Desafios e soluções no controle da mastite bovina: da sala de ordenha ao laboratório

Você sabia que a mastite bovina pode comprometer não só a produtividade, mas também a qualidade do leite que consumimos? Descubra, os principais desafios e as soluções inovadoras no combate a essa doença.

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A mastite bovina é uma inflamação da glândula mamária que prejudica a produtividade da pecuária leiteira, reduzindo a qualidade do leite e aumentando custos. O controle envolve práticas de higiene rigorosa, diagnóstico rápido e uso responsável de medicamentos. Testes laboratoriais ajudam a identificar agentes causadores e evitar o uso indiscriminado de antibióticos. Perdas econômicas com mastite no Brasil superam R$ 700 milhões anuais. Novas tecnologias de cultura rápida e kits on-farm melhoram o diagnóstico e reduzem desperdícios.

A mastite bovina está inserida dentre as principais doenças que afetam a produtividade e a rentabilidade da pecuária leiteira. Consiste na inflamação da glândula mamária, geralmente causada por bactérias, que reduz a qualidade do leite e aumenta os custos com descarte e tratamento.

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Mesmo em fazendas bem manejadas, a mastite pode ser persistente. Por isso, o controle dessa doença exige intervenções humanas, incluindo higiene rigorosa no período pré e pós-manejo, técnicas adequadas de ordenha, diagnóstico rápido (como uso do teste de células somáticas ou cultura bacteriológica) e o uso racional de medicamentos, respeitando a sensibilidade antimicrobiana dos patógenos (Kumar et al., 2025)

 

Higiene na ordenha: o primeiro passo

A sala de ordenha é o ponto de partida do controle. O uso de pré-dipping (imersão dos tetos em solução desinfetante antes da ordenha) e de pós-dipping é essencial. Além disso, é fundamental:

  • Manter panos limpos e individuais para secagem dos tetos;

  • Avaliar o vácuo e pulsação do equipamento de ordenha semanalmente;

  • Fazer o descarte do primeiro jato (caneca telada);

  • Garantir que os ordenhadores estejam treinados e capacitados.

Fazendas que adotam protocolos simples, como uso correto do pós-dipping, podem reduzir a incidência de mastite clínica em até 50% (Embrapa, 2021).

Figura 1. Pré- dipping e Pós-dipping consiste em imergir cada teto em solução específica, visando garantir sua antissepsia antes e depois da ordenha.

Uma imagem contendo animal, pessoa, pequeno, pássaro
O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

Fonte: MFmagazine, 2022.

 

Diagnóstico laboratorial: identificando os vilões

A coleta de leite para cultura bacteriana permite identificar os agentes causadores da mastite. As bactérias podem ser contagiosas (como Staphylococcus aureus) ou ambientais (como Escherichia coli). O diagnóstico correto permite tratamentos mais assertivos e evita o uso indiscriminado de antibióticos, contribuindo para a redução da resistência bacteriana. 

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O "teste da caneca de fundo preto"(Figura 2) é um método visual utilizado para detectar a mastite clínica, infecção bacteriana na mama das vacas leiteiras. O procedimento envolve coletar os primeiros jatos de leite de cada teto na caneca de cor escura e verificar se há grumos, pus, ou mudanças na coloração do leite, sinalizando a ocorrência de mastite.

Figura 2. Teste da caneca de fundo escuro ou caneca telada.

Uma imagem contendo pessoa, azul, tigela, verde
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Fonte: Ourofino Saúde Animal (2018).

 

Impacto econômico: por que é tão importante agir?

Nos estudos realizados pela Embrapa (2020) mostrou que a vaca com mastite subclínica pode ter perda de até 30% na produção diária de leite. Além disso, o aumento da Contagem de Células Somáticas (CCS) penaliza o produtor no pagamento por qualidade.

 Estima-se que as perdas econômicas com mastite ultrapassem R$ 700 milhões por ano no Brasil.

 

Novas tecnologias: cultura rápida e testes on-farm

Atualmente, os produtores contam com sistemas de cultura bacteriana de incubação rápida, que fornecem resultados em até 24 horas. Esses testes laboratoriais já estão disponíveis em diversas regiões do país e permitem a identificação precoce do agente causador da mastite.

Além disso, os kits de cultura on-farm, que podem ser usados diretamente na fazenda, oferecem avanços importantes. Com eles, o produtor ou veterinário consegue diferenciar rapidamente infecções causadas por bactérias Gram-positivas e Gram-negativas, orientando a decisão de tratamento. Isso reduz o uso desnecessário de antibióticos, diminui o tempo de vacas em tratamento e o volume de leite descartado, gerando economia e contribuindo para a sustentabilidade da produção leiteira.

Autores:


Alessa Pereira Diniz Araújo – Zootecnista, mestrando em Zootecnia (com ênfase em tecnologia, piscicultura, bem-estar), com atuação na área piscicultura e agronegócio.

Adriano Carvalho Costa – Zootecnista, doutor em Zootecnia (com ênfase em tecnologia e piscicultura). 

Elias Marques de Oliveira – Médico veterinário, mestrando em Zootecnia (com ênfase em tecnologia, piscicultura, bem-estar), com atuação na área piscicultura e agronegócio.

Vínculo institucional: Instituto Federal Goiano. Programa de pós-graduação em Zootecnia (Mestrado) 

Referências bibliográficas

Embrapa. Impacto econômico da mastite bovina. 2020.

Embrapa. Práticas de ordenha e controle de mastite. 2021.

Nmc - National Mastitis Council. Guidelines for mastitis control. 2023.

Kumar, Lalit; Jakhar, Santosh Kumar; Singh, Surendra; Kumawat, Manish; Chugh, Pulkit. Mastitis in dairy cows: Diagnosis, management and economic impact. International Journal of Veterinary Sciences and Animal Husbandry, v.?10, n.?5, p.?46–48, 2025.

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Material escrito por:

Alessa Pereira Diniz Araújo

Alessa Pereira Diniz Araújo

Zootecnista, mestrando em Zootecnia (com ênfase em tecnologia, piscicultura, bem-estar), com atuação na área piscicultura e agronegócio.

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Adriano Carvalho Costa

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