Como identificar a mastite a tempo de evitar prejuízos maiores?

Silenciosa ou evidente, a mastite é uma das principais vilãs da produção leiteira. Afeta a saúde das vacas, reduz a produtividade e compromete a qualidade do leite. Entenda os tipos, formas de diagnóstico e caminhos para um controle mais eficiente.

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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A mastite é caracterizada como um processo inflamatório da glândula mamária, geralmente acompanhado por redução da produção de leite e alterações na sua composição. Trata-se de uma das principais enfermidades dos rebanhos leiteiros, responsável por perdas significativas como: menor produção, descarte prematuro de vacas, descarte de leite, custos com tratamentos veterinários e queda na qualidade do produto.

Em algumas propriedades, por ano, três de cada dez vacas leiteiras apresentam inflamação clinicamente aparente da glândula mamária. Já foram identificados mais de 130 diferentes microrganismos causadores da doença, o que reforça a importância do diagnóstico preciso antes da adoção de estratégias de tratamento ou controle.

Como são classificadas as mastites?

a) Quanto à detecção

  • Mastite clínica: apresenta sinais visíveis, como aumento da temperatura do úbere, endurecimento dos tetos, dor à palpação e alterações no leite (grumos, pus, presença de sangue). Em casos mais graves, pode haver sintomas sistêmicos, como febre, prostração e anorexia.
  • Mastite subclínica: não apresenta sinais externos evidentes, o que favorece sua disseminação no rebanho. É identificada por meio de exames indiretos, como a CCS (contagem de células somáticas e pelo CMT (California Mastitis Test). Apesar de silenciosa, causa queda na produção e afeta a qualidade do leite.

b) Quanto à origem dos agentes

  • Contagiosa: transmitida principalmente durante a ordenha, por meio de equipamentos ou das mãos dos ordenhadores. Os principais agentes são Staphylococcus aureus e Streptococcus agalactiae, que provocam infecções persistentes, muitas vezes subclínicas, associadas a altos níveis de CCS (acima de 300.000 células/mL).
  • Ambiental: causada por microrganismos presentes no ambiente, como cama, solo e fezes. Afeta principalmente animais com a imunidade comprometida. Os principais agentes são Escherichia coli, Klebsiella spp. e Streptococcus uberis, que frequentemente causam quadros clínicos agudos.

Como fazer o diagnóstico da mastite?

O diagnóstico da mastite baseia-se na observação clínica e em testes específicos que detectam alterações no leite. Os principais métodos incluem:

  • Teste da caneca de fundo escuro: identifica alterações visuais de coloração ou consistência do leite alterado, como a presença de grumos.
  • California Mastitis Test (CMT): detecta células somáticas por meio da viscosidade do gel formado.
  • Contagem de Células Somáticas (CCS): realizado em laboratório, permite indicar inflamações subclínicas.
  • Cultura microbiológica com antibiograma identifica o agente causador e sua sensibilidade a antimicrobianos, sendo o método definitivo para orientar o tratamento.

Para o controle efetivo da doença no rebanho, um passo fundamental é a implantação de uma rotina de diagnóstico para ter um indicativo da situação da doença no rebanho. Por exemplo, recomenda-se que a mastite clínica seja diagnosticada em todas as ordenhas (pelo uso do teste da caneca de fundo preto) e mastite subclínica pela realização mensal de um teste para avaliar a CCS das vacas.

Falhas terapêuticas ocorrem com frequência, muitas vezes em função do uso inadequado de antibióticos, baixa penetração do fármaco na glândula inflamada, resistência bacteriana ou falhas na aplicação. Por isso, a identificação do agente por cultura microbiológica deve ser priorizada sempre que possível, permitindo traçar um protocolo específico e eficiente para cada caso.

Além disso, a adoção de boas práticas de ordenha, como o pré e o pós-dipping, a correta higienização dos equipamentos, o descarte do leite de animais tratados, é imprescindível. Manter o ambiente limpo e seco, realizar a secagem seletiva e monitorar constantemente os dados de CCS são estratégias essenciais para reduzir a prevalência e a reincidência da mastite no rebanho.

A mastite continua sendo o principal desafio sanitário da pecuária leiteira, tanto pelo seu impacto econômico quanto pela sua complexidade etiológica. Um programa eficaz de controle passa necessariamente por um diagnóstico preciso, tratamento direcionado e ações preventivas permanentes. O sucesso no combate à mastite não está apenas no controle dos surtos, mas na capacidade de manter o rebanho saudável ao longo do tempo, garantindo leite de qualidade.

 

Agora é hora de testar seus conhecimentos:
 

 

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Material escrito por:

Maria Luíza Terra

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