Será este o ano do leite??

O aumento nos preços do leite no mês de março, quando se pagou pela produção de fevereiro, trouxe novos ânimos aos produtores. Saiba mais aqui!

Publicado em: - 2 minutos de leitura

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O aumento nos preços do leite no mês de março, quando se pagou pela produção de fevereiro, trouxe novos ânimos aos produtores.

Na média geral do país, os preços foram reajustados em 2,48%, ficando ainda a expectativa de novas altas para o próximo pagamento, quando será paga a produção de março.

Com o ocorrido, os preços médios do leite no Brasil não recuam há mais de 15 meses, mantendo-se sempre firmes e com tendência de alta. Os reajustes médios nos preços foram de 3% ao mês neste período. Vale lembrar que em novembro de 2001, mês em que se registrou a última queda nos preços, os valores eram os mais baixos da história, quando considerada a inflação.

Como se observa no gráfico, os preços nominais (moeda da época) vem aumentando ininterruptamente, enquanto os valores reais (deflacionados, quando se considera a inflação) começaram a se estabilizar. Na verdade, não se estabilizaram, houve apenas uma redução no índice de queda de valores (reais) dos preços do leite, ou seja , os valores comparados com a inflação.
Mesmo com as altas, os valores ainda não acompanham a inflação (lembre-se que o índice usado é o IGP-DI), como pode ser observado no gráfico.

Os principais motivos que explicam este comportamento de mercado são justamente os anos de crise que o setor leiteiro vem passando.

Era certo, como foi alertado em vários artigos e por vários analistas de mercado, que a produção acabaria sendo afetada depois de um elevado período de crise. Foi o que ocorreu.

A CNA (Confederação Nacional da Agricultura) estima uma redução de 0,5% na produção de 2002. É possível que a produção tenha caído ainda mais do que o estimado, tendo em vista os vários fatores que atuaram no último ano, além da migração de produtores do mercado informal para o mercado formal, fato que tem sido observado nos últimos anos.

Considerando o período daqui em diante, que é de entressafra, e os preços dos insumos que ainda estão elevados, é provável que este ano seja de preços firmes, pelo menos até o início das chuvas de outubro. Até quanto vai subir, depende do mercado consumidor e de vários fatores, mas o quadro é mais favorável a preços elevados.

Será o ano do leite, como já começou-se a dizer por aí? Em hipótese alguma. Os preços, se subirem ainda mais, permitirão que o produtor revisa suas condições, adapte sua tecnologia de produção e consiga tomar um fôlego. Lembre-se que nos preços atuais dos insumos, os valores do leite ainda permitem praticamente a mesma relação de troca que era observada no início de 2002.

A adubação desta safra, segundo levantamento da Scot Consultoria, custou cerca de 65% a 70% a mais que a adubação da safra anterior, considerando os aumentos nos preços dos adubos, fretes e óleo diesel.

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Material escrito por:

Maurício Palma Nogueira

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Renato H. Fernandes
RENATO H. FERNANDES

TEIXEIRA DE FREITAS - BAHIA - COMÉRCIO DE CAFÉ (B2B)

EM 05/04/2003

Prezado Maurício,

Pelo menos desde 1999, os preços do leite vêm começando a subir, com vistas à entressafra, já em fevereiro. E, pelo gráfico com a deflação por IGP-DI, caem a partir de Julho, quando isto não acontece até em termos nominais, como em 2001. Não caíram no ano passado, devido à aceleração da inflação, a alta do dólar e o atraso nas chuvas terem repercutido com queda na oferta, apesar da Nestlé (que com sua política de anúncio prévio das cotações parece estar conseguindo parametrizar o mercado, na maior parte do tempo) ter diminuído, quando nada aqui na Bahia, as cotações em julho, sendo forçada a voltar atrás em agosto. Tenho a sensação de que as altas de fevereiro relacionam-se com a formação de estoques, visando limitar o pico de preços e a duração da entressafra.

Tomara que eu esteja errado, mas, pelo menos por enquanto, receio que "o ano do leite" seja um ano como todos os outros.

Saudações,

Renato Fernandes
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