo mostrou que vacas mais calmas e exploradoras, que investigavam objetos novos e não se agitavam durante a contenção, passavam mais tempo pastejando. Isso, por sua vez, estava relacionado a maior produção de leite.
Já as vacas mais reativas a estímulos desconhecidos ou ao processo de ordenha apresentaram menor produtividade, possivelmente devido à redução no tempo de pastejo ou descanso.
Outro ponto interessante foi a ligação entre personalidade e padrões de descanso: vacas com menor tolerância a novidades faziam menos períodos deitada, o que pode afetar o conforto e a produção.
Identificar traços de personalidade das vacas pode ajudar produtores a:
- Selecionar vacas mais adaptadas ao sistema de produção existente.
- Ajustar o manejo de acordo com a necessidade individual.
- Reduzir o estresse e melhorar o bem-estar animal.
- Maximizar o potencial produtivo de cada vaca.
Assim como no gerenciamento de equipes humanas, entender o “perfil” de cada indivíduo do rebanho pode ser um diferencial competitivo. No futuro, testes rápidos de personalidade poderão ajudar na tomada de decisão no campo.
Você conhece a personalidade de suas vacas?
Agora é hora de testar seus conhecimentos!
As informações são do Farmers Weekly, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.